Opinião

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Podres poderes

Nosso país vem sofrendo há muito tempo um processo de execração no que diz respeito ao poder executivo

Por Orígenes Martins

19 Abr 2019, 13h53

Crédito: Divulgação

A Constituição brasileira, assim como a maioria das constituições democráticas, busca definir claramente as funções entre os poderes executivo, legislativo e judiciário como premissa básica para o bom funcionamento da República e respeito fundamental à hierarquia dos poderes. Faz muito tempo que se discute no Brasil não apenas o funcionamento da máquina pública em relação à democracia como este respeito necessário à liberdade de ação e funcionamento dos três poderes que se constituem, ou deveriam se constituir nos pilares da democracia.

Nosso país vem sofrendo há muito tempo um processo de execração no que diz respeito ao poder executivo, quando presidentes, governadores e prefeitos resolveram por décadas se envolver em um imenso e nojento jogo de corrupção e desvio de verbas públicas que simplesmente tirou deste primeiro poder republicano todo e qualquer  resquício de respeito que pudesse ainda ter em relação a um povo escabreado com tanto sofrimento. Passou a ser comum para o mal da nação, a expressão popular do “rouba mas faz”!

Nosso Congresso Nacional, depois que inchou, passando de uma máquina de quatro partidos para uma feira de quarenta comerciantes a discutir preço das leis e normas a aprovar ou reprovar, simplesmente perdeu o rumo. É urgente a necessidade de se rever o funcionamento do poder legislativo já que foi um movimento popular, manipulado por um grupo apoiado por parte do povo que deturpou o modelo que aí está. A política do toma lá dá cá, não apenas é uma atitude ridícula como se configura uma afronta ao papel que cada deputado e senador de nossa república deveriam desempenhar em suas casas de trabalho.

Quando o governo atual falou em mudar o modelo fraudulento e criminoso, estipulando que a relação do Congresso com o executivo não seria mais dirigido com trocas por cargos, verbas ou por valores “in cash” mesmo, distribuídos nas famosas malas, a resposta não tardou. O congresso fez questão de barrar os projetos do governo, inverter pautas, atrasar votações em uma mensagem clara de que “vocês não mandam aqui”! Afinal esquecem os nossos políticos que deveriam estar ali representando o POVO, que neste momento está sendo o maior assaltado.

Termina por aí a desgraça institucional de nossa quebrada e mal instalada democracia? Claro que não; o judiciário não iria ficar de fora, deixando de aparecer na mídia mesmo que, infelizmente, da pior forma possível. “Não bastassem os desmandos monocráticos de Ministros do STF que principalmente na figura do ‘LAXANTE GILMAR”, resolveu soltar os bandidos que a lavajato conseguia prender e o próprio STF confirmava, o escândalo agora se agrava.

Em uma atitude digna das piores ditaduras, o STF passou a ser manchete na mídia nacional e internacional quando, apesar de ter a obrigação de defender a lei, feriu um de seus maiores preceitos: A LIBERDADE DE IMPRENSA. A censura feita a dois artigos, com a desculpa de defesa da honra dos membros do STF, na verdade mostra o quanto de despreparo e de descaso com o povo, com a Constituição e principalmente com a Lei, que deveriam defender e que ignoram em uso próprio.

A questão atual em nosso país, levando em conta esta análise, fica bastante complicada quando um cidadão que tenha um mínimo de consciência pública e conhecimento democrático se pergunte sobre o que podemos esperar da nossa democracia. Sem um Executivo consciente, embora o atual esteja tentando mudar, com um legislativo que faz questão de se manter errado e fora da lei e com um judiciário que se acha acima da lei, simplesmente não podemos esperar muito. Somos hoje reféns do pior que uma democracia que se arrasta como a nossa pode ter: os PODRES PODERES.

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