Opinião

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O poder do óbvio

O fato é que muitos procuram respostas, na maior parte das vezes, num cipoal de questões

Por Fred Novaes

23 Fev 2019, 09h20

Crédito: Walter Mendes/Acervo JC

Elementar, meu caro Watson!!! O bordão famoso em filmes com o personagem Sherlock Holmes - mesmo não tendo sido criado pelo autor Arthur Conan Doyle - resume uma verdade muitas vezes menosprezada: o óbvio pode ser a resposta exata. O fato é que muitos procuram respostas, na maior parte das vezes, num cipoal de questões, enredando-se em complicações, sem atentar pelo caminho da simplicidade. Efeito dessa ansiedade vertiginosa dos novos tempos que, de certa forma, tem ajudado a tornar muita gente mais cega para aquilo que está a sua frente.

Interessante observar pessoas construindo uma consciente descrença para tudo aquilo que, à primeira vista, lhe parece simples demais, quase simplório. Essa falta de clareza em relação ao que nos angustia ou nos desafia é presente nos dias de hoje, onde complicações multiplicam-se sem cessar. Quando adolescente, propus um verso concretista que, hoje,  reveste-se de um certo ar profético: “o plexo complexo complica-se às vistas da psicologia”.

Mas, voltando à reflexão do óbvio, o certo é que tem muito cego fazendo rei quem muitas vezes tem apenas um olho míope. Pessoas que não conseguem alcançar respostas óbvias porque não sabem fazer perguntas elementares. Que não separam o todo em partes e nem identificam o começo, os muitos meios e o fim. O óbvio ululando à luz da lua cheia, como diria Nélson Rodrigues.   

Nesta reflexão, detive-me sobre um singelo livro que sintetiza o poder de ser direto ao ponto com simplicidade e confiança. Falo do livreto “Adams Óbvio - como ter sucesso simplesmente enxergando o óbvio” com a biografia ficcional de Osborne Adams, lançada em 1916 por Robert Updegraff e que, durante muito tempo, foi inspiração para gestores no mundo todo que incentivavam seus liderados na procura do fio da meada de questões, aparentemente, complexas. O texto foi publicado pela primeira vez em formato de conto no Saturday Evening Post, em abril de 1916.

Depois expor o caminho para o personagem se tornar um publicitário fazendo o óbvio a fim de realizar esse desejo, o autor acrescenta uma lista com cinco caminhos criativos para reconhecer o óbvio que ilustro a seguir:  

1 Não se impressione com o padrão

Esqueça toda prática, tradição. Estabeleça uma nova perspectiva, como se fosse uma criança. Pense de forma simples. Registre cada item no papel como forma de simplificar o entendimento. Verifique, conforme detalha por escrito, se cada etapa é necessária. Aprenda a começar do zero.

2 Imagine como seria divertido se tudo pudesse ser completamente invertido

Utilize a técnica da inversão. Faça tudo ao contrário para testar o resultado.

3 Você conta com a aprovação e com a participação do público no seu projeto?

Reconheça o problema das decisões tomadas no escritório e não no campo, nos lugares onde a ação acontece. A Importância de ouvir a opinião dos consumidores e usuários. Era óbvio em 1916, continua sendo óbvio em 2019.

4 Quais oportunidades estão passando despercebidas porque ninguém se importou de examiná-las?

Dê uma olhada bifocal em tudo que utilizamos. Olhe de longe para ver se não há uma forma diferente de atingir o mesmo fim. Sendo mais simples, eficiente e econômico

5 Reconheça o momento de ir além

Muitas vezes o processo é sequencial e autoexplicativo. Basta deixar fluir.

Concluo com a frase de encerramento do autor no livro: “O mundo está cheio de desejos, vontades e necessidades não expressas, esperando pelo homem ou pela mulher que faça o óbvio para resolver os grandes problemas da vida diária”.  

*Fred Novaes é publisher do Jornal do Commercio

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