Opinião

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O Desenvolvimento Endógeno - Amazonas II

Esse desenvolvimento pode levar em conta as especificidades de cada local

Por Nilson Pimentel

15 Jul 2019, 12h29

Crédito: Divulgação

Para nós, amazonenses, não existe nada mais importante que o projeto Zona Franca de Manaus (ZFM) e seu Polo Industrial de Manaus (PIM), mesmo sabedores que esse modelo carece urgentemente de reformulações, quando se trata sobre questões do Desenvolvimento Econômico Regional, e que nesses últimos 52 anos não se implementou na região amazônica nenhum outro projeto de desenvolvimento econômico tão significativo economicamente que pudesse substituir o ZFM em curto ou médio prazo.

Visto assim, em primeira anuência pode-se induzir que a Região Amazônica ou o Amazonas não seja dotado de imensos repositórios de Recursos Naturais de fauna e flora, que não possam ser explorados economicamente. Contudo, a realidade nos revela outras formas de abordagem técnico-científica na racionalidade econômica. Assim, os pesquisadores do Clube de Economia da Amazônia (CEA) se posicionam quanto às discussões acerca das teorias de desenvolvimento regional, sobretudo àquelas que propõem à analise espacial de seu imenso território, com a utilização de novos mecanismos de organização política e instrumentos de gestão decisória capazes de impulsionar os recursos específicos desses espaços territoriais, tornando-os mais adequados a intervenção efetiva de determinadas políticas públicas específicas para este fim.

A volatização do capital mundial torna-se ou constitui forte mudança na ordem econômica deste século XXI, principalmente nos modos de produção e nas relações do trabalho. Em face da intensificação imperiosa do comércio internacional e a distribuição regional mundial da produção pelo lado da Oferta, que influencia em determinados países, uma nova visão de seu regionalismo, tanto na Demanda, quanto na especialização da oferta de determinadas Commodities.

Para os economistas do CEA, no Amazonas existe uma plêiade de profissionais qualificados e capacitados que conhecem as questões que envolvem os recursos naturais e as potencialidades econômicas amazonenses capazes de realizar o Planejamento Econômico Estratégico que se necessita à consecução de um Plano Econômico de Desenvolvimento Regional do Amazonas, conhecedores que esse desenvolvimento regional endógeno engloba um processo de integração entre diversos setores produtivos regionais (o Amazonas comporta nove sub-regiões incluindo seus 62 Municípios) e seus componentes socioculturais.

Atualmente, o Amazonas com seu governo inerte, traz para cá consultorias externas, que em nosso entender, já se viu isso anteriormente, principalmente com a Monitor, de Michael Porter, que não deram em nada, decisão errônea, desperdício de recursos público. O pessoal do CEA discute as idiossincrasias de determinadas sub-regiões amazonenses para entender as formas e os tipos que levaram àquele estágio de defasagem no desenvolvimento espacial de cada município, haja vista, as características mais fortes identificadas e suas peculiaridades regionais, conhecendo-se que os recursos naturais existentes ou subprodutos deles decorrentes, nem sempre poderão ser passíveis de aproveitamento na racionalidade econômica.

Assim, esse desenvolvimento endógeno pode levar em conta as especificidades de cada local, aspectos estes que têm significado em mapeamento econômico espacial do território específico em cada município. Pois, assim se entende que o desenvolvimento endógeno adquire complexidade muito maior que o simples crescimento do produto e da renda, mas da percepção de melhorias na situação de vida dos atores sociais. Acrescente-se a isso, a percepção do apelo global que permeia a questão regional, pelo lado da Oferta (origem amazônica), que possa agregar inovações tecnológicas produtivas e competitividade, como agenda local regional.

Será sempre com essa construção que se poderá desaguar na arquitetura adequada a um Plano Econômico de Desenvolvimento Regional do Amazonas, que seja complementar, economicamente, às riquezas produzidas no PIM/ZFM. A construção do futuro econômico para o Amazonas passa por essas estratégias de constituição de um ambiente produtivo inovador, na qual as formas de cooperação e integração das cadeias produtivas locais, de valor, transbordamento da oferta e dos fluxos econômicos e sociais se desenvolvam e se institucionalizem de tal modo, que ampliem as oportunidades locais regionais, criando postos de trabalho e renda, atraindo novos negócios e proporcionando condições adequadas de desenvolvimento para o capital humano sustentável, visto que essa sustentabilidade adote a identificação das potencialidades locais regionais para superar as desigualdades na esfera econômica, observado ali a preservação ambiental e a racionalidade econômica.

*Nilson Pimnentel é economista, engenheiro, administrador, Mestre em Economia, Doutor em Economia, Pesquisador, Consultor Empresarial e Professor Universitário: nilsonpimentel@uol.com.br

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