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Mobilidade crítica com obras de infraestrutura afeta negócios

dirigentes e empresários do comércio ouvidos pelo Jornal do Commercio são unânimes em reconhecer que as obras são necessárias, mas temem redução da demanda pela dificuldade de deslocamento

Por Marco Dassori

16 Abr 2019, 10h20

Crédito: Marco Dassori

Os transtornos decorrentes das obras da Prefeitura de Manaus para a construção de duas passagens subterrâneas na avenida Constantino Nery, na altura da entrada e saída do bairro São Jorge, preocupam as lideranças do comércio varejista da capital amazonense.

Uma semana depois da demarcação e implantação de bloqueios na área que receberá a intervenção urbana, já há relatos de atrasos diários de funcionários do setor varejista em alguns pontos da cidade, em virtude dos engarrafamentos criados pela dificuldade de fluxo, e das alterações de algumas rotas e pontos de ônibus nas imediações.

Os dirigentes e empresários do comércio ouvidos pelo Jornal do Commercio são unânimes em reconhecer que as obras são necessárias, mas avaliam que, assim que estas forem efetivamente iniciadas e ganharem intensidade, o fluxo da clientela para as lojas pode minguar – e até ser brecado –, em virtude das dores de cabeça no trânsito.

O comércio do Amazonas já vem de um momento difícil, em que os números negativos predominam. Na mais recente pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), referente a fevereiro de 2019, o setor amargou recuos de 0,1% em relação a janeiro, e de 1,5% na comparação com fevereiro de 2018, acumulando queda de 2,4% no primeiro bimestre.

O maior temor dos lojistas é que as dificuldades logísticas também inibam – ou até abortem – uma possível retomada, a partir da chegada de festas caras ao varejo. O setor está na reta final para arrematar as vendas para a Páscoa. Prepara-se também para uma escalada no faturamento com o Dia das Mães. Vale notar que esta última data é considerada o segundo Natal do setor, em termos de volume, em especial para itens de maior valor agregado, a exemplo dos eletroeletrônicos.  

Vendas e demissões

O presidente em exercício da Fecomercio-AM (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas), Aderson Frota, destaca que o fato de as obras serem realizadas em uma das artérias urbanas da capital e em uma área próxima aos maiores shoppings da cidade torna o problema ainda mais grave.

“Já está complicado, com o estrangulamento da Djalma Batista e outras vias de acesso. E vai complicar ainda mais, quando os trabalhos começarem mesmo. Essas interdições são necessárias, mas a Prefeitura tem que visualizar a consequências: acabam derrubando as vendas e gerando demissões em um setor já combalido pela crise. E o pior é que a obra, quando estiver pronta, vai aumentar o fluxo e transferir o problema para outro ponto da cidade”, lamentou.

Centro isolado

O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Ataliba David Antônio Filho, diz que sua maior preocupação é que o transtorno das obras some-se à atual redução do número de rotas de ônibus que chegam ao Centro Histórico de Manaus para afunilar as vendas dos estabelecimentos comerciais da região.

“A presença de agentes de trânsito na área é fundamental. Nos últimos dias, já tivemos problemas de atrasos de funcionários, mas observamos que eles estão se tentando se adaptar à mudança. Agora, se ficar ainda mais difícil para o consumidor chegar ao Centro, não sei como vai ser. A Prefeitura já está fazendo com que várias linhas de ônibus não cheguem mais por aqui. Mas, a maioria depende dos coletivos e ninguém vem a pé”, desabafou.

Oportunidades no engarrafamento

Já o presidente da CDL-Manaus (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus), Ralph Assayag, não vê motivos de preocupação para o setor e considera que a intervenção no trânsito da avenida Constantino Nery pode até gerar oportunidades em meio à atual crise. Desde que a avenida não seja interditada, quando as obras efetivamente começarem.

“As obras atingem pontualmente cinco ou seis empresas da área. Sabemos que transtornos acontecem e esperamos que a obra não leve mais tempo do que o previsto. Mas, da forma que fizeram, o tempo dos semáforos até reduziu. E há empresas que antes viam os veículos só passarem direto, mas que agora estão aproveitando para buscar oportunidades de negócio com o aumento do fluxo. É o caso das concessionárias nas imediações da obra”, concluiu.  

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