Opinião

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Prefiro jogar fora do que doar

O Amazonas, iniciando por Manaus, vai dar um importante passo para reduzir o desperdício de alimentos

Por Thomaz Meirelles

16 Abr 2019, 17h21

Crédito: Divulgação

Essa frase tem tudo para estar com os dias contados em Manaus graças aos feirantes, atacadistas, varejistas, governo estadual (Amazonas), municipal (Manaus) e o SESC/AM. Tenho forte ligação com o tema que envolve a soberania e a segurança alimentar no Amazonas, fruto da minha atividade profissional no setor primário. Não sou especialista no assunto, mas acompanho os números desse tema há décadas. É preciso fazer algo, e urgente. Ao longo dessa caminhada sempre ouvi a inaceitável frase de que "prefiro jogar fora do que doar". Esse nosso comportamento é inaceitável diante de um cenário local que tem metade da população passando fome, sem realmente ter o que comer diariamente e vivendo com menos de R$ 89/mês (menos de R$ 3/dia). É ainda mais inaceitável quando sabemos que são descartadas, por vários motivos, noventa toneladas de produtos regionais das feiras de Manaus. Esse assunto já foi pauta de diversas matérias na imprensa amazonense mostrando esse desperdício e, também, a possibilidade de triagem de boa parte dessas toneladas.

Governo Estadual

Desde a campanha eleitoral, eu e Petrucio (atual SEPROR) temos levado esse tema ao Wilson Lima, atual governador, que já deu o sinal verde para o Sistema SEPROR apoiar ações e programas que venham a reduzir o desperdício e o número de famílias em vulnerabilidade social. Hoje, já faz parte da equipe da SEPROR o professor Carlos Henrique, responsável pelo belo trabalho feito pela UNINORTE mostrando as toneladas desperdiçadas, o caminho da triagem e a distribuição para programas sociais.

Governo Municipal

O titular da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (SEMACC), Fabio Henrique dos Santos Albuquerque, é totalmente sensível a essa ação e já vem ajudando, e muito, nas coletas experimentais que estão sendo realizadas nas feiras da Manaus Moderna e da Banana chegando a mais de duas toneladas. Tenho certeza que o prefeito Arthur, assim como o FMS, ampliará o apoio a essa ideia que não é de governo, nem de partido, e que só deve parar quando não existir mais fome no Amazonas.

SESC/Mesa Brasil

No último dia 10, no Balneário do SESC, o presidente do SESC, Aderson Frota, abriu totalmente as portas do Programa Mesa Brasil para apoiar essa iniciativa que visa reduzir o percentual de 49,2% (dados do IBGE) de pessoas que vivem no Amazonas passando fome. Aliás, nosso estado ocupa o indesejável segundo lugar no quesito pobreza. O governo do estado, através do secretário Petrucio, também foi recebido pelos conselheiros (Enock Luniere, Mario e Paulo Tadros, Roberto Bulbol e Teófilo Gomes Neto), Adriana Sales, Andreza Litaiff, Livia Januário e equipe do Mesa Brasil (Ellinaldo,  Fernando, Solange, Janayne, Kelly, Anderson, Rauristene, Bruno, Ofélia, Paulo e Raimundo Nonato). Tive a satisfação de participar desse encontro, confesso que me emocionei em determinados momentos, a voz ficou pesada (lembrei-me do meu pai), pois senti uma energia positiva que me faz acreditar que o Amazonas, iniciando por Manaus, vai dar um importante passo para reduzir o desperdício de alimentos. Em defesa dos quase dois milhões de habitantes que passam fome no estado precisamos esquecer egos, vaidades, eleições, desentendimentos e por aí vai.

Não haverá paz enquanto houver fome

O ex-ministro Roberto Rodrigues em seu livro o "Agro é PAZ" afirma que "não haverá paz enquanto houver fome". Está correto, é isso mesmo. Por esse motivo devemos trilhar o caminho da UNIÃO acima de qualquer interesse pessoal. Ele ainda diz que "Instituições sérias e responsáveis como a OCDE, a FAO e mais recentemente o USDA vêm reiterando que em dez anos a produção de alimentos no mundo precisa crescer 20% para toda a gente ser alimentada. E, para que isso aconteça, o Brasil precisa aumentar a sua produção em 40%". Nesse cenário, é inaceitável desperdiçar alimentos, é inaceitável o poder público cruzar os braços, é inaceitável continuar o "prefiro jogar fora do que doar". A palavra chave dessa nova e necessária iniciativa é credibilidade. Credibilidade para, a cada dia, incluir novos doadores. Eu acredito! É por aí o caminho!

*Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles é servidor público federal, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: thomaz.meirelles@hotmail.com

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