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Pesquisa Fecomercio-AM mostra melhora na percepção do consumidor

Por Marco Dassori

09 Out 2019, 07h01

Crédito: Divulgação

O consumidor de Manaus melhorou sua percepção em relação à economia local, mas está cético quanto à situação financeira da família e pessimista no que se refere ao mercado de trabalho. A conclusão vem do confronto dos dados da sondagem do Índice de Confiança do Consumidor, realizada pelo Ifpeam (Instituto Fecomercio de Pesquisas Empresariais do Amazonas) em outubro de 2019 com os da mesma pesquisa de 2018.

Entre os entrevistados neste ano, 49% avaliam que a situação econômica atual, está pouco ou muito pior do que a de 12 meses atrás – percentual menor do que o do levantamento de outubro de 2018 (54%). A fatia dos que consideram que está um pouco ou muito melhor, contudo, caiu de 34,3% para 33,5%, enquanto 17,5% avaliam que vai ficar na mesma.

O pessimismo em relação à economia do Amazonas no horizonte de seis meses diminuiu mais, ao passar de 53,7% (2018) para 30,8% (2019). A maior parte dessa diferença foi para a fatia daqueles que apostam que tudo ficará igual – 12% (2018) para 34,5% (2019) –, enquanto a parcela dos otimistas permaneceu praticamente empatada – 34,7% (2019) contra 34,3% (2018).

Em relação à situação financeira familiar, 47% dos consumidores responderam que está igual quando comparada ao mês anterior, 27,8% consideram que se encontra um pouco ou muito melhor e 20,5% avaliaram que piorou. Há exatos 12 meses, esses números foram 40,3%, 35%, 24,7%.

Na comparação com a situação vivida há seis meses, 46,8% dos consumidores perceberam que a atual situação financeira da família permanece igual – contra 53,8% do levantamento anterior. Os otimistas respondem por 40%, percentual um pouco melhor do que o de 12 meses atrás (37,5%), enquanto o pessimismo segue na faixa dos 8,7%.

A expectativa em relação à situação financeira da família para o próximo mês apresenta números melhores: 66,3% acreditam que estará melhor ou muito melhor, percentual bem acima do apresentado em 2018 (39,5%). A fatia daqueles que acreditam que tudo ficará igual caiu drasticamente – de 51,3% (2018) para 25% (2019) –, enquanto faixa dos pessimistas reduziu um pouco menos – 7,7% (2019) contra 9,2% (2018)

Quando a janela de comparação se abre para seis meses, por outro lado, o grau de otimismo em relação à situação financeira é bem menor do que o registrado no estudo de 2018. A maioria esmagadora (71,8%) aposta que estará um pouco ou muito melhor, enquanto que 24% avaliam que permanecerá inalterada e 4,2% que estará um pouco ou muito pior. Há 12 meses, os respectivos percentuais foram de 82%, 16,2% e 1,8%.

Menos oportunidades

A percepção de curto prazo em relação às oportunidades de emprego em Manaus piorou sensivelmente entre um ano e outro: 80,8% dos entrevistados avaliam que conseguir uma vaga no mercado local de trabalho está um pouco ou muito mais difícil, número bem acima do de 2018 (57%). Apenas 19,2% consideraram que o panorama melhorou – contra 39% no ano passado. Diferente do ocorrido em 2018 (4%), ninguém avaliou que ficou igual.

O pessimismo quanto às oportunidades de trabalho para os próximos três meses permaneceu praticamente igual: 63,3% acreditam que as chances de arranjar um novo emprego estarão um pouco ou muito mais difíceis – contra 62% que responderam isso no ano passado. A fatia daqueles que apostam que estará um pouco ou muito mais fácil caiu de 34,5% (2018) para 31,7% (2019), enquanto o percentual dos que avaliam que a situação permanecerá inalterada subiu de 3,5% (2018) para 5% (2019).

Preços e compras

As estimativas quanto ao comportamento dos preços também derreteram. Entre os entrevistados, 91,8% apostam os preços vão estar um pouco ou muito mais altos no próximo mês – contra 56,3%. Apenas 5% acreditam que os valores sofrerão rebaixa e 3,2% consideram que os valores ficarão estagnados. Há 12 meses, esses números foram 0,2% e zero, respectivamente.

A percepção do consumidor de Manaus em relação ao horizonte econômico impactou em suas intenções de compras, reduzindo de forma significativa sua demanda por bens semiduráveis, apesar de uma leve melhora na procura por produtos duráveis e dependentes de crédito.

O destaque ainda é o vestuário, mas o percentual caiu de 17,3% para 11%, entre um levantamento e outro. Na segunda posição, calçados também reduziram sua fatia – de 9% para 5,3% – assim como produtos óticos – de 2% para 1,3% – e utilidades domesticas – de 4% para 0,8%. Em contraste, veículos – de 2,3% para 3,3% – e celulares – de 2% para 2,5% – aumentaram sua participação. Material de construção, e itens de informática e tecidos sumiram da lista, sendo substituídos por relojoaria (1,8%), artigos desportivos (1,3%) e móveis e decorações (0,5%).

“Recente pesquisa nacional da CNC detectou que o medo do desemprego havia diminuído, mas a situação política torna a percepção do consumidor mais volátil. Estou otimista de que as coisas vão melhorar em breve e já venho acompanhando uma melhora sensível em segmentos importantes, como o de material de construção. O varejo está crescendo muito no Sul e Sudeste e, embora nosso mercados seja diferente, espero e torço para que esse crescimento seja acompanhado por aqui”, arrematou o presidente em exercício da Fecomercio-AM, Aderson Frota.

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