Trabalho

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Pesquisa Ibre/FGV mostra perspectiva de emprego e de desemprego no país

Por Marco Dassori

09 Out 2019, 07h12

Crédito: Acervo JC

As perspectivas de geração de empregos melhoraram na passagem de agosto para setembro, conforme apontam os números dos dois indicadores do mercado de trabalho medidos pelo Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), divulgados nesta segunda (7). Representantes sindicais ouvidos pelo Jornal do Commercio, contudo, são mais céticos quanto à evolução do emprego e da empregabilidade em Manaus e no Amazonas. 

O Iaemp (Indicador Antecedente de Emprego), que busca antecipar tendências do mercado de trabalho, cresceu 0,3 ponto e passou para 87,1 pontos, número próximo ao da média histórica do período iniciado em junho de 2008. Em médias móveis trimestrais, houve alta de 0,2 ponto, para 87 pontos, pela segunda vez consecutiva. O índice tem escala de zero a 200 pontos, e é calculado com base nas expectativas de consumidores e empresários da indústria e dos serviços.

Em contraste, o ICD (Indicador Coincidente de Desemprego), calculado com base na opinião dos consumidores sobre a atual situação da falta de emprego, caiu 0,6 ponto e passou para 92,9 pontos, nível ainda distante da média histórica de 84,1 pontos. Em médias móveis trimestrais, caiu pela terceira vez, em 0,6 ponto. O ICD tem a mesma escala de pontuação (de zero a 200), mas melhora quando cai e piora quando cresce.

Cinco dos sete indicadores contribuíram positivamente para o resultado do IAEmp, com destaque para a tendência dos negócios para os próximos seis meses do setor de Serviços (+3 pontos). Já a queda do ICD foi influenciada pelas as classes de renda familiar mensal entre R$ 2.100 e R$ 4.800 e entre R$ 4.800 e R$ 9.600 – recuaram 3,7 e 1,8 pontos, respectivamente.

Sem convenção

Embora não disponha de números atualizados, a presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Manaus, Ana Marlene Aires Arguelles, avalia que situação de emprego e empregabilidade para a categoria está melhor do que a de 2018, embora ainda esteja longe do ideal.

“No ano passado, nesta época, as empresas estavam fechando e demitindo. Neste ano, está acontecendo o contrário e tivemos a abertura de algumas empresas, como uma loja de departamentos, que já abriu mais de cem vagas. Os shoppings também estão registrando bom movimento e gerando mais oportunidades. Devagar, as coisas vão indo”, amenizou a presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Manaus, Ana Marlene Aires Arguelles.

Apesar da melhora no saldo de postos de trabalho, a representante dos trabalhadores do varejo de Manaus avalia que os sindicatos perderam muita força nos últimos tempos. Tanto é que a categoria está há dois anos sem convenção coletiva.

Terceirizações avançam

Também sem dispor de números, o presidente do Sindplast, Francisco Brito, considera que o saldo de empregos vem encolhendo no segmento em que a categoria atua, com destaque para o avanço dos postos de trabalho terceirizados em detrimento das efetivas. 

“Chegamos a ter 20 mil trabalhadores contratados e hoje eles são apenas 4.000, sendo que temos mais 2.000 terceirizados. Com isso, vivemos uma situação de apartheid no segmento, com uma fatia cada vez maior de trabalhadores sem direito a transporte, alimentação e plano de saúde, entre outros”, desabafou o presidente do Sindplast, Francisco Brito.

Francisco Brito se diz pessimista em relação ao mercado de trabalho para os trabalhadores na indústria plástica, no curto prazo, mas adianta que vai aproveitar as negociações coletivas da categoria neste mês para tentar envolver mais trabalhadores em torno do sindicato que, como outras agremiações perdeu força após a Reforma Trabalhista. 

“Com a nova legislação, a maior parte das rescisões está sendo feita nas próprias fábricas, sem a participação ou conhecimento dos sindicatos. É comum sermos informados apenas quando o trabalhador, que já foi desligado, passa por aqui”, lamentou.

Ritmo lento

Na análise do economista da FGV/Ibre, Rodolpho Tobler, pequena variação do indicador de antecedente de emprego em setembro compensa a queda do mês anterior e mantém o indicador na trajetória positiva, atingindo o maior nível desde abril de 2019. “O resultado sugere continuidade da recuperação gradual do mercado de trabalho nos próximos meses, e mostra que ainda há um longo caminho pela frente”, destacou, em texto postado no portal do Ibre/FGV.

O economista acrescenta que o índice relativo ao desemprego voltou a registrar resultado favorável em setembro após o tropeço em agosto, mas ressalta que o desempenho positivo ainda mantém o ICD em patamar elevado, sugerindo que a melhora na taxa de desemprego deve continuar em ritmo lento.

 

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