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´Meta é alcançar mais empreendedores´

Muni Lourenço, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae no Amazonas, fala dos desafios para a consolidação do empreendedorismo como opção sustentável para a economia

Por Evaldo Ferreira

21 Jan 2019, 21h08

Crédito: Divulgação

O administrador, bacharel em direito e pecuarista Muni Lourenço Silva Júnior tomou posse no início do ano como presidente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae no Amazonas prometendo dar ainda mais excelência às ações da instituição. Em entrevista ao Jornal do Commercio, Muni Lourenço detalhou alguns de seus atos à frente do Sebrae, falou de números e sobre as novas ações para 2019.

Jornal do Commercio: Está sendo um desafio estar à frente do Sebrae ou o Sr. domina todas as atividades que a instituição realiza ao longo do ano?

Muni Lourenço: Pelo exercício da condição de membro do Conselho Deliberativo já por vários anos, é um novo desafio. Primeiro, porque estou diante da responsabilidade de dar sequência ao exitoso trabalho executado pelo meu antecessor, o Dr. José Roberto Tadros, o qual, a partir deste ano passa a presidir o Sistema Sebrae em todo o Brasil. É notório e estratégico o papel do Sebrae na perspectiva do desenvolvimento econômico e social de nosso país e Estado, bem como, todos sabemos que o Brasil e o Amazonas estão vivendo momentos de mudanças políticas e ainda convivemos com um quadro de crise econômica preocupante e, neste cenário, é preciso alinhar o Sebrae e suas estratégias de atuação conforme o contexto, sempre buscando oferecer o apoio adequado e necessários para atuais e futuros empreendedores, pois temos a convicção de que fomentar o empreendedorismo e fortalecer as micro e pequenas empresas é uma indispensável forma de combater a crise econômica, gerando emprego, renda e mais oportunidades para todos.                   

JC: É impressão ou o Sebrae nunca esteve tão atuante como tem estado nos últimos tempos?

Muni: De fato, o Sebrae cresceu muitos nos últimos anos, tanto quanto à sua atuação na capital e em municípios do Estado, quanto na sua ampla oferta de serviços e produtos paras as micro e pequenas empresas. Isso se deve a um trabalho conjunto realizado pelo Conselho Deliberativo Estadual, da Diretoria Executiva e de todo o corpo técnico. Em nossa administração, vamos dar continuidade e ampliar o conjunto de ações do Sebrae, alcançando cada vez mais empreendedores tanto de Manaus quanto dos municípios do Amazonas, contribuindo assim para a interiorização e diversificação da economia amazonense.            

JC: Por que estão surgindo tantos empreendedores no país? Seria o alto número de desempregados buscando novos rumos ou as novas leis trabalhistas?

Muni: Isso ocorre devido a uma combinação de fatores, mas o desemprego contribuiu para o surgimento de muitos negócios, principalmente informais, já que as ‘novas’ leis trabalhistas, na verdade, são resultado de situações que já ocorrem no mercado e que na verdade precisam ser revistas ou previstas. Como exemplo a Lei 13.352/2016, conhecida como Lei do Salão Parceiro, que entrou em vigor em janeiro de 2017, a qual permite que proprietários contratem MEI’s sem que precisem assinar a carteira. A lei reviu uma situação que já existia, os colaboradores atuavam mais como parceiros do que como realmente colaboradores. Também podemos destacar uma mudança de comportamento no perfil do jovem, que desiste de procurar pelo primeiro emprego e busca muitas vezes empreender por conta própria.

JC: Em números, como tem sido o surgimento de novas micro e pequenas empresas no Amazonas?

Muni: No ano de 2018, foram constituídas 4.431 empresas e encerradas 2.171. Verifica-se que houve crescimento, em relação a 2017, quando o número de empresas registradas foi de 5.114 empresas, e encerradas 4.175.  

JC: Hoje quantas micro e pequenas empresas existem no Amazonas e quantas pessoas empregam?

Muni: Os dados do Sebrae Nacional, a partir da base da Receita Federal de 2018, apontam que os pequenos negócios no Amazonas alcançam 119.275, destes, 51% são MEI’s (Micro Empreendedores Individuais); 39% são ME (Microempresas); e 10% são EPP (Empresas de Pequeno Porte). Do total do número de empresas, cerca de 63% estão concentradas na cidade de Manaus e 73% na Região Metropolitana. Outro dado importante dos negócios no Estado, em razão da sua melhor distribuição espacial, são os 160.801 produtores rurais. A estimativa de crescimento do número de pequenos negócios para 2019 é da ordem de 11,5%, ou seja, ao final de 2019, esperamos ter no estado 132.966 pequenos negócios. Os dados da RAIS/MTE (2018) indicam que do total de 394,4 mil empregos formais, os pequenos negócios representam 42%, equivalente a 165,6 mil. A massa salarial acumulada, no período, foi de R$ 697,3 milhões, sendo 34% de pequenos negócios, representando R$ 235,8 milhões. O Anuário Estatístico da SEPLANCTI apresenta que em 2016 o PIB do Amazonas foi da ordem de R$ 89 bilhões. Se utilizarmos a informação do estudo do Sebrae/FGV/IBGE (2011) na qual, a participação dos pequenos negócios no PIB do Brasil é de 27%, podemos inferir que se a contribuição na formação do PIB do Amazonas fosse na mesma proporção, em 2016, a contribuição dos pequenos negócios representaria R$ 24 bilhões.

JC: Este ano teremos alguma novidade em termos de seminários, cursos, palestras ou eventos?  

Muni: Sim, O Sebrae/AM já possui toda uma programação para o ano de 2019. Vamos repetir experiências exitosas que tivemos em 2018. Através das Caravanas de Negócios iremos realizar em torno de 29 ações em Manaus e em mais 26 outros municípios ao longo do de todo ano. Em maio teremos a 11ª. Semana do Microempreendedor Individual; em outubro, o Mês das Micro e Pequenas Empresas, entre outros eventos como a Semana Nacional de Educação Financeira, a Semana Global de Empreendedorismo; em novembro, o Congresso Amazônico de empreendedorismo e Inovação, Festivais de Negócios. Temos, ainda, toda uma programação de cursos e palestras realizadas em Manaus e nos oito escritórios nos municípios onde atuamos com escritórios regionais.