Polo Industrial de Manaus

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Produção de bicicletas tem melhor trimestre desde 2015 na ZFM

De janeiro a março, a quantidade manufaturada no parque fabril da capital amazonense subiu 15,8%, de 158.699 (2018) para 183.742 (2019) unidades

Por Marco Dassori

17 Abr 2019, 09h59

Crédito: Acervo JC

As linhas de produção de bicicletas do PIM (Polo Industrial de Manaus) registraram, neste ano, seu melhor primeiro trimestre desde 2015. De janeiro a março, a quantidade manufaturada no parque fabril da capital amazonense subiu 15,8%, de 158.699 (2018) para 183.742 (2019) unidades.

Há exatos quatro anos, quando a crise ainda não havia deitado raízes na ZFM (Zona Franca de Manaus), as fabricantes locais haviam entregado 189.335 bicicletas. Os dados foram extraídos da pesquisa mensal da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares).

Na avaliação do vice-presidente do Segmento de Bicicletas da Abraciclo,k Cyro Gazola, os números evidenciam o esforço das fabricantes para atender ao aumento da demanda por bicicletas nacionais, que vem ocorrendo em todas as regiões do país.

“Há uma busca crescente por produtos de médio e alto valor agregado, tanto para a mobilidade urbana, quanto para lazer e práticas esportivas. Este cenário ratifica a projeção do segmento de bicicletas de elevar em 10,8% a produção em 2019, na comparação com a realizada no ano passado, que foi de 773.641 unidades”, destacou.

Os dados da Abraciclo mostram também que, no resultado isolado de março, a fabricação de bicicletas somou 59.021 unidades, recuo de 2,7% na comparação com o mesmo mês de 2018 (60.682 unidades) e de 10,7% em relação a fevereiro (66.110 bicicletas). “É importante lembrar, no entanto que, devido ao Carnaval, tivemos 19 dias úteis em março, dois a menos que no mesmo mês do ano passado e um a menos que em fevereiro”, explicou Gazola.

Os volumes de bicicletas produzidos no PIM no primeiro trimestre foram distribuídos para comercialização nas seguintes regiões do Brasil: Sudeste, com 54,6% das unidades; Sul, 16,8%; Norte, 11,3%; Nordeste, 11,2% e Centro-Oeste, 6,1%.

Crise e saúde

O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo, atribui o crescimento à busca do consumidor por maior qualidade de vida e soluções saudáveis para contornar o crônico problema de mobilidade urbana nos centros urbanos brasileiros.

O dirigente, que também é vice-presidente da Fieam, acrescenta ainda que, embora estas sejam tendências antigas e de longo prazo, o crescimento está sendo mais forte agora, paradoxalmente, em função da resiliência da crise econômica brasileira.

“O transporte público é precário e o preço para abastecer o automóvel está cada vez mais caro. E o desemprego continua alto. Ao optar pela bicicleta, o consumidor economiza não apenas tempo, como também combustível. E pode até vender o carro, se for necessário”, opinou.

O presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Amazonas), Francisco Assis Mourão Júnior, concorda e diz que o crescimento da produção deve seguir nos próximos meses, em virtude do aquecimento da demanda e dos diferenciais de se produzir na ZFM.

“É uma tendência de mercado que já se vê algum tempo na Europa e que vem chegando no Brasil, pouco a pouco. Não apenas pelo inchaço das grandes cidades, como também pela maior procura das pessoas por qualidade de vida”, comentou.

Sem PPB

No entendimento do economista, a Zona Franca necessita de um maior número de fabricantes de bicicletas para capitalizar a escalada da demanda de mercado pelos veículos de duas rodas. Principalmente os movidos à energia elétrica.

“O problema é que a ZFM ainda não dispõe de um PPB [Processo Produtivo Básico] que ampare a produção local. E, sem isso, não é possível fabricar bicicletas elétricas por aqui com os incentivos do model. Precisamos resolver essa questão o mais rápido possível, para poder gerar emprego e renda na indústria incentivada de Manaus”, asseverou.

Azevedo diz que já se conversa nos meios industriais do PIM sobre o interesse de pelo menos um fabricante produzir bicicletas elétricas em Manaus, mas ameniza a questão dos PPBs e diz que a Suframa já está se debruçando sobre o assunto.

“A Suframa está fazendo todo o possível para resolver essa questão, mas creio que as coisas vão se resolver nos próximos meses. O mesmo deve acontecer com o mercado para as bicicletas do PIM, que deve permanecer aquecido pelo menos até o fim do ano, conforme os números permitem prever”, concluiu.

Comércio exterior

Segundo dados do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat analisados pela Abraciclo, de janeiro a março foram importadas 14.148 bicicletas em todo o território nacional, redução de 55,4% ante as 31.730 unidades registradas no mesmo período do ano passado.

As bicicletas importadas no trimestre foram fabricadas principalmente na China (80,9%, com 11.449 unidades), seguida de Taiwan (8,8%, com 1.244 unidades) e de Portugal (5,2%, com 733 unidades).

Em março, a importação de bicicletas somou 4.174 unidades. A maioria veio da China (78,6% e 3.281 unidades), de Portugal (9,4% e 392 unidades) e de Taiwan (7,3% e 304 unidades).

Em relação às exportações, entre janeiro e março deste ano, foram embarcadas no Brasil, com destino a outros países 1.362 unidades, correspondendo a uma queda de 34,5% ante as 2.079 bicicletas exportadas no mesmo período de 2018. O Uruguai foi o principal destino (600 bicicletas e 44,1% do volume), seguido pelo Paraguai (365 unidades e 26,8%) e pelo Equador (240 e 17,6%).

Levando-se em consideração apenas o mês de março, o maior embarque de bicicletas fabricadas no Brasil foi para o Paraguai (365 unidades e 48,1% de participação), depois para o Equador (240 unidades e 31,6%) e para o Chile (128 unidades e 16,9%), também de acordo com os dados do portal Comex Stat analisados pela Abraciclo.

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