Empreendedorismo

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Mulheres empreendem e enfrentam desafios no mundo dos negócios

Desafios do sexo feminino na atmosfera empreendedora tem sido um luta diária na busca de credibilidade e reconhecimento

Por Antonio Parente

08 Mar 2019, 09h05

Crédito: Divulgação

Mulheres empreendedoras falam dos desafios diários de alavancar o seu negócio e do eterno preconceito que ainda as perseguem em pleno século XXI. O relatório Global Gender Gap 2018 aponta que, em todo o mundo, elas precisam de mais de 200 anos para conquistar o mesmo espaço que os homens no segmento empresarial. No Brasil, apenas 38% das profissionais do sexo feminino ocupam cargos mais altos nas companhias.

Em um mercado repleto de homens que ainda dominam, os desafios do sexo feminino na atmosfera empreendedora tem sido um luta diária na busca de credibilidade e reconhecimento. Há mais de 15 anos no mercado de beleza e estética, Luzia Costa, 37 anos, casada e mãe de dois filhos, criou duas redes de franquias: Sóbrancelhas e Beryllos. Ela fala dos desafios encontradas pelo sexo feminino no neste mundo competitivo.

“O Julgamento desigual é comum para quem está começando, principalmente quando é mulher. Tem homem que não aceita. O medo de fracassar bate sempre porque ele é sustentado com dúvida, crítica ou o pelo fato de elas acharem que estão em um patamar diferente e acabam confiando mais no sucesso dos outros do que dela. Infelizmente ainda existe muitas barreiras para a mulher no mundo do empreendedorismo. É uma luta de tubarão. É difícil no início”, disse.

Luzia explica que um dos maiores preconceitos que a mulher ainda enfrenta é o rótulo de sexo frágil. Ela conta que, embora as mulheres tenham mostrado a força e garra de vencer os obstáculos diariamente, elas ainda carregam o desafio o papel de ser mãe e empresária.  “O equilíbrio entre a vida familiar e profissional é um grande desafio. Ela tem esposo, filho e uma família para cuidar. Se o filho está doente, ela precisa cuidar dele. Muitas empresas não entendem isso e não valoriam o trabalho delas. São muitos pontos que têm levado esse preconceito. Isso tem levado elas a se mexerem e empreenderem a cada dia mais”, frisou.

Foi motivada por essas barreiras e dificuldades, que a pedagoga Ramilda Costa de Araújo, de 40 anos, abriu  o próprio negócio. Professora desde o antigo magistério e com 24 anos de atuação na área da educação, a professora criou um Espaço de Educação e Desenvolvimento Infantil. Voltado para crianças com dificuldades de aprendizagem, o espaço oferece um reforço diferenciado de acordo com a necessidade particular de cada aluno e família. Além disso, oferece consultoria pedagógica para escolas, estudantes de pedagogia e professores.

“Acredito na educação no meu país e acredito na diferença que pode ser feita, plantando sementes. Sempre amei o universo da sala de aula. Os desafios que enfrentamos com cada criança e com os pais que muitas vezes não entendem que o aluno precisa de acompanhamento diferenciado. Só quem está na sala de aula é quem sabe. Mas uma coisa sempre foi certa pra mim. Eu precisava  acreditar na instituição na qual estava, pois nunca brinquei de 1escolinha1, meu trabalho é muito sério”, disse.

Segundo dados do Sebrae nacional (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), em março de 2018, as mulheres já representam 48% dos MEIs (Microempreendedor Individual), um total de 6,3 milhões de empreendedores. Números estes as quais Ramilda faz parte. Ela conta, que as experiências vividas em diversas instituições onde lecionou contribuíram para que ela adquirisse conhecimento e experiência para atuar como gestora.  Agora como empresária, planeja implantar uma filosofia de trabalho totalmente diferenciada valorizando o capital humano e seus perfis profissional de cada um. E em 2020, planeja expandir a área de atuação criando uma escola de educação infantil bilíngue para crianças de 2 até 5 anos. Com aulas de tecnologia, trabalho socioemocional e robótica.

“O que mais me motivou a abrir meu próprio negócio foi o tratamento que a gente tem em algumas instituições no sentido de as pessoas não terem empatia de lidar com o ser humano. Tenho a filosofia de que se as pessoas estão bem o trabalho flui. Isso me motivou bastante. Quero semear a empatia. Orientar com respeito e tratar as pessoas da forma que eu gostaria de ser tratada e ensinar os professores a fazer o mesmo. Acabava sendo uma liderança entre os professores. Isso me tirando de sala de aula para trabalhar na parte de gestão.  Como orientadora, supervisora, coordenadora educacional. Na verdade era isso que faltava. Hoje vejo que eu só poderia partir para iniciar o meu próprio empreendimento depois que passasse por todos esses setores.”, conta.

Desafio

Responsável pela produção de eventos do espaço cultural Curupira mãe do mato, a empresária Gabriela Refosco, de 43 anos, fala um pouco da sua experiência como empresária na atualidade. “Ser mulher já é um desafio e quando se trabalha com a noite existe sim preconceito, pelo fato de ainda ser um universo bem masculino. Sempre existem desafios para as mulheres empreender pois o machismo é gritante e ele nos manda ficar em casa lavando passando e cozinhando”, disse

Inaugurado em agosto de 2018, o espaço tem a intenção de apoiar os artistas locais criando um ambiente para que eles possam apresentar seu trabalho, tanto para teatro e música, quanto para dança e exposição. “O diferencial da casa é que ela trabalha com ingredientes regionais uma boa variedade de chopes todos produzidos aqui. E dar liberdade de expressão para nossos artista”, frisou.

Luzia Costa é especialista em estética e imagem pessoal

Perfil mulheres empreendedoras

Luzia Costa fundadora da Sóbrancelhas e Beryllos

A empresária nasceu na cidade Passa Quatro, no estado de Minas Gerais em 1980. Luzia é especialista em estética, massoterapia, imagem pessoal, em técnicas de sobrancelhas com destaque em micropigmentação e microblading.

Com uma história de garra e sucesso, ela  coleciona prêmios de destaque no mercado, como Prêmio Grandes Mulheres, na Categoria de Médias Empresas, realizado pela Pequenas Empresas e Grandes Negócios e Facebook; Destaque Empresarial 2018 & Revelação na área de Empreendedorismo Social; Prêmio Empresário do Ano Top of Quality Gold Internacional; Empresa Referência Nacional Melhores do Ano, pela Agência Nacional de Cultura, Empreendedorismo e Comunicação; Prêmio Quality Brasil; Prêmio Empresa Brasileira do ano 2015; entre outros.

Atualmente, ela está à frente das duas redes de franquias, e compartilha sua experiência em eventos e palestras com os demais empresários, futuros empreendedores e outros públicos, para inspirar e engajar neste mercado tão concorrido. Em 2019 tornou-se membro do Conselho Curador da Plan International Brasil, organização não governamental com mais de 80 anos de existência, valorizando e defendendo os direitos das crianças, adolescentes e jovens com o objetivo de reforçar a igualdade de gêneros.


 

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