Opinião

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Por que parou, parou por quê.?

Perdemos 50 mil empregos durante a crise política e econômica, que quase nos mata e enterra

Por Gina Moraes

10 Jun 2019, 09h10

Crédito: Divulgação

A indagação do compositor baiano, Moraes Moreira, presta-se para traduzir o imobilismo temerário que estamos vivendo no Amazonas, expresso pelas máquinas públicas estadual e federal, habitualmente pesadas, ineficientes e perdulárias. Arremata o poeta: “Parei pra ficar na escuta/Pra ver outro bloco passar/Na praça não cabe disputa/Se toca quem sabe tocar”. A Vida e a História, aqui em caixa alta, estão sempre em movimento. E quem não se mexe, por isso mesmo, fica sempre para trás.

Somos um dos oito Estados que carrega o país nas costas, com o terceiro PIB industrial do Brasil, mas perdemos 50 mil empregos durante a crise política e econômica, que quase nos mata e enterra. Lembremos que, apesar de integrar o Clube dos Bacanas, no Interior, os ribeirinhos experimentam IDHs humilhantes exatamente por essa incapacidade de o Poder Público transformar em benefícios civis a montanha de recursos que arrecada. Vamos trabalhar, gente, e que cada um cumpra sua obrigação.

Aqui, na torre de vigilância e observatório participativo, vamos continuar a fazer nosso dever de casa. Somos a Comissão de Defesa da Zona Franca de Manaus da OAB-AM (Ordem dos Advogados do Brasil-Amazonas), mobilizados e alinhados com as Entidades do setor produtivo para perguntar o que importa do ponto de vista da sociedade.

E quem mais está querendo saber, além dos investidores que estão aportando seu dinheiro no Amazonas? Ora, Senhor Governador, quem mais quer saber as razões de tanta pasmaceira é a multidão dos desempregados, que a inépcia pública jogou na rua da desesperança. Quando Vossa Excelência tomou posse, nós acreditamos na densidade e na coerência de seus propósitos. “Vamos fazer reforma na administração estadual para assegurar eficiência na gestão. Vamos implantar o monitoramento e a avaliação de políticas públicas para garantir que o Estado invista somente naquilo que dê retorno positivo e gere benefícios aos cidadãos”.  Palavras têm poder, Excelência, para construir ou para desacreditar.

A não publicação dos Decretos para fazer a História do interesse público materializar ou desabonar, nada mais do que aquilo que Vossa Excelência prometeu que iria fazer. Como diz a carta sem resposta, são medidas “…  importantes para o processo de instalação de novos projetos industriais na Zona Franca de Manaus e, consequentemente, na geração de emprego”, e de esperança de que tudo poderia mudar.

 Essa esperança refere-se também a outro documento, enviado ao Superintendente da Zona Franca de Manaus, Alfredo Menezes, com a cobrança de definição de um calendário para as reuniões do CAS (Conselho de Administração da Suframa) e de todas as promessas relacionadas à retomada administrativa dessa autarquia, sua autonomia e alardeado apoio federal... Estamos em junho e o Colegiado gestor ainda não se manifestou para dizer ao cidadão a que veio. As cartas, firmadas pelo Presidente da OAB, Marco Aurélio Choy; por mim Gina Moraes; e Iolanda Lobo Pereira, titulares da Comissão de Defesa da ZFM, continuarão a indagar: Por que parou, parou por quê…?

*Gina Moraes é advogada

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