Opinião

COMPARTILHE

Obrigado Paulo Guedes

É evidente que devemos continuar defendendo o modelo para que o caos não seja instalado

Por Thomaz Meirelles

28 Abr 2019, 10h39

Crédito: Divulgação

Em 23 de janeiro passado, minha coluna semanal no Jornal do Commercio teve como título "Obrigado Paulo Guedes!" fazendo referência à recomendação do ministro para que o Amazonas procurasse outra matriz econômica. Hoje, volto novamente a agradecer o ministro em decorrência de suas recentes afirmativas sobre o modelo econômico da Zona Franca de Manaus.

Quem acompanha a coluna Agronegócios do JC desde 2003 sabe que, há décadas, muitos antes do governo Bolsonaro, vinha alertando sobre a fragilidade desse modelo, inclusive mencionando que está com os dias contados. Ao mesmo tempo, sempre vinha alertando para o aproveitamento sustentável das nossas potencialidades regionais no agronegócio familiar e empresarial, mas poucos ouviram esses apelos.  Infelizmente, ex-governadores e parlamentares não procuraram outro modelo econômico.

Poucas foram as entidades que sempre defenderam o setor primário do nosso estado como alternativa econômica ao modelo PIM/ZFM, entre elas destaco, por conhecer e fazer justiça, a Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas, a nossa FAEA, presidida, no passado, pelo saudoso amigo Eurípedes Ferreira Lins, e atualmente pelo jovem, sério e competente Muni Lourenço Silva Junior. Quem tiver dúvida sobre essa afirmativa basta procurar conhecer as diversas edições do livro "O Amazonas e seus Problemas" disponíveis na biblioteca da FAEA.

Modelo empobreceu o estado

Em 15 de dezembro de 2017, a imprensa local registrava que "...depois do Maranhão (52,4%), o Amazonas (49,2%) é o Estado brasileiro com o maior percentual de pessoas que vivem na pobreza, segundo a Síntese dos Indicadores Sociais, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados mostram que o Brasil tinha, em 2016, cerca de 13,4 milhões de pessoas vivendo em condição de pobreza extrema. A pesquisa considera a classificação de pobreza extrema definida pelo Banco Mundial...".

Mais recentemente, em junho de 2018, a imprensa amazonense divulgava o relatório do IFDM (Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal) onde "...o município de Ipixuna (a 1.364 quilômetros de Manaus) está em último lugar no ranking que avalia o índice de desenvolvimento de 5.471 municípios de todo o Brasil...". Também cita Lábrea, Santa Isabel do Rio Negro, Jutaí e Canutama entre os últimos 16 municípios do país. Essa é a herança que o modelo PIM/ZFM está nos deixando, e ainda querem defender?

O maior símbolo do descaso

No meu ponto de vista, o maior símbolo de todo esse descaso com o interior, com o amazonense, com a criação de alternativas ao modelo PIM/ZFM custou 90 milhões e, até hoje, depois de 16 anos, o Centro de Biotecnologia da Amazônia não tem personalidade jurídica, não há modelo de gestão definido. Aparelhos de última geração e pesquisas com a fibra do curauá, açaí em pó, inseticidas naturais, frutas desidratas, entre outras, continuam encalhadas e perdidas na burocracia.

Nesses 16 anos, tivemos cinco governadores, quatro legislaturas na assembleia legislativa, quatro legislaturas na câmara federal e, ainda, mais dois mandatos no senado federal. Todos focados, exclusivamente, nas inúmeras vantagens econômicas do PIM/ZFM. Esqueceram o nosso setor primário, esqueceram a riqueza da nossa biodiversidade, esqueceram o homem do interior, e ainda querem culpar o Paulo Guedes. É brincadeira! É evidente que devemos continuar defendendo o modelo para que o caos não seja instalado no estado, mas ciente de que está com os dias contados.

Nessa defesa, não devemos colocar a intocabilidade da floresta em jogo, como já vem sendo feito por algumas autoridades locais, isso é um erro grave, pois já existem tecnologias para o seu aproveitamento sustentável. Agora, quanto ao modelo de gestão do CBA penso que deveria ser muito bem avaliado o que vem sendo apresentado como alternativa, pois já ouvi insatisfação dentro da própria aliança que foi criada para assumir a gestão do Centro de Biotecnologia da Amazônia.

*Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles é servidor público federal, administrador, especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: thomaz.meirelles@hotmail.com

Veja Também

Frente & Perfil

Afinal, o que Paulo Guedes pensa?

03 May 2019, 10h35
Artigo

Fungos e bactérias da prosperidade

28 Apr 2019, 10h48