Opinião

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Pai ou presidente?

A palavra crise volta mais uma vez a rondar as estruturas do poder central em nosso país 

Por Orígenes Martins

21 Fev 2019, 10h02

Crédito: Divulgação

Em um momento de extrema dificuldade para o nosso país, onde projetos fundamentais estão na tentativa de aprovação como o caso da previdência social entre outras, um bate boca entre ministro e o presidente, com o filho do presidente se metendo na parada, ameaça toda a estabilidade do governo. Até agora, tenho uma postura de aprovação e de esperança em relação à mudança de governo e realmente comemorei com todo coração a saída da estrutura espúria que matou o nosso país.

Não acredito que as coisas estão acabadas, embora uma parte da mídia tenha interesse em tocar fogo neste episódio de forma o mais forte possível. A palavra crise volta mais uma vez a rondar as estruturas do poder central em nosso país e não podemos medir o grau de força desta. O que se pode afirmar sem medo de errar é que, independente de mentiras ou verdades, fica muito triste assistir a um início de governo onde os filhos do presidente se metem onde não devem e neste caso, para atrapalhar a vida do pai e da nação. Com toda a postura de dureza e de cobrança, nosso presidente parece não conseguir colocar os filhos em seu devido lugar.

Não entro no mérito da demissão do Bebbiano, nem na existência ou não das três conversas entre o mesmo e o presidente, afinal discutir isto parece coisa de “Maricota”. Os motivos para a exoneração de ministros ou quaisquer componentes da equipe governamental cabem logicamente à equipe do governo. Também não se pode deixar de considerar a necessidade de órgãos da imprensa em aumentar fatos desde que tragam audiência ou mesmo ponham “ o ventilador na farofa”. No entanto fica bastante complicado assistir a uma complicação perfeitamente evitável quando atitudes familiares de falta de pulso permite que se chegue a um estado de crise.

No período entre a saída do presidente do hospital e a atitude que concluiu com a demissão de Bebbiano, houve clara tomada de posição em relação ao fato inclusive com o vice-presidente Mourão dando uma chamada em relação à prole do presidente. Ficou bem claro que a interferência do filhinho vereador não foi bem aceita pelas autoridades do governo, o que concordo. No entanto o estrago acabou sendo feito e dando margem para divulgação de áudios, especulações de todos os níveis, atrapalhando este momento tão importante e delicado para nosso país.

Também não se pode deixar de lembrar o papel da imprensa no processo democrático de qualquer sociedade e neste caso tanto o ministro exonerado quanto o presidente acuado, falaram da imprensa. A citação agressiva do Bolsonaro em relação à Globo em função do que aconteceu durante sua candidatura já era de se esperar. Neste momento se torna necessário pensar bem se é correto defender abertamente certas atitudes de qualquer órgão de imprensa, quando muitos agem de forma irresponsável e sem a menor ética causando estragos a muitas carreiras e ate mesmo vidas. A ética então precisa ser cobrada tanto quanto os jornalistas cobram suas liberdades de informação.

Durante toda esta semana, até o final do mês de fevereiro, teremos as respostas econômicas e políticas deste entrevero meio que institucional meio que familiar que balançou a situação lá pelas bandas do Planalto. Pessoalmente espero que tudo seja resolvido e que os participantes do governo que tem equilíbrio e visão responsável, ajudem a superar esta crise e tocar o projeto inicial sem perturbações. No entanto não poderia deixar de desejar que nosso querido presidente pudesse fazer uma análise deste fato e desta análise pudesse entender que não pode misturar o papel de papaizinho protetor com sua responsabilidade como presidente da República. Deixe seu filho fazendo seu trabalho como vereador enquanto o outro se defende das acusações da promotoria, mas se imponha como o presidente, não como o “capitão”, muito menos como o papai. Afinal quem manda mesmo?

*Orígenes Martins é economista

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