Construção

COMPARTILHE

Mudanças no Minha Casa, Minha Vida traz insegurança ao setor

Por Andréia Leite

17 Mai 2019, 09h30

Crédito: Divulgação

As mudanças anunciadas pelo presidente Jair Bolsonaro para destravar o programa Minha Casa, Minha Vida, ampliando a utilização dos recursos do FGTS e a redução da participação do governo de 10% para 3%, geram um consenso entre os representantes do setor que não concordam com a medida que traz insegurança mais uma vez para o mercado.

Segundo o vice-presidente da Ademi-AM, Hélio Alexandre, a ideia do governo pode até ser uma alternativa  para flexibilizar o orçamento que está estourado, mas que não seja uma medida permanente. “O FGTS foi criado com uma finalidade: habitação planejada. Hoje o Governo não está gerando recurso, pelo menos ainda não neste primeiro momento, e tudo o que está sendo administrado são recursos existentes. Porém, desviar a finalidade do FGTS é prejudicar o setor da habitação, moradia para as pessoas que precisam, geração de empregos na construção civil”, opina Hélio, citando ainda que o fundo de garantia tem uma finalidade e não pode ser objeto para “tapar buraco”.

O presidente da comissão da indústria imobiliária do Sinduscon-AM, Marco Bolognese, avalia como um retrocesso e declara que a medida é extremamente prejudicial. “A diminuição desses subsídios traz reflexo direto ao  comprador final destes imóveis. A população de baixa renda que é a principal fonte consumidora deste recurso, que realmente precisa, não terá condição de comprar um imóvel sem esse subsídio”. Segundo Bolognese o maior impacto é nos imóveis da faixa 1, onde é investido o maior subsídio do governo federal, nas demais faixas o impacto seria menor.

Para Marco, o mercado avalia esta decisão como ruim. As medidas que o governo têm colocado, está criando uma insegurança muito grande. Além da redução, outra situação tem movimentado o setor, a ideia de um novo modelo de programa MCMV, que, conforme Marco, a ideia é mudar um pouco contexto do modelo habitacional. “Isso traz uma insegurança muito grande. O mercado já não está respondendo da maneira que a gente precisa, e ainda surgem os sinais do governo que a gente não consegue entender, aí complica ainda mais”.

A ideia do governo em repor a diferença com a ampliação dos recursos do FGTS em 97% é inviável. “O fundo de garantia já responde por mais de 80% desse recurso, o governo federal coloca muito pouco, então não existe mais recurso no FGTS para aumentar a participação nesta composição. O fundo já está no seu limite”, lembrou.

A diferença do fundo curador que administra o recurso do FGTS de 90% e passaria a contribuir com 97%, é avaliada também pelo diretor da incorporadora Morar Mais, Henrique Medida, que detém vários empreendimentos dentro do programa. Ele explica que nas faixas 1,5 e 2, existe o subsídio que é dado ao cliente de acordo com a sua renda, então,  quanto menor a renda, menor o valor da unidade e maior o subsídio, que será abatido no valor do imóvel. Em Manaus, este subsídio é de até R$ 38 mil. “A redução dessa participação é um absurdo. Não é possível que o governo não pode dar uma contrapartida de 10%, um valor pequeno e ainda quer reduzir para 3%”.

Apesar do mercado ver com muita preocupação a decisão, Medina concorda que seja uma solução paliativa para que os empreendimentos destas faixas continuem sendo contratados. Ele atribui a dificuldade financeira e a necessidade de contingenciamento de recursos,  ao impasse em torno da aprovação da reforma da Previdência. “Os investimentos estão sendo poucos. No meu entendimento essa decisão poderá ocorrer, para o programa não parar, mas é importante salientar que tenha um prazo. O FGTS ajuda o governo aportando um pouco mais, mas que tenha um prazo para que isso aconteça para que também não se comprometa ainda mais. O FGTS tem que ser preservado, e a finalidade específica dele tem que ser cumprida”, defendeu.

O presidente da RD Engenharia, Romero Reis, defende que os pontos da decisão do governo ainda não estão esclarecidos, mas declara que não ver a medida com bons olhos. “Eu acho que isso vai tirar dinheiro do FGTS num momento que ele está com o caixa bastante apertado. Neste momento não é uma boa decisão. Mas os ajustes estão sendo estudados”.

Ele também defende que o maior desafio para impulsionar o mercado é aprovar a reforma da Previdência. Ele entende que ao ser aprovada, a posição de responsabilidade do governo para a sociedade brasileira e internacional certamente vai trazer otimismo.  O risco-país vai cair, o dólar vai ficar contido e vai haver um restabelecimento num parâmetro fundamental da economia que é a confiança os investimentos tanto internos quanto externos virão. “O Brasil vai passar a ter um novo ciclo de desenvolvimento, portanto, é preciso esperar, e certamente com  a aprovação da reforma mantendo a economia de R$ 1,1 trilhão ao longo de dez anos, vai destravar o Brasil e o mercado imobiliário e todos os setores serão beneficiados com isso”.

Direcional entrregou o Conquista Flores

Apartamentos prontos para morar

Na outra direção, quem busca por seu primeiro imóvel, e conseguiu crédito na regra atual tem muito a comemorar. A Direcional entregou antes do prazo o Conquista Premium Aleixo.

A entrega das chaves foi antecipada em 30 dias. No último fim de semana, 343 moradores compareceram ao evento organizado pela Direcional Engenharia para entrega do imóvel, reunindo as famílias no condomínio, que fica na região do Aleixo.

A data da entrega prevista em contrato era 30 de abril e a antecipação aos moradores foi motivo de muita festa. As 400 unidades do condomínio já estão prontas para ocupação imediata. No evento, os compradores e seus familiares festejaram o novo imóvel com muita música e atrações para as crianças.

Para a coordenadora de materiais Mariana Vasconcelos, de 30 anos, que recebeu no último sábado (30/04) o imóvel comprado para a mãe, a antecipação da entrega do Conquista Premium Aleixo já era esperada. “Acompanhei a obra desde a compra e durante toda a construção a Direcional esteve à frente do tempo previsto”, afirma emocionada por conseguir finalmente eliminar os custos da mãe com o aluguel.   

Para o industriário de 41 anos, Gilson Figueiredo, receber o imóvel antes do prazo para morar com a família impactou imediatamente em seu orçamento doméstico: “Estava guardando dinheiro para a encomenda dos móveis planejados e, com isso, já consegui fechar com a loja de modulados. Foi uma ótima notícia!”.

O Conquista Premium Aleixo em Manaus reúne apartamentos de dois quartos, com ou sem suíte, com ampla estrutura de lazer: piscina, playground, espaço gourmet, churrasqueira e área fitness.

Veja Também