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O fertilizante que vem do coração dos Andes

Produto extraído da Cordilheira dos Andes pode ser, literalmente, a salvação da lavoura

Por Evaldo Ferreira @evaldo.am @JCommercio

12 Ago 2019, 20h35

Crédito: Evaldo Ferreira

Em tempos de notícias sobre o aumento do desmatamento na Amazônia (920 k2 de floresta, em junho, aumento de 88% em relação ao desmatamento de junho do ano passado, segundo o Inpe) e cada vez mais agrotóxicos (262 registros liberados de janeiro a julho deste ano) sendo liberados pelo Ministério da Agricultura para ser usados em plantações no Brasil, parece que a solução para estes dois problemas está aqui ao nosso lado, no vizinho Peru.

“Desde o ano passado estamos produzindo e comercializando o fertilizante andino, desenvolvido pelo engenheiro agrônomo Roberto Gomez Aliaga, mestre em qualidade e meio ambiente, no Peru”, falou Alejandro Salinas, diretor comercial da PerBra Holding, empresa responsável pela comercialização e distribuição do produto para fora do Peru.

“O fertilizante andino surgiu a partir do ‘Proyecto UNODC PERU’ desenvolvido numa parceria do Roberto com a ONU (Organização das Nações Unidas) visando resgatar os agricultores de coca, trazendo-os de volta para as agriculturas tradicionais do Peru. O projeto também fomentava o comércio desses produtos”, acrescentou.

“Após os testes realizados por Roberto com o fertilizante, ele constatou que tanto as plantações de cultivo temporário, como milho, soja, feijão, arroz, maracujá, quanto as de cultivo fixo, como café e cacau, tiveram um aumento de 40% em sua produção”, disse.

“Em um dos testes, feitos no Acre, numa plantação de milho, foram utilizados numa parte da plantação o fertilizante NPK; e noutra, o andino. Com 20 dias os pés de milho fertilizados com o NPK mediam 69 cm de altura e os com o fertilizante andino, 95 cm”, garantiu. 

Ideal para solo amazônico

“E não são só estas as vantagens. O fertilizante andino é orgânico, pois os insumos de sua fórmula são retirados de minas nas montanhas da Cordilheira dos Andes, sem falar que todos os oito componentes da fórmula (fósforo, cálcio, magnésio, enxofre, ferro, zinco, cobre e manganês), também são orgânicos”, é o que diz o representante do produto.

“Para completar, o custo é bem mais baixo do que o de qualquer outro agrotóxico porque o que não falta para a produção do fertilizante andino são os insumos retirados das intermináveis montanhas andinas”, esclareceu.

“Estamos querendo abrir novos mercados no Brasil porque no Peru não temos uma cultura agrícola amazônica, como aqui. Lá, a agricultura é mais desenvolvida para o lado andino, e não para o lado amazônico, exatamente pela riqueza de nutrientes e minerais existentes na região dos Andes”, revelou.

“E o fertilizante andino se mostrou ideal para solos tropicais e ácidos, como o da Amazônia”, destacou.

“O fertilizante é importante até para minimizar essa questão do desmatamento na Amazônia, pois como aumenta em até 40% a produtividade de uma plantação, se um agricultor produz 10 toneladas de determinado produto, num hectare de terra, passará a produzir 14 toneladas nessa mesma área sem precisar derrubar uma única árvore sequer”, afirmou.

“Pra completar, o fertilizante é rico em cálcio. Após a segunda ou terceira aplicação dele no solo, o agricultor pode eliminar a utilização do calcário, que todo agricultor sabe ser necessário para balancear o PH do solo amazônico. Com essa medida, irá reduzir bastante o custo da produção”, revelou. 

De Lima a Manaus

Roberto Gomez começou a desenvolver a pesquisa para a produção do fertilizante andino há cerca de cinco anos. Aguardou a patente durante um ano e, ano passado começou a produzi-lo e comercializá-lo através da PerBra Holding, em Lima, no Peru e hoje com escritório em Rio Branco, no Acre, e em breve, com outro em Manaus.

“Os insumos são extraídos das minas, na Cordilheira, triturados e levados para a mistura com os outros componentes da fórmula na nossa fábrica, em Lima. De lá o produto vem de caminhão, por estrada, até Rio Branco, granulado, para não entupir as semeadeiras, ou em pó, para ser jogado no pasto, em sacos de 50 kg ou 1.000 kg”, informou Alejandro.

“Já estamos com clientes no Acre, ainda este ano vamos divulgá-lo no Amazonas e depois, com o sucesso feito aqui, pretendemos ir para o resto do Brasil”, adiantou.

Contatos com a PerBra: 9 8434-9933, e-mail: alejandro@perbraholding.com

Guano

O Peru é o maior produtor de um dos principais fertilizantes naturais e totalmente orgânicos encontrados no mundo: o guano, feito dos excrementos de pássaros como o cormorão guanay e o piquero. A indústria existe há séculos na costa do Peru. As fezes do pássaro já foram o centro da economia peruana, e chegaram a provocar guerras com os países vizinhos no século 19. Nos platôs da ilha Guanape Sur, há milhares de ninhos de piqueros e de cormorões, cujas fezes depositadas no solo, são ricas em nitrogênio. Em alguns lugares, os depósitos têm vários metros de profundidade. O guano, uma palavra da língua nativa da região, o quíchua, exerce um papel crucial na expansão da indústria de produtos orgânicos do país.

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