Opinião

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O desenvolvimento econômico regional e a Inovação

Processos que levam à inovação não é mágica nem panaceia

Por Nilson Pimentel

29 Jul 2019, 12h23

Crédito: Divulgação

Chegou a hora de se repensar em reestruturar a Feira Internacional da Amazônia (FIAM) para retomada de reacender à prática do pensar e agir sobre questões da inovação tecnológica oriunda, principalmente das alterações e mutações no sistema econômico mundial com a dita Indústria 4.0. Foram e ainda são realizados alguns seminários e workshops bem especificados sobre o tema da inovação e Indústria 4.0, em alguns sendo demonstrados alguns trabalhos de pesquisas acadêmicas e aplicadas nas questões das inovações tecnológicas como realidade desses tempos de mudanças na Oferta Agregada mundial de produtos e serviços.

Entretanto, as inovações tecnológicas sempre estiveram presentes no âmbito da indústria, incorporando novas técnicas e modificando os sistemas de produção, buscando ao aumento de produtividade e redução de custos, repercutindo e favorecendo o potencial da demanda. Há de se realçar que incorporar novas tecnologias permite elevar os graus de qualidade da oferta dos produtos e serviços, aumentando o fluxo comercial e estimulando o crescimento econômico geral.

Por outro lado, as inovações tecnológicas exigem mudanças e melhorias nos processos de gestão e nas estruturas orgânicas das empresas, públicas e privadas, propiciando diferentes interações entre os agentes econômicos, alcançando inclusive, senão como parte das transformações sociais e institucionais. Visto assim, a inovação tecnológica deve colocada na ambiência econômica e social no seu sentido mais amplo e vinculada aos processos de mudança e inovação social que a viabilizam.

Por vezes, o êxito competitivo das inovações não somente dependem da aquisição de novas máquinas, equipamentos tecnológicos, como de melhorias organizativas e mudanças sociais e culturais que permitam o estabelecimento de redes de comunicação mediante as quais seja possível unir esforços e gerar sinergias positivas tendo em vista os seguintes fatores: a) aumentar a qualidade dos serviços prestados pelas empresas (o que implica melhorar as relações pessoais no grupo de trabalho como requisito para incrementar a produtividade); b) manter e dinamizar o potencial de criatividade, inovação e solução de problemas (para o qual se requer um ambiente propício à expressão e ampliação dos talentos pessoais); e c) satisfazer às necessidades e exigências que surgem das constantes mudanças da demanda.

É preciso entender que a inovação tecnológica deve levar em consideração os principais elementos que levam aos processos de desenvolvimento econômico: o paradigma técnico-econômico, propiciar o regime de acumulação e geração de capital e a forma com se fará a regulação dessa inovação no contexto econômico que se insere. Vale ressaltar que os processos que levam à inovação não é mágica nem panaceia para a solução de algum problema técnico ou alternativa econômica, mas resultante de muito esforço e trabalho, de conhecimentos específicos e multidisciplinar para que se chegue ao produto da inovação que se objetiva, senão ocorre o vazio  de mais um trabalho técnico ou científico sem aplicabilidade produtiva.

Portanto, o paradigma técnico-econômico objetiva essencialmente os aspectos fatoriais em nível microeconômico, tais como a base tecnológica e energética, a estrutura produtiva setorial e o territorial local, a ambiência empresarial, a organização do trabalho e a gestão empresarial, dentre outros. Levando-se a inovação aos processos de desenvolvimento econômico regional deve-se levar em conta que políticas que se concentram exclusivamente na correção dos desequilíbrios macroeconômicos é insuficiente para garantir mudanças da ambiência econômica e empresarial e, incapaz de assegurar o processo de desenvolvimento produtivo objetivo.

Quando na ex-SEPLAN se iniciou os processos de elaboração do projeto Parque Industrial Municipal em municípios da Região Metropolitana de Manaus (RMM) em conjunto com equipes técnicas municipais se deparou com alguns fatores determinantes quanto aos procedimentos de levar inovações para a reorganização dos processos de produção nos municípios trabalhados então, pois o regime de acumulação e geração de riquezas possuem diversas inter-relações para alcançar o equilíbrio macroeconômico entre as diversas fases do processo econômico, modo de produção local, necessidades de financiamentos, escoamento e distribuição de produtos, regime de comercialização, criação de fluxos excedentes e, mercado de e consumo, com a finalidade de garantir o processo de acumulação e reinversão produtiva, ampliando-se a geração de riqueza, do emprego e da renda.

Também, procurou-se entender que as etapas que se consegue caminhar dentro daqueles fatores, as vantagens competitivas identificadas no espaço territorial local não se baseiam essencialmente nos baixos custos da mão-de-obra, no locus economicus favorável regional, aspectos logísticos propícios e, nem nos incentivos fiscais, mas em um complexo sistema integrado de gestão do negócio, o que leva ao êxito de melhores níveis de lucro.

O que se denota, nesses processos intervencionistas que levem inovação ao sistema produtivo regional municipal, são que as vantagens comparativas absolutas de caráter estático, certamente, serão  substituídas por vantagens competitivas  dinâmicas, calcadas na introdução constante de inovações tecnológicas, organizativas e de gestão, proporcionadas por análise na incorporação do sistema de informação, de conhecimentos científicos e tecnológicos, em que o capital humano de qualificação seja primordial. Da decisão de se prosseguir no desenvolvimento do processo do projeto de Parque Industrial Municipal estava procurando-se sedimentado na estratégia do desenvolvimento econômico regional local de identificação, tipificação e normatização, que possibilite a exploração dos recursos naturais, como potenciais econômicos existentes nos espaços locacionais do município, como alternativa que justifique um processo de incorporação, de forma progressiva, as inovações tecnológicas, organizativas e sociais, as quais permitam a criação de novas atividades econômicas, manter maiores níveis de valor agregado na produção, abrir mercados, revitalizar setores experimentados da economia local, fortalecendo a economia regional municipal.

Assim sendo, se pode aplicar prioridade à inovação tecnológica que viabilize o processo de desenvolvimento regional naquelas localidades intervencionadas.

*Nilson Pimentel é economista, engenheiro, administrador, mestre em economia, doutor em economia, pesquisador, consultor empresarial e professor universitário: nilsonpimentel@uol.com.br.

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