Opinião

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O que realmente importa

O que realmente importa é o que o espelho nos conta, nosso íntimo sente e os mais próximos percebem

Por Cíntia Lima

27 Jun 2019, 10h39

Crédito: Divulgação

Eu não sei você, mas eu frequentemente vejo fotos e vídeos na internet falando sobre ter uma vida épica, uma vida extraordinária, uma vida abundante ou similares. Com a grande quantidade de coaches atuando no mercado, aumentou a grade de pessoas que reforça a importância de ser protagonista, de atuar com auto responsabilidade, de ser comandante do seu barco, de ser aquele que se empodera para ser, fazer e ter o que quiser. Confesso que acho interessante, mas a cada passo que dou tenho acreditado ainda mais na visão de que antes de saber o que fazer, é preciso escolher o que não fazer. Antes de pensar no que mostrar para plateia, o que realmente importa é o que o espelho nos conta, nosso íntimo sente e os mais próximos percebem de nossas ações. Dentro das minhas crenças pessoais, é o que Deus conhece ao meu respeito.

Quando priorizamos a família e não as festas, os amigos fiéis ao invés da popularidade, o doar o excedente e não a compra compulsiva, ler um bom livro no horário da novela e outros pontos de construção de vínculo e amor e não somente distração, reforçam a vida épica, mas passa antes pela construção do que realmente importa, pois, o discurso do vencedor não pode ignorar o treino para a maratona, muito menos as escolhas feitas em todo o processo para conseguir cruzar a linha de chegada.

Focar no que realmente importa é ainda mais importante do que imensos planos de ação sem atitude, ainda mais se estiverem na direção errada. Criar grandes diagramas, gerar fluxos complexos, construir estruturas gigantes, gera tanto trabalho, inúmeras e diversificadas competências e certamente necessita de muita capacidade cognitiva e espaço de tempo, energia e investimento, mas ainda acredito e procuro seguir as palavras de Leonardo Da Vinci ao reforçar que a simplicidade é o mais alto grau de sofisticação.

E no dia a dia empresarial e com desenvolvimento de pessoas, tenho testemunhado a verdade sobre esta afirmação. Nas devidas proporções vamos aos exemplos: 

- O quanto nos parece sofisticado um vestidinho preto com um singelo e delicado par de colar e brinco e tantas vezes as mulheres passam horas colocando adereços que mais distraem da beleza natural. Do que enfeitar o corpo se o coração estiver manchado com o ódio, com o rancor, com a ausência de perdão? Isto realmente importa.

- Quantas festas de aniversário são decoradas com toda espécie de enfeites, louças finas, menu elaboradíssimo e estão vazias de sentido. O que realmente importa não seria um bom churrasco com amigos de chinelo contando coisas engraçadas e simplesmente rindo com a alma?

- Quantas empresas estabelecem tantos processos e procedimentos para melhorar sua eficiência e aumentar o seu lucro, quando as pessoas que trabalham lado a lado nem se falam? Imagine a integração das atividades destas áreas que é o que realmente importa para os resultados aparecerem.

- Eu já vi uma amiga ganhar uma linda e rara joia de seu esposo, perfeitamente embalada em um dourado papel de seda, dentro de uma bela caixa preta, quando o que realmente importava era o abraço apertado e um “eu te amo” profundo.

- Quantos pais chegam em casa do trabalho ou de viagens, entregam presentes aos seus filhos e se jogam na frente da TV, acreditando que podem substituir o tempo de qualidade com os filhos por coisas e que não deixarão feridas profundas nestas crianças por não fazer o que realmente importa?

- E em quantos momentos nós perdemos “tempo” em amizades de interesses e deixamos para “nunca” o interesse real em construir laços profundos com pessoas que possam estar ao nosso lado, mesmo que não possamos ajuda-las em nada ou vice-versa?  Pois é o que realmente importa, ter pessoas interessantes e não interesseiras.

- Quantas horas, algumas pessoas passam dentro dos templos das igrejas, repetindo rituais e cumprido compromissos religiosos e não se importam em estar longe da real espiritualidade e do vínculo profundo com Deus?

- Quanto tempo passamos na frente do espelho em busca do clique perfeito para postagem nas redes sociais e não investimos no autoconhecimento, na cura das feridas emocionais, nos traumas que nos limitam e nos impedem de ser feliz em uma imagem inteira que a foto não captura? Mas a alma sofre, e, sinceramente, o exterior importa mais que o interior?

Certamente, não conseguirei resgatar todas as possibilidades de atravessarmos o “trivial” como sendo o mais importante e deixar o que “realmente importa” para quando puder. No entanto, é bom lembrar que o fim sempre chega, e nem eu nem você sabe o dia que partirá, mas podemos escolher viver uma vida com o que realmente importa! 

*Cintia Lima é psicóloga, master coach e mentora organizacional - cintialima@coachcintialima.com - 92 981004470

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