Opinião

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Motivos pelos quais defendo a cadeia de malva e juta

O juticultor não pode pagar a conta dos problemas que aconteceram no pagamento da subvenção estadual

Por Thomaz Meirelles

19 Fev 2019, 10h33

Crédito: Divulgação

Um ano atrás, exatamente no dia 20.02.2018, escrevia nas páginas centenárias do nosso Jornal do Commercio o artigo com o título “O juticultor não pode pagar essa conta”. Hoje, ciente do pedido de importação de milhares de toneladas juta/malva de Bangladesh, do fato dos governos passados não quitarem a dívida com os juticultores (subvenção estadual de R$ 0,40 kg), nem comprarem sementes no Pará para distribuição ao interior, volto a elencar os motivos que me levam a defender essa cadeia produtiva que pode levar milhões ao interior do estado. É do meu conhecimento que o atual governo (Wilson/Petrucio) já está analisando todos os processos pendentes da subvenção (pagar o que for correto), assim como articulando a volta da compra de sementes de malva a um preço justo e que atenda aos controles de qualidade do MAPA/SFA-AM.

Eis os motivos da minha defesa...

  1. O juticultor não pode pagar a conta dos problemas que aconteceram nas operações financeiras da AFEAM que envolveram setores da cadeia produtiva de juta e malva. Isso deve ser apurado, mas certamente o erro não foi do juticultor;
  2. O juticultor não pode pagar a conta dos problemas que aconteceram no pagamento da subvenção estadual. Isso também deve ser apurado, mas com toda certeza o juticultor não teve culpa; 
  3. Pouco tempo atrás, acompanhei a equipe de reportagem da Rede Amazônica ao interior de Manacapuru para produzir matéria justamente sobre a juta e a malva. Confesso que na minha cabeça só queria saber, em campo, in loco, se o juticultor ainda tinha interesse ou não na atividade. Essa matéria está disponível na internet, mas confesso que deixei a zona rural certo de que deveria continuar defendendo essa atividade por tudo que vi e ouvi. "É a que mais deixa renda e não é perecível". Essa foi a frase que mais ouvi nessa caminhada;
  4. O juticultor não tem culpa se a máquina descorticadora ainda não chegou ao campo. É papel do poder público, nosso, meu também, fazer com que esse experimento que já dura anos acabe de uma vez por todas e beneficie o juticultor. Lembro que já tem uns dez anos que testamos essa máquina no auditório da CONAB; 
  5. O juticultor não tem culpa se a produção de sementes no Amazonas não passa de promessa não cumprida. Ufam e Embrapa querem que isso aconteça, mas sem apoio do governo estadual fica difícil;
  6. A fibra tem preço mínimo, portanto, se houver problema de mercado a Conab pode comprar. Nesse aspecto, temos que ficar de olho na questão da armazenagem;
  7. A importação de outros países está levando milhões que poderiam ficar no interior do Amazonas;
  8. Com muita luta do Amazonas, em especial da Faea e do deputado Luiz Castro, conseguimos que a diretoria da Conab aprovasse a compra de sacaria biodegradável para uso no estoque público de milho (Vendas em Balcão). Contudo, até hoje nenhuma compra foi efetuada pela Conab. Culpa dos últimos governadores, de pouquíssimos deputados estaduais que defendem o setor primário de forma sistemática e responsável e de uma bancada federal distante do setor rural. Espero que a atual bancada federal atue de forma diferente, que não só foque no PIM/ZFM;
  9. Sempre ouço o presidente da Faea, Muni Lourenço, dizer que é o produtor rural quem deve decidir seu caminho, ou seja, o que plantar, o que criar, jamais os governos. Concordo com o Muni, devemos respeitar o produtor e ajudar no que for possível; 

*Thomaz Antonio Perez da Silva Meirelles é administrador, servidor público federal aposentado, com especialização na gestão da informação ao agronegócio. E-mail: thomaz.meirelles@hotmail.com 
 

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