Opinião

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Por que não vamos para frente?

Estamos vivendo um momento árido de tentativa de indução de uma diáspora cívica

Por Gina Moraes

25 Mai 2019, 13h16

Crédito: Divulgação

Esta semana, vi, na rede social do meu amigo Marco Aurélio Choy, Presidente da OAB-AM, uma mensagem que considerei muito interessante: “Ao invés de direita ou esquerda, por que não vamos para frente?” Refleti bastante a respeito dessa mensagem simples, mas profunda, para o abismo que se instalou no Brasil e na vida de todos nós. O regime democrático corre sério risco quando as pessoas confundem os indivíduos que ocupam cargos públicos com as Instituições em que eles atuam. As Instituições estão além de seus gestores e são o pilar dos direitos dos cidadãos e de resguardo das normas legais. Democracia é, sobretudo, participação e partilha equilibrada de três Poderes interligados e interdependentes entre si. “Quem não junta separa”, diz o preceito bíblico. O momento exige mobilização pela unidade, respeitadas as diferenças e os respectivos direitos. Promover a cizânia nos levará ao precipício do atraso e à depredação da cidadania. 

Estamos vivendo um momento árido de tentativa de indução de uma diáspora cívica, em que o conflito estabelecido foi semeado por ideologias, seja de direita ou de esquerda, para fomentar o separatismo fundado em estereotipias ou preconceitos meramente ideológicos. Temos partido da escolha equivocada que consiste em classificar um grupo como sendo o bem, enquanto rotulamos outro a partir da categoria do mal, preconizando a mais destrutiva divisão do bem contra o mal.  Isso tem levado o País ao atraso insano. Estamos andando para trás. Disse, recentemente, a economista Zeina Latif, analista de mercado da mídia paulista: “Gasta-se energia com assuntos paralelos e isso acaba trazendo ruídos até no Congresso, fazendo o governo, que era para estar em lua-de-mel, perder batalhas que não eram para ser perdidas". E quais são essas batalhas senão as tão sonhadas e esperadas reformas estruturantes que irão conduzir o País ao crescimento e desenvolvimento sustentável.

As pessoas estão atuando com base em suas ideologias, sem saber direito o que querem e por que pensam de modo tão revanchista e estreito. Ora, o que são e a que se destinam as ideologias, sejam de esquerda ou de direita? Os manuais de Filosofia vão direto ao assunto: “Ideologia nada mais é do que um conjunto de conceitos destinados a falsificar a realidade com o propósito de enredar as pessoas num universo de valores que iludem as pessoas e que as conduzem a escolher, ideologicamente, o Bem contra o Mal.” Desse ponto de vista, as ideologias tornam iguais os extremos das respectivas bandeiras. Por isso, ambas, defendem o “nós contra eles” e manipulam nas consciências as necessidades do pertencimento.

Parece que a lição ainda não foi aprendida apesar de todo o esforço dos últimos tempos em tentar mudar o rumo da política rasteira e a forma de administrar o dinheiro público. Muitos políticos e gestores insistem em permanecer com práticas que já não são mais toleradas por nós, com a hipocrisia ditando o rumo das ações no País em que segurança é um dos principais itens de insatisfação da população, treze governadores, tiveram o despropósito de encaminhar cartas ao Governo Federal requerendo a revogação do Decreto n. 9.785/19 – que trata das regras para a posse e porte de armas de fogo, apesar de eles mesmos andarem cercados de aparato de segurança pessoal e carros blindados à custa do nosso dinheiro! Se querem que o Decreto que possibilita ao cidadão de bem exercer o direito natural de se proteger, por que necessitam de carro blindado e tanta segurança?

Foi em atenção à Democracia que, na História recente do Brasil, o general Eduardo Villas-Boas, diante da tentação totalitária de uma das correntes políticas aninhadas no poder, empenhou-se no respeito e na prontidão aos preceitos constitucionais, no resguardo absoluto do Estado de Direito. Ainda hoje, com a saúde abalada, ele não se arredou um milímetro da torre de vigilância democrática, a despeito dos ataques imbecis sofridos por parte de quem desconhece a grandeza de seu compromisso com o Brasil e com a Lei. Nem direita nem esquerda, General Villas Bôas. Avante! E que cada um cumpra seu dever de amor verdadeiro pela ordem e progresso da nossa nação brasileira. 

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