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Mercado de seguro animado com cenário à vista no Amazonas

Ano é promissor para o segmento, dada a recuperação da economia e o fato de o mercado amazonense ainda ser pouco explorado

Por Marco Dassori

30 Jan 2019, 19h34

Crédito: Divulgação

Deve demorar, as mudanças sinalizam ser pontuais, mas a liberação do porte de armas de fogo promete impactar de alguma forma o segmento de seguros. Independentemente da medida federal, o ano é promissor para o segmento, dada a recuperação da economia e o fato de o mercado amazonense ainda ser pouco explorado.

“A lei permite apenas a posse da arma e faz várias restrições. Acredito que as ocorrências de sinistros que poderão gerar não impactarão significativamente nos negócios”, declarou o presidente do Sincor-AM/RR (Sindicato dos Corretores e das Empresas Corretoras do Amazonas e Roraima), Jair Antonio Martins Fernandes.

O dirigente pondera que, caso a demanda seja significativa, é possível despertar o interesse das seguradoras para a criação de produtos de seguro, específico, assim como nas “ocorrências dos sinistros”.

Proprietário da Arte Real Corretora e membro da diretoria do Sincor-AM/RR, Ernesto Vasconcelos, lembra que isso ainda não aconteceu. “Existe para armas de colecionador, não de uso habitual”, informou.

Vasconcelos avalia, contudo, que outras modalidades já presentes devem sofrer influência, como o seguro de vida e o seguro property de residência e empresa, com cobertura adicional de roubo e responsabilidade civil com danos morais. “Quanto a desfavorecidos, acredito que não teremos”, acrescentou.

Sócio e diretor da Mais Proteção Financeira, Erico Leonardo Pereira Parente, também não vê mudanças no curto prazo. O corretor, que também integra a diretoria da entidade, salienta que o mercado acompanha as mudanças, por meio de estudos socioeconômicos, e “entende a necessidade de seguros em função de um possível aumento da violência urbana, sobretudo homicídios”.

Ano promissor

Independentemente da medida, a expectativa é que a demanda deve ser forte em 2019, principalmente para o seguro de vida. “Temos boas expectativas para a economia. Se isso ocorrer, todos os ramos se beneficiarão e deveremos fechar o ano com crescimento significativo”, adiantou o presidente do Sincor-AM/RR.

O mercado brasileiro cresceu 9,18% até novembro, não incluindo o VGBL e o DPVAT – com a inclusão, houve queda de 0,82%. O destaque nacional foi a região Norte, com alta geral de 23,73%. “O aumento se deu em todos os ramos e foi maior que todas as regiões do país. O Amazonas avançou 23,78% no ramo de pessoas, 44,28% no patrimonial, e 20,75% no de automóvel”, informou Jair Fernandes.

A expectativa da Mais Proteção Financeira é crescer de 15% a 20% em 2019. Érico Parente conta que, embora sua empresa tenha apenas 18 meses, sua atuação pessoal no mercado já contabiliza dez anos. “Em 2018, houve um crescimento de 200% em nosso fluxo de negócios”, destacou.

Seu foco de trabalho é em benefícios de vida, saúde e Previdência, com ênfase na proteção financeira e planejamento futuro das famílias. “Também atuamos nos demais ramos. Mas, o seguro de veículos em 2017 e 2018 foi bem inexpressivo, em função da queda do número de venda de veículos novos”, ressaltou.

Arte Real Corretora projeta crescer 22% em 2019. Segundo Vasconcelos, planos de saúde e seguros de vida, saúde e dental devem continuar em alta. A ênfase é a Previdência Privada, em virtude da sinalização de reforma, mas o o seguro de veículos deve continuar sendo menos favorecido.

O dono da Arte Real considera que 2018 serviu para repor as perdas de 2016 e de 2017. Houve crescimento de 35% no ano passado, mas o triênio 2016/2018 contabilizou avanço de apenas 5%.

Particularidades regionais

Particularidades regionais contribuem para inibir o segmento. Uma delas é a concentração do mercado na capital, dadas as dificuldades de acesso ao interior e a fragilidade econômica dos municípios. “Ainda há uma demanda reprimida”, observou Érico Parente.

Vasconcelos aponta que o Amazonas tem um número reduzido de players. Há em torno de 950 empresas corretoras de seguros (PJ) e profissionais corretores de seguros (PF) no Amazonas. Mas, a quantidade de empresas não passa de 25.

A consequência é que o portfólio acaba não sendo oferecido integralmente no Estado, com a demanda suprida por companhias de outras regiões. “Muitos dos prestadores locais não atendem às especificações das seguradoras para prestar serviços de qualidade”, arrematou.

O presidente do Sincor-AM/RR diz que a maioria do Distrito Industrial contrata seus seguros fora do Amazonas, reduzindo seu potencial. O Estado contribui com apenas 0,65% das vendas do Brasil. “Se as apólices fossem contratadas pelos nossos profissionais, certamente estaríamos entre os maiores do Brasil”, concluiu.

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