Opinião

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O desenvolvimento do AM e as alternativas econômicas

O governo estadual deve perseguir esse modelo, quebrando o paradigma

Por Nilson Pimentel

12 Mai 2019, 18h56

Crédito: Divulgação

Tanto se tem tratado sobre o modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) que depois de 52 anos de sua implementação tem sofrido as mais mordazes críticas e ameças, mesmo que todos aqui no Amazonas reconheçam que encontra-se em declínio na gestão e governança modelar e nas questões tecnológicas sem nenhum poder de atração de novos investimentos.

Podemos deixar para outra oportunidade o tema sobre a “exportação de crédito” para o Brasil, como acusam alguns, mas para os economistas e pesquisadores da área de Desenvolvimento Econômico Regional defendem a tese que ainda restam demandas insatisfeita no mercado brasileiro para os produtos-commodities eletroeletrônicos que essas empresas aqui do Polo Industrial de Manaus (PIM) produzem e, não se espera que nenhum player de classe mundial, produtor de tecnologia, possam vir algum tempo aportar aqui na ZFM, como vislumbram alguns.

Essa matriz econômica instalada no PIM ainda será por algum tempo a maior fonte de renda da Economia do Amazonas. Entretanto, a construção do futuro desse estado se dará através da matriz econômica endógena, não tem outras formas de desenvolver o Amazonas que não seja por aproveitamento na racionalidade econômica dos inúmeros potenciais econômicos naturais (os quais todos já exaustivamente conhecidos e descritos), pois o pessoal do Clube de Economia da Amazônia (CEA) não acredita que se desperdiçará mais 50 anos, em contemplação desse imenso manancial que o Amazonas possui.

Assim sendo, ressalte-se que o processo de globalização, impondo a reorganização da produção em escala mundial, já ocorre há bastante tempo, dando origem a um rápido crescimento do comércio de bens intermédios e, na medida em que os processos de produção se tornam mais internacionalmente fragmentados, as empresas situadas em diferentes países participam na produção de um mesmo bem final, mas em diferentes fases da cadeia produtiva, fazendo com que o valor agregado da cadeia é dividido por vários países e empresas e envolve, cada vez mais, fluxos de comércio internacional de bens pertencentes a um único setor, mas em diferentes fases de produção, como se pode identificar no PIM.

Para os pesquisadores do CEA, a segmentação internacional dos processos de produção é estimulada pela busca da minimização dos custos e economias de escala que surgem através da expansão dos mercados globais, isto para esses produtos que se identificam como produtos-commodities eletroeletrônicos. Por outro lado, essa segmentação é realizada por indústrias em processos produtivos discriminados em operações independente e tecnologicamente separadas, fornecendo insumos intermediários tecnológicos destinados a um produto final, ou seja, são produtores exclusivos de tecnologia.

Logo, as estratégias empregadas pelas empresas multinacionais produtoras de tecnologias fomentam o comércio internacional e a segmentação internacional dos processos produtivos, de modo que as empresas têm desenvolvido políticas de abastecimento baseadas em adquirir insumos de fornecedores internacionais, inclusive de países geograficamente distantes, com o objetivo de um melhor aproveitamento das vantagens comparativas dos diferentes países. Haja vista, essas estratégias de segmentação internacional de comércio desses bens tecnológicos, faz com que diversos economistas defedam a tese que a ZFM/PIM não tenha condições de fatoriais para atrair esses players internacionais tecnológicos, tendo a contínua situação de comércio de praticar as importações desses bens para formatar os bens finais (produtos-commodities eletroeletrônicos) aqui produzidos.

Observa-se que a prática do outsourcing, ou seja, a importação de insumos intermediários por empresas nacionais tem constantemente crescido e pode ser interpretado como uma resposta ao aumento da competitividade internacional e da concorrência das importações de bens intermediários tecnológicos. A tese de que na ZFM/PIM não atraia os players tecnológicos internacionais é por constatação de que a integração produtiva, além de aumentar a competitividade das cadeias produtivas, traz como conseqüência, entre outros fatores, maiores oportunidades de integração de pequena e médias nesse mercado internacional, oportunidades de transferência de tecnologia entre os países, otimização dos gastos em P&D&I (pesquisa, desenvolvimento e inovação) e a redução das assimetrias existentes entre países com diferentes níveis de desenvolvimento econômico.

Portanto, a construção de um futuro promissor para o Estado do Amazonas está em se trabalhar para que a matriz econômica amazonense seja de modelo endógeno, mesmo que na primeira fase, se dê por segemento sem integração produtiva e nem de fluxos convergentes em tecnologia, mas a sociedade e o governo estadual deve perseguir esse modelo, quebrando o paradigma da contemplação do bioma amazônico que existe há décadas no Amazonase.  

*Nilson Pimentel é economista, engenheiro, administrador, Mestre em Economia, Doutor em Economia, Pesquisador, Consultor Empresarial e Professor Universitário: nilsonpimentel@uol.com.br

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