Opinião

COMPARTILHE

Os 17 Cavaleiros Fantasmas do Clã do Mito

Há os cavaleiros fantasmas do mal, que geram prejuízos concretos

Por Jonas Gomes

10 Jun 2019, 08h55

Crédito: Divulgação

O artigo aponta dezessete profissionais contratados pelo clã Bolsonaro, suspeitos de serem funcionários fantasmas.

Há séculos os fantasmas preenchem nosso imaginário. Os Celtas celebravam o final do verão com o Festival de Samhaim, cuja lenda reza que o reino dos vivos e dos mortos se sobrepunham e os fantasmas podiam ser vistos. O festival influenciou a criação do Halloween, do Dia dos Finados e do Dia de todos os Santos. Alguns países têm dia ou evento dedicado aos fantasmas, na Ásia celebra-se o Festival dos Fantasmas, com origem na China, passando por Taiwan, Malásia, Cingapura e também no Japão, este último país, apesar de ser avançado, tem lendas bem assustadoras com os fantasmas Teke Teke, Tomino, Shirime, Nurikabe, Bakeneco, Oiwa, etc.

Os fantasmas são fontes de inspiração de escritores, tais como Susan Owens que escreveu em seu livro “The Ghost: A Cultural History” que eles assumiram disfarces e papéis ao longo dos séculos. Vale a pena lembrar os trabalhos da equipe do escritor Ray Krank lá nos anos 50 com a Marvel, quem não conhece as revistas ou filmes envolvendo os temas evoluídos de “Cavaleiro Fantasma=Ghost Rider” para Motoqueiro Fantasma? Quem não se empolga com a saga dos personagens Carter Slade, Jamie Jacobs, Reno Jones, Hamilton Slade, este último trabalhando como arqueólogo que ao desenterrar as relíquias, foi possuído pelos espíritos, tornado-se uma nova versão do Cavaleiro Fantasma?

Por outro lado, há também os cavaleiros fantasmas do mal, que geram prejuízos concretos, são de carne e osso, amaldiçoados com políticos de diversos partidos, são pessoas contratadas, recebem a remuneração pública sem prestar os serviços inerentes ao cargo, cuja prática tem subtraído os cofres públicos, enriquecido os contratantes e gerado prejuízos incalculáveis para a saúde, educação e outras áreas essenciais para a população. Poderia dissertar sobre vários casos de funcionários fantasmas no Amazonas e no Brasil, mas por limitação de espaço, priorizarei os suspeitos apontados pela imprensa e justiça, que fogem de dar esclarecimentos para a sociedade, envolvidos com o clã Bolsonaro, uma vez que eles foram eleitos explorando a honestidade, o combate à corrupção, o nome de Deus, a Bíblia e os bons princípios da família.

Então, os cavaleiros fantasmas do clã do Mito são:

F1) Renato Antônio Bolsonaro com Deputado André Prado

A Promotoria de Miracatu investiga(ou) Renato Bolsonaro (irmão do Mito) e André do Prado (então deputado estadual) por suspeita de improbidade administrativa e violação dos princípios do Artigo 11 da Lei de Improbidade Administrativa 8429/92. O processo é de difícil acesso e aparentemente está arquivado, mas o caso chamou atenção pelos motivos: a) equipe do SBT o flagrou por semanas  <https://www.youtube.com/watch?v=FMgQeBvKJGo> de março e abril/16 trabalhando em horário comercial em uma de suas 4 lojas (Vivi Móveis Eletrodomésticos) situada no interior de SP; b) enquanto lucrava com venda de móveis, recebia mensalmente R$ 17.555,37 como Assessor Especial do Dep. André, custando R$ 228.219,81/ano; c) não comparecia na ALESP nem apresentou provas de que executava os serviços; d) ficou no cargo cerca de 3 anos, sendo exonerado um dia após a divulgação dos fatos pela equipe do SBT; e) entre 2012 e 2016 o seu patrimônio declarado evoluiu quase 70%, saltando de R$ 572.564,30 para R$ 971.982,00 uma vez que disputou cargo para a prefeito de Miracatu/SP;

F2) Walderice Santos da Conceição com o Mito

Em 2018 o Mito demitiu sua antiga funcionária Walderice Santos, após ela ser várias vezes flagrada por jornalistas em horário comercial vendendo açaí e realizando serviços particulares para o chefão. Para se ter ideia do tamanho da balbúrdia com dinheiro público, convido-o a acessar na RF os dados do CNPJ 15.810.208./0001-43, ai encontrarás que em 29/06/12 o seu empreendimento ME foi criado omitindo uma série de dados. Além disso, em 16/07/12 (18 dias após abertura da ME), a funcionária Wal subiu de nível, passou a ser secretária parlamentar nível SP25S, cujo salário bruto mensal junto com a gratificação era de R$ 12.940. Para deixar “os idiotas úteis” mais indignados, as normas da CD e também da CF (Art. 37, inciso XVII) que tratam de impedimento para a posse no cargo deixam bem claro que é vedada a posse para: aqueles que participam de gerência ou administração de sociedade privada, personificada ou não, ou exercem o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comandatário. O MPDF, por meio do Procurador João G. M. de Queiroz está investigando o assunto em sigilo de justiça desde setembro/18.

F3) Nathália Queiroz com dupla Flávio e Jair Bolsonaro

Filha do PM Queiroz foi empregada no gabinete de Flávio (RJ) e depois no do Mito (DF). Segundo a CD, Nathália era responsável pela “redação de correspondência, discursos e pareceres do parlamentar, atendimento às pessoas encaminhadas ao gabinete, execução de serviços de secretária e datilográficos, pesquisas, acompanhamento interno e externo de assuntos de interesse do deputado, etc.”. Entre dez/16 e out/18, ganhando mais de R$ 10.000/mês, a moça recebeu em 22 meses, presença integral sem registro de faltas e de licença por parte da turma do Gabinete do Mito, mas acontece que ela não tinha crachá nem há registro de que efetivamente tenha ido e executado trabalhos lá em Brasília. No entanto, era contratada e vista em academias do RJ fazendo trabalhos de personal trainer com famosos. O caso já gerou em Brasília notícia de fato encaminhada para a PGR e também no RJ, o MPRJ já conseguiu autorização da justiça para quebrar sigilo fiscal dela para avançar as investigações, a partir do COAF;

F4 e F5) PMs Wellington Sérvulo e Agostinho Moraes

Segundo o MPRJ, o Tenente Coronel Wellington Sérvulo R. da Silva enquanto recebia como assessor (R$  5400 totalizando R$ 86400 em 16 meses) do então deputado Flávio, passou pelo menos 226 dias em Portugal, sendo impossível de cumprir a jornada semanal de trabalho ou desenvolver as atividades elencadas no artigo 8o do Ato no 72 da Mesa da CD. Mas foi o Subtenente da PM Agostinho M. da Silva que complicou tudo, quando ao ser ouvido, revelou que além de receber mensalmente R$ 8.500 líquidos da PM, recebia também cerca de R$ 6000 na condição de assessor do Flávio e que repassava maior parte do seu salário para o Queiroz. Tudo sem cumprir expedientes nem no gabinete do deputado nem na PMRJ;

F6 a F17) outros potenciais cavaleiros fantasmas

Há investigação contra Amanda P. Simoni, Luíza S. Paes, Patrícia da S. Filipe, assessores que tinham vínculos empregatícios com outras empresas, cuja carga horária prevista pela CLT impediria, em tese, a acumulação dos cargos. Além deles, há uma senhora de 70 anos, Nadir B. Goes, ela recebia R$ 4271/mês como oficial de Gabinete do vereador Carlos Bolsonaro lá na CMRJ. Apesar de Carlos assinar a presença integral dela, ao ser questionada pela imprensa em ligação para sua casa, a idosa não conseguiu explicar as atividades desempenhadas e complicou quando respondeu que nunca trabalhou para o Carlos. Há também o Tenente da reserva do Exército Nelson A. Rabelo, a fisiculturista Andrea S. Valle (ex-cunhada do Mito) que vivia em academia e participando de concursos de fisiculturismo, o veterinário Francisco S. G. Diniz (primo da ex mulher do Mito que cursou Fac. de Medicina Veterinária no Centro Universitário de Barra Mansa, em horário integral, período que deveria dar expediente ao Flávio), a profa. aposentada de 77 anos Maria José S. e Silva (tia de ex esposa do Mito), Levy Alves dos S. Barbosa, Alessandra R. Cunha, Helen C. G. Vieira e Bianca de A. Santos.

Finalmente, há fortes evidências de que até o final de 2021 os brasileiros serão sacudidos com fortes denúncias de improbidade administrativa e peculato envolvendo alguns dos cavaleiros fantasmas com o clã do mito. Então, seria interessante a Netflix investir na produção de um novo filme sobre o assunto, eu compraria pipoca para assistir.

*Jonas Gomes da Silva é vice-chefe do Departamento de Engenharia de Produção da FT-UFAM – gomesjonas@hotmail.com

Veja Também

Artigo

Como motivar-se no trabalho

10 Jun 2019, 08h49