Opinião

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O resgate de Ibrahim Sued

Um passeio por bons anos da imprensa brasileira, que atirou no que viu, mas acertou também no que não viu

Por Aristóteles Drummond

22 Mar 2019, 13h15

Crédito: Divulgação

Aziz Ahmed em seu livro histórico que acaba de ser lançado, Memória da Imprensa Escrita, reúne 26 depoimentos, de 25 notáveis do jornalismo da segunda metade do século passado e um modesto repórter, que sou eu, contando um pouco da história de cada um nas redações. Um passeio por bons anos da imprensa brasileira, que atirou no que viu, mas acertou também no que não viu.

Depoimentos que tocam, como os dos dois desaparecidos este ano, Fernando Carlos de Andrade e Ricardo Boechat, que, por coincidência, trabalharam juntos algum tempo e tinham o mercado das artes como paixão comum. A lista reúne os melhores, incluindo uma única mulher Ana Maria Ramalho, que foi de O Dia.

Mas o que chama atenção, após a leitura do livro, embora não tenha sido o objetivo, é que a obra faz um resgate da memória e da passagem pelo jornalismo de uma grande figura, nem sempre reconhecida ou compreendida: Ibrahim Sued, que foi alvo, vivo e depois de morto, de preconceitos menores.

No entanto, Ibrahim foi o repórter que marcou décadas no colunismo dinâmico, com personalidade forte e marcante na televisão também. O que lhe faltava de conhecimentos gramaticais sobrava de sensibilidade de repórter, de disposição para o trabalho, de generosidade e muita coragem cívica. Foi um fenômeno no jornalismo, com todas as limitações, que, inclusive, foram incorporadas ao folclore da época. E as expressões criadas por ele passaram ao uso corrente da população. Ibrahim  salvou a ABBR , em apoio destemido a campanha de D Malu Rocha Miranda pela admirável entidade . Fez a alta burguesia se coçar......

O resgate vem pelos depoimentos de alguns dos mais notáveis da relação, que trabalharam com ele por muito tempo e são referências do jornalismo brasileiro. Fernando Carlos de Andrade, Ricardo Boechat, , JB Serra, todos incluíram o “turco” em suas páginas. E Ana Ramalho que foi escolhida por ele, por lembrança de Boechat, para ser ghost writer do famoso livro de Ibrahim. Aliás, este é leitura obrigatória para quem quer conhecer o Rio e o Brasil dos anos 1950 aos 1990. Outro expoente , que não está no livro, mas passou pela coluna do Ibrahim foi Elio Gaspari.

Memória da Imprensa Escrita vale a pena. O livro, inclusive, está na Internet e no Youtube, numa preciosa contribuição de Aziz, ele mesmo uma personalidade marcante em seu tempo, sempre respeitado, estimado e admirado.

Para quem gosta do assunto, é um prato cheio!

*Aristótelles Drummond é jornalista e vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

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