Opinião

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Os países mais inovadores do planeta

Conheça os países mais inovadores do globo

Por Jonas Gomes

11 Jul 2019, 09h11

Crédito: Divulgação

Conheça os países mais inovadores do globo, segundo dois sistemas internacionais de avaliação.

Em tempos de pujança econômica, a inovação tem o potencial de manter uma nação forte perante as demais, em tempos de crise, novamente ela desempenha papel preponderante, pois contribui na adaptação das mudanças e superação das tormentas geradas por fatores externos e/ou internos. Em ambos, ela é crucial no desenvolvimento do Estado, das organizações e de seus cidadãos, razão pela qual a gestão de sistemas voltados para criar e manter uma ambiência favorável à inovação deveria ser uma das principais prioridades de qualquer governo. 

Há vários sistemas internacionais que monitoram, avaliam e divulgam o desempenho de cada país em relação a Inovação, sendo que aqui apresentaremos dois sistemas avaliativos e o desempanho dos países, incluindo o Brasil. O assunto é relevante, pois esses sistemas, suas metodologias, seus indicadores e a classificação dos melhores deveriam constar no plano de trabalho de qualquer Ministro, Secretário, Diretor, Professor ou Pesquisador que atua neste segmento, a fim de ajudá-lo(s) a melhor desempenhar o seu ofício ao longo do tempo. 

Comecemos com o Índice Bloomberg de Inovação que classifica os países de acordo com sua habilidade em inovar. Em 2019 (17a edição) usaram indicadores classificados em sete categorias: Intensidade de Pesquisa e Desenvolvimento (IPD), Valor Adicionado na Manufatura (VAM), Produtividade (P), Densidade High Tech (DHT - Concentração de Empresas Públicas High Tech), Educação Superior (ES), Concentraçao de Pesquisadores (CP) e Atividades de Patente (AP).  

Os dados são coletados em 200 economias utilizando como fontes o FMI, o Banco Mundial, a OCDE, a Organização Mundial de Propriedade Intelectual, a UNESCO, o Escritório de Estatística Federal da Suíça, etc.   Este ano, o relatório explica que cada economia foi pontuada com valores que variam de 0 a 100 e foram eliminados países que não apresentaram dados em pelo menos 6 categorias, permanecendo apenas 95, dos quais 60 foram publicados. Os detalhes podem ser obtidos em e os melhores países foram:

1o) Coreia do Sul com 87,38 pontos, se mantendo na mesma posição em relação a 2018. Se destacou em IPD (2o lugar), VAM (2o lugar) e DHT (4o);

2o) Alemanha com 87,30 pontos, subindo duas posições em relação a 2018.  Se destacou em VAM (3o), DHT (3o), IPD (7o) e AP (7o);

3o) Finlândia com 85,57 pontos com destaque em P (5o), AP (5o), CP (8o) e IPD (9o) e ES (9o);

Outros países bem colocados são Suíça, Israel, Cingapura, Suécia, EUA, Japão e França. Neste ranking o Brasil ficou em 45o lugar com 53,62 pontos, seu melhor desempenho foi em IPC (27o) e DHT (31o), os piores desempenhos foram em VAM (57o), ES (53o), AP (53o) e P (52o), ou seja, em áreas ligadas a Educação Superior e a aplicação desse conhecimento no aperfeiçoamento da Indústria e dos Servicos Públicos.

Agora vejamos outro índice, conhecido como Índice de Inovação Global, medido pela Universidade Cornell em parceria com INSEAD, Organização Mundial de Propriedade Intelectual e outros parceiros, inclusive a Confederação Nacional da Indústria do Brasil. 

O relatório de 2019 será divulgado em evento internacional a ser realizado no próximo 24/07 em Nova Deli, na Índia. O ranking analisa 80 métricas envolvendo 190 economias, tendo como eixo comum um tema escolhido, por exemplo, em 2019 o tema central será “A inovação médica para a próxima década”, já ano passado o tema foi “Energizando o mundo com inovação”. 

Bem, o último relatório disponível é de 2018 (11a edição), nele foram analisadas métricas de 120 economias que representavam cerca de 90,8% da população global, bem como 96,3% do PIB global. A abordagem é interessante, uma vez que tem dois objetivos: ajudar cada país a avaliar seu desempenho por meio da coleta de métricas de inovação de acordo com os padrões internacionais, e ajudar a capacitar os países para melhorar suas políticas de inovação, aproveitando seus pontos fortes e superando os desafios. 

Neste sentido, dois eixos foram criados, um chamado Innovation Input Sub-Index que contém cinco pilares que capturam os elementos da economia nacional que produz as atividades inovadoras (1 – Instituições; 2 – Capital Humano e Pesquisa; 3 – Infra-estrutura; 4 – Sofisticação do Mercado e 5 – Sofisticação dos Negócios), e outro chamado Innovation Output Sub-Index que fornece informações sobre os resultados das atividades inovadoras dentro da economia, sendo que neste eixo há dois pilares, um chamado de Conhecimento e Tecnoloiga, e o outro chamado de Resultados Criativos. Dentro de cada pilar há um conjunto de métricas com dados que são coletados e pontuados, gerarando um Score com valor que varia de 0 a 100. Em 2018, publicaram os seguintes resultados:

1o) os dez países mais inovadores foram: Suíça (68,4 pontos), Holanda (63,32 pontos), Suécia (63,08 pontos), Reino Unido (60,13 pontos), Cingapura (59,83 pontos), EUA (59,81 pontos), Finlândia (59,63 pontos), Dinamarca (58,39 pontos), Alemanha (58,03 pontos) e Irlanda (57,19 pontos);

2o) os dez menos inovadores foram: Iêmem (7,9 pontos), Burkina Faso (8,3 pontos), Togo (9,96 pontos), Benim (10,64 pontos), Niger (10,87 pontos), Costa do Marfim (11,32 pontos), Ruanda (12,59 pontos), Zâmbia (12,77 pontos), Guiné (13,24 pontos) e Bolívia (13,77 pontos);

3o) entre as seis regiões estudadas, a mais inovadora foi a América do Norte (56 pontos) e a menos inovadora foi a Ásia Central Meridional (28 pontos) com Índia, Irã e o Cazaquistão. A Região da América Larina e Caribe ficou em 5o lugar com 30 pontos, aliás o desempenho desta região não tem melhorado ano a ano;

4o) o Brasil obteve 23,49 pontos, ficou na 64a colocação, avançando 5 posições em relação a 2017. No entanto, pelo andar da carroagem, há fortes indícios de que nosso desempenho volte a cair continuamente como aconteceu nos anos anteriores.

Finalmente, nessas abordagens é possível conhecer as economias mais inovadoras do planeta, para então realizar benchmark sobre suas boas práticas, a fim de aplicá-las com adaptações em nossa realidade. Para exemplificar, enquanto o Brasil (em 2018 ficou na 105a posição no ranking global de Índice de Percepção da Corrupção – IPC) nas últimas décadas tem sofrido com má gestão e alta corrupção, que geram congelamento e cortes bilionários na Educação, na C&T&I, países como China (87a posição no IPC), Coréia do Sul (45a posição no IPC) e Alemanha (11a posição no IPC) tem trabalhado no sentido contrário, bastando lembrar que recentemente a Alemanha anunciou que entre 2021 e 2030, o Governo Federal e os Estados investirão 160 bi de Euros (R$ 702 bilhões) no ensino superior e na pesquisa científica, então em termos de investimento e a efetiva aplicação dos recursos nas áreas destinos, está explicado, em parte, a gritante diferença de desempenho do Brasil com estas nações.

*Jonas Gomes da Silva – Vice Chefe do Departamento de Engenharia de Produção da FT-UFAM – gomesjonas@hotmail.com

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