Opinião

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O que podemos aprender como Chile?

O Chile desenvolveu um modelo próprio e sem paralelos na América Latina

Por Breno Rodrigo

11 Jul 2019, 09h22

Crédito: Divulgação

Política e economia andam de mãos dadas no modelo chileno de democracia. Além da democracia plenamente consolidada depois de anos num dos experimentos mais autoritários da região, o modelo chileno incorporou um tipo único de mercado tipo exportador.

É um modelo de desenvolvimento que nasce no seio do regime militar liderado por Augusto Pinochet e que permanece ainda nos dias de hoje. A democracia de coalizão de centro-esquerda (a autonomeada Concertación) sucede o regime de força de Pinochet e ajuda na consolidação das instituições políticas no país.

Em certa medida, o modelo chileno combina democracia, crescimento econômico e exclusão social. O Chile, diferente dos outros países da região, não possui uma ampla rede de proteção social. Lá, a lógica liberal predomina na concepção e formulação das políticas públicas. 

Estabilidade macroeconômica é um eixo central do modelo chileno. Inflação baixa e controlada, regime de câmbio flutuante e rígido programa de controle fiscal resultado da política econômica da ditadura de Pinochet. Taxa média de crescimento de 6%, tendo como principal pauta de exportação produtos como vinho, cobre (líder mundial no setor), frutas, manufaturados, etc.

O resultado concreto desse modelo é o desenvolvimento econômico como recurso de distribuição de renda com forte impacto social, ao passo que no Brasil o desenvolvimento econômico se dá por meio da concentração de renda e aumento da carga tributária.

Previdência social chilena funciona pelo esquema de capitalização. Ou seja, a previdência social é de inteira responsabilidade dos indivíduos, e não do setor público. O desafio dos governos da Concertación e do atual presidente, Sebastián Piñera, é corrigir as distorções sociais causados algumas vezes pelo sistema previdenciário, que pune os mais pobres, agravando ainda mais as assimetrias sociais.

A reforma educacional chilena deu ênfase na qualidade de ensino, pesquisa e C&T. também houve um substantivo aumento nas vagas do ensino básico e médio: expansão da rede de ensino para todos os cidadãos. O aperfeiçoamento do ensino e contratação de professores, bem como a ampliação da cobertura educacional pública. Já o ensino superior assegurou a expansão do ensino superior privado.

Diplomacia econômica optou pela adoção de um modelo pragmático e neoliberal. Interesses estratégicos na economia baseados da lógica liberal, mercantil e concorrencial (estímulo à oferta e contenção da demanda). Modelo chileno de desenvolvimento: exportação para os EUA, tendo o modelo de desenvolvimento baseado nas exportações de mercadorias, uma vez que não se estimula o consumo interno de produtos. O foco da diplomacia econômica são os grandes mercados.

Mercosul e Chile mantêm uma relação equidistante e cordial. Chile é parceiro e membro associado ao Mercosul. Novas negociações integradoras não interessam ao modelo privado chileno. O que interessa ao setor privado chileno é exportar os seus produtos para os grandes mercados consumidores, especialmente os EUA, UE, Coreia e China. Nesse sentido, houve um esforço de aproximar aos grandes blocos econômicos do norte global. Assim, abertura comercial deve ser compatível à estrutura industrial e à estrutura agrária do país.         

O Chile desenvolveu um modelo próprio e sem paralelos na América Latina, pois rompeu todas as amarras do passado patrimonial, burocrático e ibérico. Modernizou a sua economia e qualificou a sua população. É um modelo exitoso que pode nos ajudar muito sobre o Brasil que queremos e podemos fazer. 

*Breno Rodrigo é cientista político

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