Opinião

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Pensar sobre o pensar

através do seu "parar para pensar" é possível visitar internamente alguns dos seus padrões

Por Cíntia Lima

08 Abr 2019, 11h24

Crédito: Divulgação

Diariamente temos sido empurrados para o mundo digital e com ele toda a complexidade da quantidade de informações, diversidade de opiniões, ambiguidades para resolução do mesmo problema ou questionamento, incertezas sobre as opções no futuro e sua baixa previsibilidade. Diante deste cenário, somos chamados a pensar, somos convocados para uma prontidão cognitiva que demonstre a atitude provida de preparação.

Nesta velocidade e com todo o seu contexto prático, o mundo parece nos empurrar para um mergulho em atividade com foco tangível e realista, embora dotado de ações de inovação. Por hora, gostaria de estimular para o “parar e pensar”, permitindo-se a filosofar como Sócrates, interrogando-se sobre aquilo que pensamos saber e neste caminho demolir muito do orgulho ao declararmos no fim: “sei que nada sei”.

E neste universo de enxurrada de informação, a formação cada vez mais generalista especialista ainda nos leva para a filosofia socrática do autoconhecimento – conhece a ti mesmo como o caminho que nos dará conforto e segurança para avançarmos neste universo do século XXI no contexto do mundo VUCA.

E o que seria o mundo VUCA? É este ambiente “copiado” do olhar militar dos Estados Unidos para o cenário de combate, já traduzido para o português, de mundo “V” – Volátil, em resumo fluido, veloz, líquido, que escorre pelas mãos de tão ágil; “U” – Incerto, sem tantas certezas sobre o amanhã e ainda; “C” – Complexo e “Ambíguo”. Vou preparar um artigo completo sobre este tema, pois neste, quero muito fazê-lo refletir sobre o que existe para além do que vemos, sobre todo o cenário de observação, percepção e sensibilidade de nossos pensamentos.

E quanto precisamos voltar para a raiz do pensar para estarmos neste mundo e continuarmos a evoluir sem sermos engolidos pelos cenários, mas evoluirmos em nossa capacidade de controle emocional, nosso amadurecimento na convivência com outros e assim sermos capazes de criar coisas novas, não simplesmente repetirmos o que já foi criado ou acordarmos embalados pelos pensadores criadores do momento. Assim, ao “parar para pensar” e não somente repetir, termos condições de criticar, verificar e não aceitar tudo o que se propõem. Como diz, Jean Piaget “se o indivíduo é passivo intelectualmente, não conseguirá ser livre moralmente”.

Quando paramos para realmente pensar sobre o que nos cerca, sobre o que nos influencia, sobre o que sabemos e sobre as infinidades que não sabemos, sobre quem somos e quem queremos ser, temos condições reais de viver no mundo de forma ativa e não somente como uma massa a ser moldada pelas circunstâncias, com condições suficientes de tomar decisões conscientes de causa e efeito, de consequências, de impactos e embora não tenhamos todas as respostas, teremos ampliado o nosso modelo mental e com isto quebrado muito de nossos paradigmas.

E o que são paradigmas? É um termo que significa ponto de referência, é entendido como modelo, como padrão. Assim, através do seu “parar para pensar” é possível visitar internamente alguns dos seus padrões que já não fazem mais sentido nesse mundo, ou os modelos que já não são tão referência para o que quer do amanhã, ou ressignificar o que não precisa mais fazer sofrer e deixar no passado o que não lhe pertence mais, ou ainda, mudar a maneira de pensar que embora tenha gerado resultado ontem, hoje já não atinge o resultado, ou qualquer ação de autoconhecimento que estimule a coragem apesar do medo. Assim, transformar o seu mundo interior para viver e conviver melhor neste mundo exterior, que é, cada vez, mais desafiador.

Este bate papo me fez lembrar de uma historia simples mais cheia de simbolismo: Diz uma antiga fábula que um camundongo vivia angustiado com medo do gato. Um mágico teve pena dele e o transformou em um gato. Mas aí ele ficou com medo do cão, por isto o mágico o transformou em um cão. Então, ele começou a temer a onça, e o mágico o transformou em onça. Foi quando ele se encheu de medo do caçador. A essas alturas, o mágico desistiu. Transformou-o em um camundongo novamente e disse: “Nada que eu faça por você vai ajudá-lo, porque você tem a coragem de um camundongo”.

Pense então sobre pensar no que você acredita realmente ser neste mundo? Ninguém poderá transformá-lo para além do que acredita ser. De toda forma, a postura reflexiva não é uma atitude natural no ser humano, precisamos querer parar para pensar e assim compreendermos, utilizarmos e criarmos tecnologias digitais de forma crítica, significativa e ética nas diversas práticas sociais. Assim sendo, para que neste contexto de mundo atual tenhamos ainda mais condições de comunicar e produzir soluções que não afetem o seu eu, aumentando ainda a sua apreciação por cuidar da sua saúde física, intelectual e emocional, é preciso pensar sobre o que pensa.

Pense nisto e depois pense em outros pensamentos que lhe estimule a continuar a não parar de pensar.

*Cintia Lima é psicóloga, Master coach e mentora organizacional - cintialima@coachcintialima.com - 92 981004470

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