Opinião

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Obrigada, meu pai, Sr. Izaías Almeida!

Por isso, esmorecer jamais, acreditar sempre, lutar sem parar

Por Gina Moraes

11 Jul 2019, 09h50

Crédito: Divulgação

“Minha dor é perceber/Que apesar de termos feito/Tudo, tudo, tudo, tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos/Como nossos pais”.

Na poesia de Belchior e na interpretação inigualável de Elis Regina, a arte imita a vida e a literatura traduz seus paradoxos e superação. Eles ajudam-me a traduzir em palavras o desejo de alma para homenagear o Sr. Izaías Almeida, meu pai e meu melhor amigo de toda fugaz existência. Ele se e deixou atrás de si as mais preciosas lições, imortalizadas em seu sorriso, aberto e franco, iluminado e luminoso, sempre e quando tudo parecia escurecer.

Só quem perdeu um ente tão amado poderá entender o vazio que se instala em nossa vida com a perda de um pai. E a dor é maior na medida em que, por toda a vida, a vida em comum foi absolutamente compartilhada e intensamente vivida. Eis por que peço licença a meus leitores para repartir a dor dessa perda recente, que, de tão insistente, é impossível guardar.

As lições ficaram e, devo dizer, também com incontida alegria, permanecerão como ferramenta presente para seguir a caminhada obstinada que ele me legou. Sua coragem nordestina trouxe para nossa Amazônia um paradigma de luta e destemor. Para ele, não havia tempo ruim, porque qualquer tempo significou sempre uma razão a mais para lutar, empreender, teimar e vencer. A cada dia, comecei a entender bem cedo essa liturgia, motivo de gratidão e de paixão pelo dom de viver, da vida envolvida por outras vidas, de todos aqueles que se dispuseram a caminhar a seu lado.


Obrigado, Sr. Izaías, meu pai amigo, parceiro e guerreiro, atento aos sinais da luta que a existência implica. Obrigada por seu exemplo, por sua pedagogia mesclada e temperada pela teimosia de quem não se deixa intimidar. Esse foi, certamente, o maior legado para quem se postou a seu lado, como minha mãe, parceira de vida, resiliência e insistência. Obrigada, meu pai, com quem todos os dias sempre foi religiosamente prazeroso caminhar. Obrigada por seu sorriso de acolhimento, sua ironia em zombar das trapaças e surpresas do cotidiano, seus enganos e convites ao desanimar. Desanimar? Perder a alma, como tantos escolhem fazer, nunca entrou na pauta de sua trajetória teimosa.

Você é e será sempre meu Super-Herói. Aquele herói que protege e projeta seus seguidores. E, por isso, você se enquadra na categoria daqueles Heróis que a morte não consegue vencer, porque seu exemplo tem aura de perenidade. Você está e ficará em nossos corações de seguidores apaixonados, que lhe fizeram uma morada na própria alma.
E este é o desafio: Buscar na lembrança viva de suas lições e recomendações a presença imorredouro do Pai-Herói, para quem não existia embaraço nem intimidação. Só assim será possível entender a obstinação de cada dia, a zombaria das dificuldades do dia a dia, transformadas em filosofia de viver, enfrentar, superar e vencer.

Temos certeza, todos nós que o amamos, de que, apesar da dor no coração de cada um, não lhe agrada a tristeza. Sorrir, porque, somente assim, ‘todo mundo irá supor que és feliz’, gostava de lembrar o contexto poético de Charlie Chaplin. Por isso, esmorecer jamais, acreditar sempre, lutar sem parar. Essa é a filosofia e a poesia que Izaías Almeida tinha para ensinar e ajudar a superar o vazio que sua partida causou. Obrigada, meu pai, por esse legado de fé, de força e de comunhão. Tu ficarás eternamente em nossas mentes, coração e vida, eternamente compartilhada, amorosamente repartida, razão de crer e vencer a batalha de cada dia!

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