Opinião

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Preço do milho da Conab no Amazonas é o maior do Brasil

Que volte a subvenção federal ao Amazonas, urgentemente

Por Thomaz Meirelles

08 Mai 2019, 11h19

Crédito: Divulgação

Hoje, absurdamente, temos no Amazonas o maior preço do milho do estoque público praticado pela Conab em todo território nacional. Isso é inaceitável para um programa social de abastecimento, principalmente por estar acontecendo no estado com a segunda maior população na condição de pobreza no Brasil.

Que "social" é esse? Que volte a subvenção federal ao Amazonas, urgentemente. Já está nas mãos da ministra da Agricultura, articulado pelo secretário de produção rural, Petrucio Magalhães Junior,  pleito formal assinado pelo governador Wilson Lima comentando o atual e triste cenário ao criador rural do Amazonas que está sendo atendido por esse programa federal e, ao mesmo tempo, solicitando o retorno da subvenção federal ao estado que não priorizou o agronegócio familiar e empresarial nas últimas décadas.

Erramos ao focar nosso modelo econômico exclusivamente no Polo Industrial de Manaus/ZFM. A SEPROR, OCB, FETAGRI e a FAEA já estão tratando do assunto visando reverter esse quadro, mas precisam de aliados. Semana passada, alertei  sobre o preço que estava sendo praticado em abril. Agora, alerto para o preço de maio. Ainda não tive conhecimento de nenhuma manifestação em defesa desses criadores rurais no plenário da Assembleia Legislativa.  No âmbito federal, apenas um deputado federal está procurando informações sobre as razões que estão levando o governo federal a fixar o maior preço do milho do estoque público no Amazonas. Direi o nome quando o parlamentar subir à tribuna fazendo essa justa reivindicação.

Absurdo a saca em R$ 56,00 no AM

Na primeira quinzena de abril o preço no Amazonas era de R$ 0,79 kg. Aumentou para R$ 0,94 kg (R$ 56,40 / saca 60 kg) na segunda quinzena (16 a 30/04/2019). O preço de Roraima estava menor do que no Amazonas. Seria o frete? Claro que não, pois a origem do milho (Mato Grosso) é a mesma para o Amazonas e Roraima. Sei que a definição de preço passa por várias reflexões, várias análises, inclusive se o mercado local (empresas)  estaria praticando preços elevados, um dos objetivos do PROVB é tentar evitar que isso aconteça. Semana passada, a Conab divulgou os novos preços de venda para a primeira quinzena de maio. Igualmente aconteceu em abril, o maior preço do milho em todo o Brasil continua sendo o praticado no Amazonas. Isso é brincadeira! Com o atual preço o programa não está sendo "social" e tampouco servindo de "estímulo à pequena produção rural". Não podemos esquecer que carne e ovos são itens fundamentais na alimentação.

Intervenção necessária no Amazonas

De acordo com as normas do programa "as intervenções do governo no mercado, por meio das Vendas em Balcão, contemplam os interesses da produção, da oferta e do consumo, observadas as seguintes diretrizes gerais: 1) Programa é passível de implementação nos períodos de pressão da demanda, quando não houver suplementos regulares e, de modo geral, quando forem identificadas elevações de preços que os tornem incompatíveis com a capacidade de compra dos clientes do Programa, principalmente em períodos de entressafra; 2) o Programa é passível de ativação automática nos períodos e para as áreas ou regiões em que o governo estiver realizando ofertas públicas de estoques em Bolsas de Mercadorias, podendo ser mantido enquanto permanecerem as mencionadas ofertas; 3) desde que existam razões de mercado que justifiquem a referida operação em uma área ou região específica, mesmo que não esteja ocorrendo oferta pública de estoques em Bolsas de Mercadorias". Nosso estado está totalmente enquadrado nessas condições, mas fixar o preço em R$ 56,16 é tornar inviável a atividade para o criador de pequena escala.

*Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles é servidor público federal, administrador, com especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: thomaz.meirelles@hotmail.com

 

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