Polo Industrial de Manaus

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Produção de bicicletas é recorde no PIM em abril, diz Abraciclo

Por Marco Dassori

16 Mai 2019, 08h56

Crédito: Divulgação

Os fabricantes de bicicletas do Polo Industrial de Manaus bateram recorde de produção em abril. No total, 75.680 unidades saíram das fábricas, 23,3% a mais do que o obtido no mesmo mês do ano passado (61.370 bicicletas) e 28,2% superior ao apresentado pela indústria incentivada em março de 2019 (59.021 unidades).

Foi o melhor resultado para os meses de abril desde 2011, conforme a série histórica do levantamento da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares). O melhor número, até então, era o de abril de 2012 (68.451). Os dados foram divulgados pela entidade nesta quarta (15).

De janeiro a abril, as fábricas de bicicletas do PIM acumulam alta de 17,9%, com 259.422 bicicletas fabricadas – contra as 220.069 contabilizadas no mesmo período de 2018. Os números positivos levaram a Abraciclo a reafirmar ontem sua projeção inicial de encerrar o ano com acréscimo de 10,8% nas linhas de produção de bicicletas da Zona Franca de Manaus.

O aumento da produção no PIM veio acompanhado de um declínio das bicicletas importadas – especialmente da China –, que concorrem com a indústria nacional pela preferência do consumidor brasileiro. A queda nas aquisições do produto no estrangeiro foi de 51% nos quatro meses iniciais de 2019, de 36.827 (2018) para 18.040 (2019) unidades.

Segundo dados do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat analisados pela Abraciclo, as bicicletas importadas no quadrimestre vieram principalmente da China (79,3% e 14.314 unidades). Taiwan (11,3% e 2.035 bicicletas) e Portugal (4,8% e 857 bicicletas) vieram nas posições seguintes.

O vice-presidente do Segmento de Bicicletas da Abraciclo, Cyro Gazola, atribui o crescimento da produção registrado nos últimos meses à melhoria dos indicadores econômicos brasileiros, com destaque para a estabilização da taxa de juros.

“Os ciclistas buscam produtos de maior valor agregado e os fabricantes do PIM atendem essa demanda, oferecendo bicicletas mais modernas, equipadas com suspensões e freios hidráulicos, entre outros itens. Além disso, o aumento das redes de ciclovias incentiva e facilita a mobilidade urbana. Muitas pessoas já adotam a bicicleta como uma alternativa de transporte”, justificou, em texto distribuído pela assessoria da Abraciclo.

Combustível e trânsito

Presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, entidade patronal que representa localmente os fabricantes de bens finais e intermediários do polo de duas rodas, Nelson Azevedo, diz que os números da Abraciclo confirmam o descolamento do subsetor em relação ao PIM.

“Ainda bem que o segmento de duas rodas segue firme em um ano em que o Polo Industrial não vai tão bem, diante da atual paralisia econômica e confusão política. A expectativa para os próximos meses é seguir assim. Até porque o Centro-Sul do país, o nosso maior mercado, está aumentando a opção de ciclovias nas grandes cidades”, comemorou,

Azevedo, que também é vice-presidente da Fieam, também não descarta a hipótese de que o consumidor, que já trocou o carro pela motocicleta para ganhar tempo nos engarrafamentos e poupar no combustível, esteja fazendo uma nova substituição em favor das bicicletas.

“É um produto mais acessível do que a motocicleta e que, além de favorecer a economia do gasto de combustível, permite a prática esportiva e a melhora da saúde. O fato de a bicicleta nacional estar ganhando mais mercado do que as importadas se deve à maior facilidade para sua manutenção. E o câmbio não está favorecendo muito as importações ultimamente”, avaliou.   

Mais exportações

A maior produção foi impulsionada também pelo acréscimo nas exportações. Foram embarcadas 5.216 bicicletas ‘made in Manaus’ com destino a outros países, nos quatro primeiros meses deste ano. O volume foi 122,1% superior ao registrado no mesmo período de 2018 (2.348).

O Chile representou o principal parceiro comercial (1.492 bicicletas e 28,6% do volume) nas exportações de bicicletas do Polo Industrial. Em segundo lugar, veio a Argentina (1.408 unidades e 27%) e em terceiro, o Paraguai (785 unidades e 15%). Os dados são do portal Comex Stat e foram analisados pela Abraciclo.

“O percentual é elevado, mas infelizmente a base de comparação ainda não é tão significativa. Mas, não deixa de ser um indício de melhora e diversificação na pauta de exportações da Zona Franca. Também é um sinal de reconhecimento do mercado estrangeiro em relação à qualidade de nossos produtos”, finalizou o gerente executivo do CIN (Centro Internacional de Negócios) da Fieam, Marcelo Lima.

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