Turismo

COMPARTILHE

Otimismo moderado no setor hoteleiro, diz pesquisa Fecomércio/AM

Por Marco Dassori

04 Set 2019, 13h16

Crédito: Acervo JC

A maioria dos gerentes e empresários de turismo de Manaus (52,2%) avaliam que a taxa de ocupação no setor hoteleiro ficou na mesma entre maio e junho. Um total de 43,5% viram algum aumento e 4,35% apontaram queda. Os dados são da pesquisa do Ifpeam (Instituto Fecomercio de Pesquisas Empresariais do Amazonas), divulgada nesta terça (3). 

A constatação, contudo, é que o otimismo melhorou. Três meses atrás, a percepção de estagnação era unânime. E a maioria esmagadora dos gestores (95,5%) aposta que a taxa de ocupação será “muito boa” no mês seguinte. Os 4,5% restantes arriscam que, no mínimo, será “boa”.  Na sondagem todos concordavam que proporção de habitações ocupadas seria, no máximo, “boa”.

Outra notícia positiva é que municípios do interior estão ganhando mais atenção dos turistas. Indagados sobre suas preferências, os estrangeiros escolheram Iranduba (38,9%), Presidente Figueiredo (33,3%) e Novo Airão (22,2%). Já os brasileiros dizem que querem conhecer Itacoatiara (50%) e Novo Airão (50%).

O otimismo cresceu, mas ainda esbarra em entraves estruturais, conforme constata a pesquisa. As maiores dificuldades do setor relatadas pelos entrevistados do Ifpeam é, na ordem, a falta de infraestrutura do município, melhor divulgação no Brasil e exterior, ausência de eventos culturais e empresariais, infraestrutura aeroportuária e falta de incentivos fiscais para a atividade.

O levantamento confirma em parte essa percepção, já que a hospedagem executiva ainda é a preferência da maioria dos turistas que visitam a capital amazonense (51,22%) – atraídos principalmente pelo turismo de negócios do PIM. Pacotes turísticos (20%) e eventos (10%) ainda são minoritários.

Baixa temporada

A pesquisa do Ifpeam não detalha se Manaus é mais visitada por turistas do Brasil ou do exterior. Entre os brasileiros, a maioria vem do Sudeste (42,4%). Mais da metade é do gênero feminino (65,3%), tem entre 26 e 35 anos (54,2%), é casado (73,3%), tem ensino superior ou pós-graduação (58%) e é funcionário público (35,8%). 

A maioria dos estrangeiros é originária da Europa (42,4%), sendo que mulheres (57,1%), casados (51,7%) e turistas com nível superior ou pós-graduação (86,7%) também predominam. O diferencial deste grupo é que a faixa etária mais frequente é de 36 a 50 anos (37,9%) e que os empresários (30%) despontam como visitantes preferenciais.

Independentemente da origem, todos os turistas ouvidos pelo Ifpeam dizem que preferem visitar a região na baixa temporada. Em ambos os casos, tanto os nacionais (50,5%), quanto os estrangeiros (96,7%) preferem as agências de viagens como organizadoras da viagem.

A maioria dos visitantes brasileiros tem renda familiar mensal entre R$ 10.001 e R$ 12.000 (27,3%), pretende gastar de R$ 2.401 a R$ 3.000 (49,5%) em dez dias em Manaus ou uma semana no Amazonas, em média, ficando na casa de amigos ou parentes (46,5%).

Entre os turistas estrangeiros, predominam os que contam com renda mensal de U$ 6.196,65 a U$ 7.402,84 (30%), e que têm planos de gastar até U$ 250 (70%) na região, em uma permanência média de permanência de seis dias na capital e dez no Estado usando a rede hoteleira (76,7%).

Expectativa e recomendação

A maioria dos turistas vindos do Brasil (99%) e do exterior (60%) confirmam que Manaus atendeu suas expectativas e avalia a capital como satisfatória – 96% e 83,3%, respectivamente. Em relação à expectativa de retorno, 62,6% dos brasileiros respondem que “certamente” e 36,4% “provavelmente”. Mas entre os estrangeiros, a ênfase é menor – 30% e 70%, respectivamente.

O mesmo se dá no caso da recomendação de Manaus como rota turística, já que 79,8% dos turistas nacionais dizem que certamente farão isso, enquanto que 70% dos visitantes do exterior respondem que provavelmente farão essa divulgação positiva. 

Os turistas de origem nacional são atraídos a Manaus pela fauna e flora (45%), bem como pelo folclore da região (40%) e acabam gostando principalmente do aeroporto (88,9%), da gastronomia (88,8%) e da hospitalidade (83,5%), mas reprovam a limpeza pública (54,5%), a segurança pública (52,5%) e o asfaltamento (48,5%).

Os visitantes estrangeiros procuram esporte e aventura (76,9%) e também acabam se encantando pela gastronomia e pelo aeroporto (100%), assim como pelas telecomunicações, preços e diversão noturna (96,6%). Transporte público (20%), asfaltamento (20%) e serviço de taxi (10%), por outro lado, são os maiores motivos de insatisfação.

“A pesquisa confirma uma certa fidelização do turista que visita Manaus. Também aponta o potencial de cidades do interior, além de sinalizar o potencial dos turismos de pesca esportiva e de aventura, assim como maior reconhecimento de nossa gastronomia. Creio que, em um futuro próximo, seremos um polo para essas atividades”, concluiu o economista, assessor da Fecomércio AM e responsável técnico pela pesquisa do Ifpeam,  José Fernando Pereira da Silva. 

 

Veja Também