Agronegócios

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Petrucio Magalhães diz que é hora da interiorização do desenvolvimento

Por Caubi Cerquinho

15 Jul 2019, 09h53

Crédito: Divulgação

PETRUCIO MAGALHÃES

IDADE: 45

QUALIFICAÇÃO:  Engenheiro agrônomo formado pela Universidade federal do Amazonas, com mestrado em Agricultura e Sustentabilidade na Amazônia. Advogado com especialização em Direito Público pela Universidade Estadual do Amazonas.

EXPERIÊNCIA:  Ex-superintendente das Organizações das Cooperativas Brasileiras do Amazonas (OCB-AM).

ÁREA DE ATIVIDADE: Cooperativismo  e gestão pública

Uma das grandes bandeiras do atual Governo do Estado é buscar novas alternativas econômicas. Partindo desse princípio, vários projetos começam a sair do papel, nos mais variados setores. A idéia é acrescentar aos já consolidados benefícios do Pólo  Industrial de Manaus, novas matrizes que possam oferecer oportunidades na geração de emprego e renda, tendo como objetivo maior, a melhoria da qualidade de vida da população, principalmente, do interior. Nesse contexto, surge o setor primário como um bom caminho a ser seguido. E é nesse segmento  que vamos encontrar o secretário mais entusiasta de todo o Governo. Petrúcio Magalhães Júnior, secretário estadual de Produção Rural. Formado pelo IDAM (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário Florestal Sustentável do Amazonas), pela ADS (Agência de desenvolvimento Sustentável do Amazonas ) e pela ADAF (Agência de Defesa Agropecuário e florestal do Amazonas) o Sistema Sepror tem diversas missões que estão sendo cumpridas com muito entusiasmo e disposição pelo secretário Petrúcio. É notório o “ brilho  nos olhos” quando ele fala das ações realizadas e das que vai realizar em médio e longo prazo. Como profundo conhecedor do cooperativismo, ele sabe que o trabalho de fazer do Amazonas um celeiro de alimentos, tanto para o consumo local, como para exportar , precisa de união de vários fatores. Cônscio de que ninguém faz nada sozinho, a primeira grande missão de Petrúcio a frente da Sepror foi unir IDAM, ADS E ADAf, para que Juntos pudessem buscar medidas para que o Estado deixe de importar peixe, farinha e verduras. Além disso, tomar como exemplo o setor de produção de ovos. O Amazonas, de acordo com dados da Sepror, é o quinto maior produtor de ovos do Brasil. Petrúcio confirmou também,nessa conversa com o JC, de que o Amazonas está buscando diversos programas do Governo Federal para alavancar a produção e garantir em períodos de dificuldades causados pelas intempéries naturais, como a cheia e a seca, recursos financeiros para a sobrevivência  dos produtores. No âmbito estadual, o secretário garante um programa de recuperação de ramais para garantir o escoamento da produção, assim como o Plano Safra Estadual e a realização da Feira Agropecuária do Amazonas, a Expoagro, no início do mês de outubro. 

Jornal do Commercio – Secretário, o que o Governo tem feito, nesses quase seis meses, para mudar a realidade de nossa produção rural?

Petrúcio Júnior – É preciso destacar inicialmente a necessidade de integração e o  resgate da confiança do sistema Sepror. E aí eu falo da administração direta, como também da ADAF, do IDAM e da ADS. Esses órgãos precisavam se integrar e integrar as ações para um projeto único de desenvolvimento do setor agropecuário. O  resgate de integração entre essas autarquias da administração direta e a secretaria como definidora das políticas públicas a serem exercidas no Governo do Amazonas. Então, esse foi o primeiro momento, onde nós unimos forças e definimos claramente o plano de trabalho.  Esse plano já vinha sendo feito desde o processo eleitoral, com o período de transição e que desaguou em todo o planejamento do nosso de trabalho no primeiro semestre. 

JC – Com essa união, o que efetivamente se fez?

Petrúcio Júnior - Destaco, inicialmente, nesse trabalho, a questão do pagamento de safras atrasadas de uma cadeia super importante, que congrega milhares de agricultores, que era o pagamento da subvenção da fibra.  Em outros tempos, a fibra já foi uma cadeia muito forte economicamente no estado e lamentavelmente ela despencou. Nós temos dados de que as safras da década de 70 eram em torno de 50 mil toneladas, 70 mil toneladas de fibras. E agora estamos amargando resultados que talvez nem chegaremos a 3 mil toneladas. Isso é fruto da ausência de políticas públicas para esse setor tão importante. Por isso, era necessário pagar as quatro safras atrasadas, num momento de cheia, de muito sofrimento do homem do interior, e nós conseguimos com a sensibilidade do governador e com apoio da Assembleia, reunimos  forças e recursos para esse pagamento. Foram cinco milhões, praticamente injetados na economia no momento de muita necessidade desse homem do campo. Anunciamos também que já estamos com o edital para licitação da compra e o retorno da distribuição gratuita de semente para fibra. Era um compromisso nosso pra estimular, para poder garantir renda no interior, e aí nós estamos com o compromisso de comprar 40 toneladas de semente do Pará, além de recursos para pesquisa para tirar o homem de dentro do Rio, para deixar de tomar ferrada de arraia e picada de cobra. É inadmissível que a gente esteja com jato, com celular, com toda a tecnologia e não melhoremos a questão da produção da fibra.Esse é um compromisso de uma cadeia, mas tem outros compromissos.

JC – por exemplo? 

Petrúcio júnior -  Aí eu quero falar também da necessidade de termos o Plano Safra do Governo do Estado. O Governo Federal sempre faz, anualmente, o plano, e nós tínhamos a ausência dessa política de apresentar para quem quer investir no agronegócio, o que o governo dispõe, um planejamento. Quais são os programas?, quais são as políticas?,  e esse compromisso vai ser cumprido agora no dia 17 de julho (próxima quarta feira) com o lançamento oficial do Plano Safra Estadual. Nós queremos que todo ano seja apresentado para os agricultores, os representantes de associações e cooperativas e para aquelas pessoas empreendedoras que queiram investir no Agro, para que possam saber quanto tem para a piscicultura, o que tem para quem quer plantar açaí, o que tem para quem quer investir em leite, pecuária de leite sustentável, o que tem de melhoramento da produção em relação à mecanização agrícola, a insumos como calcário, como sementes e mudas. Então, o Governo, cumprindo um compromisso de transparência das políticas públicas, quer informar a sociedade, os programas e os recursos financeiros que estarão disponíveis em 2019/2020 para quem quer investir no agro e gerar trabalho e renda e dignidade para o interior. 

JC – O Governo fala muito em buscar outras alternativas de negócios. Como estão as novas matrizes econômicas dentro do setor primário?

Petrúcio Júnior – Olha, a gente tem  várias cadeias de grande potencial econômico, mas, ainda somos importadores de alimentos, nós sabemos disso, no entanto, nós temos potencial de muitas cadeias.  Vou dar o exemplo dos ovos. Nós somos o quinto maior pólo na produção de ovos do Brasil. Nós movimentamos cerca de 200 milhões por ano, na cadeia de ovos. Nossos aviários são de altíssima tecnologia, de altíssimo nível, qualidade excelente dos ovos.  A mesma coisa, nós temos nos produtos lácteos. Nós temos trabalhado muito, queijarias artesanais, trabalhado muito o beneficiamento com o SIF (Serviço de Inspeção Federal) garante ao consumidor um produto de qualidade. Isso é feito com treinamento, com orientação técnica, e o IDAM é fundamental. Inclusive, estamos com um concurso, realizado e homologado. Queremos convocar esses  concursados para melhorar esse serviço no interior. Então assim, essa interiorização do desenvolvimento é imprescindível, o governador tem falado isso. Não é só o setor agropecuário, nós temos o Turismo, a Mineração e nós temos muitos potenciais para sairmos da dependência exclusiva do PIM. A Zona Franca de Manaus está sendo ameaçado e nós iremos defender, naturalmente, o governador e toda a bancada de parlamentares têm defendido. Essa defesa precisa, mas é preciso iniciar com muita coragem, com muita determinação no trabalho, essa interiorização do desenvolvimento. Manaus com dois milhões de habitantes e a maior a maior cidade do interior com pouco mais de cem mil habitantes. Então, essa discrepância é fruto da concentração do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado na capital. Por isso, nós queremos levar  O cooperativismo para o interior. As cooperativas de agro, de crédito que aqui nós estamos falando são instrumentos importantíssimo para promover o desenvolvimento com igualdade social. 

JC – Secretário, nesse contexto do desenvolvimento, como fica a questão do meio ambiente?

Petrúcio Júnior - É importante saber que para ter a garantia do nosso meio ambiente, é imprescindível ter o desenvolvimento econômico pra ter a eficácia social e aí ter o meio ambiente preservado. Iinclusive, esses são os aspectos da sustentabilidade. Nós temos um estado riquíssimo, mas lamentavelmente, dados do IBGE, mostram que 49,2% das pessoas vivem na pobreza ou na pobreza extrema. O Estado do Amazonas ocupa hoje o 18º lugar no Brasil no IDH (Índice e Desenvolvimento Humano). Isso nos mostra que esse ativo ambiental é importantíssimo, porém, queremos a  preservação, no entanto, é importante também defender o nosso homem, aquele que precisa se sustentar e precisa de emprego, trabalho e renda para garantir essa sustentabilidade. 

JC – Interiorizar a economia é um caminho a ser seguido nesse Governo?

Petrúcio  júnior- A interiorização é fundamental. Eu acredito nisso, olhando a origem do governador Wilson lima que morou durante muitos anos no interior e do vice governador Carlos Almeida que como defensor público atuou no interior e conhece a realidade de quem longe da capital. Conhecendo a história de vida dos dois, penso que interiorizar as ações será sempre uma prioridade desse nosso Governo. Não tem outra forma de nós garantirmos as condições ideais que todos nós desejamos de saúde, educação, segurança pública, se não tiver um viés econômico sustentável. Por isso, é preciso trabalhar o interior, oferecer as condições para os municípios, para os produtores extrativistas. Eu percebo claramente, nessas ações, com a presença física do governador em vários momentos do setor primário, inaugurando abatedouro, inaugurando a indústria de açaí em Manacapuru, indo para a entrega de equipamentos no interior, fazer doações com o Amazonas Presente, que é tirar a sede do Governo por três dias para o interior, começando no Baixo Amazonas, agora indo para o Solimões. Tudo isso é prova cabal de que o governador que interiorizar o desenvolvimento da economia e o setor primário está abraçado e com essa determinação dele, nós iremos fazer.

JC – Secretário, quais os instrumentos necessários para começar essa interiorização?

Petrúcio júnior – Um é a regularização fundiária. Outro é o ZEE (Zoneamento Econômico do Estado). Esse é um compromisso que o governador está buscando cumprir. Para isso, já teve várias reuniões com  o ministro do Meio Ambiente, começando em Parintins e depois em Brasília. O governador quer apresentar para o Amazonas, deixar esse Zoneamento, que vai permitir o desenvolvimento. É o ZEE que vai dizer onde tem potencial, onde tem vocação, o que se pode fazer. Ele vai mostrar que em determinada região não dá para trabalhar, porque não tem potencial. Ou ao contrário. Eu acho que o ZEE é um instrumento fundamental. Além do ZEE, temos também o ZARC (Zoneamento Agrícola de Risco Climático), que é outro compromisso que nós já iniciamos. O  Amazonas, pasmem, não tem nenhuma cadeia produtiva para ter acesso ao Seguro Rural. A gente vive tendo intempéries. O Garantia Safra podia garantir até R$ 850 000 para o ribeirinho que foi atingido agora. Nós já manifestamos e o governador, esteve com a ministra, manifestando a intenção de acessar, tanto o Garantia Safra, quanto o ZARC. Para se ter uma idéia, com todo respeito os Estados, mas Roraima tem 11 cadeias, Rondônia tem mais de 30, o Pará idem. O Amapá tem o ZARC, e o Amazonas não tem nenhuma cadeia recebendo recursos desses programas federais. Essas são algumas questões que nós estamos muito comprometidos para que esse homem do interior, esse agricultor, possa se profissionalizar. Nós vamos trabalhar muito a formação, a Educação. Hoje, temos um apoio do Centro de Mídias da Seduc. Estamos fazendo cursos, regularmente, assim, também eventos no interior, para melhorar a profissionalização do homem do campo. Ele precisa entender que a atividade dele é um negócio que precisa dar resultado para ele e para toda a sociedade.

JC -  Secretário e a infra estrutura?

Petrúcio Júnior- Na questão da produção a melhoria da infra estrutura é fundamental. Lamentavelmente, os ramais foram abandonados. Não quero criticar governos passados, não é isso. A intenção não é essa. Mas essa é a realidade. Quem é do interior sabe que por muitos anos, os ramais não receberam nenhum tipo de intervenção do Estado. Nós estamos enfrentando uma situação de muitos problemas de ramais, de vicinais. Existe por parte desse Governo de iniciar um programa transparente de recuperação, destinando recursos e fazer um bom serviço com a nossa Seinfra (Secretaria Estadual de Infra Estrutura). O secretário Carlos Henrique tem tido um compromisso muito grande com o interior. Seja nos ramais, como recuperando o sistema viário dos municípios que estavam um caos. Todo o povo do interior sabe que as ruas das cidades, estavam realmente esburacadas, enlameadas e que o Governo começou agora, mais intensamente no verão, e vai intensificar nos próximos anos um programa de recuperação de ramais e vicinais.

JC – E a regularização fundiária? 

Petrúcio júnior – Nós temos no vice governador Carlos Almeida um grande especialista do assunto que também é o secretário da Casa Civil. Ele tem várias publicações nesse sentido. Ele conhece profundamente o assunto e está muito empenhado com o novo secretário de política fundiária, para fazer um trabalho com entrega de títulos aqui na região metropolitana. Assim eu não tenho dúvidas e uso as palavras do governador Wilson de que nós entregaremos um Estado muito melhor para a população amazonense.

JC – Secretário, vamos deixar de importar farinha, verduras e peixe?

Petrúcio júnior- Eu não tenho dúvidas de que com essa determinação e com os recursos que foram destinados pela Assembleia Legislativa do Amazonas ( ALEAM) que permitiu o aumento da receita da Sepror em quase quatrocentos milhões de reais, com as emendas parlamentares destinadas para o setor, os resultados virão. É fato, porém, obviamente, que não são de curtíssimo prazo. No setor primário, na agricultura se tem um resultado de médio a longo prazo. Nós teremos, em breve, informações de como está a produção de várias cadeias produtivas, como a farinha, como o açaí que nós vamos crescer muito. Algumas cadeias, eu arrisco a dizer de que nós seremos exportadores em larga escala e com grande qualidade. Agora, é preciso que a sociedade amazonense valorize o produto regional. Nós temos excelentes produtos produzidos e com a  vantagem de que gera o trabalho, gera renda e acima de tudo são produtos frescos, porque não dependem de grandes transporte para chegar à mesa do consumidor.

JC – Secretário, o que o senhor pode dizer para os agricultores que perderam sua produção por causa da cheia?

Petrúcio Júnior – Existe o compromisso de nós implantarmos o programa Garantia Safra. O Nordeste já faz isso há mais de vinte anos. O Garantia Safra, nada mais é que um programa que socorre aqueles produtores atingidos por uma intempérie, no nosso caso, hoje a cheia, com cerca de R$ 850,00, atualmente. Isso não vai resolver todos os problemas da vida dele, mas vai acalentá-lo no momento de muito sacrifício que é ter sua produção perdida em razão de uma grande enchente ou de uma grande seca. Anualmente, a gente tá vendo esse filme se repetir. Nós  vamos conseguir esse recurso a nível Federal?.

JC – Secretário, e as queimadas?, também preocupam?

Petrúcio Júnior – Sim, e muito. Estamos trabalhando essa questão, totalmente integrado com a SEMA (Secretaria Estadual de Meio Ambiente) e com o IPAAM (Instituto de Proteção de ambientaç do Amazonas). Tanto o Taveira na SEMA, quanto o Juliano no IPAAM, possuem equipes técnicas competentes que vão estar monitorando com o SIVAM, todos os instrumentos tecnológicos disponíveis para evitar isso. E nós, enquanto órgão de fomento, estaremos atentos para orientar o agricultor e para isso o Programa Promecanização  é fundamental. Isso porque evita justamente a queimada. Com o uso da mecanização você triplica muitas vezes a produção, com aplicação do calcário. Nós estamos destinando só para esses dois programas, cerca de R$ 25 milhões .Para se ter uma ideia comparativa, em 2018 foram aplicados R$ 9 milhões no Promecanização, hoje estamos aplicando R$ 18 milhões, e no Procalcário, já destinamos dois milhões e meio e tem cinco milhões e 200 para ser investidos no Procalcário e mais 3 milhões e 200 no Prosementes e Promudas. Isso mostra esse compromisso de justamente minimizar o impacto ambiental por novas áreas para a serem desmatadas. E mais ainda para evitar queimadas.

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