Justiça

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'Maus Caminhos' chega ao ápice com prisão de Nezmi e irmãos de Omar

21 Jul 2019, 23h11

Crédito: Karine Pantoja

Nejmi, Murad, Amin e Mansour Aziz, respectivamente esposa e irmãos do senador Omar Aziz, foram presos na manhã de sexta-feira durante a Operação Vertex deflagrada pela Polícia Federal como desdobramento da operação Maus Caminhos que investiga o exercício de crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. 

Os presos serão encaminhados para Centro de Detenção Provisória Feminino (CDPF), e Centro de Detenção Provisória Masculino II (CDPM 2), ambos localizados no quilômetro 8 da BR-174 (Manaus - Boa Vista).

Foram cumpridos nove mandados de prisão temporária sendo oito em Manaus, e um em Brasília, 15 mandados de busca e apreensão, sete mandados de sequestro de bens móveis e imóveis, 18 bloqueios de contas de pessoas físicas e jurídicas, somando um total de aproximadamente R$ 92 milhões.

O delegado da Polícia Federal Alexandre Teixeira, que conduz a operação, informou durante coletiva de imprensa que todos os crimes praticados ocorreram quando o investigado ainda era governador. “A partir das investigações pudemos detectar que quando governador o Instituto Novos Caminhos assumiu a gestão de unidades de saúde do Estado, onde foram encontrados indícios de recebimento de vantagens indevidas ao governador e aos seus parentes”, afirma.

Ainda conforme Teixeira, as entregas destes valores eram pagos pelo empresário Mouhamad Moustafá, preso durante a Operação Maus Caminhos, e condenado a 15 anos e 4 meses de reclusão, acusado de ser o líder de um esquema que desviou milhões em verbas na Saúde no Amazonas.

“O esquema acontecia através do recebimento de dinheiro em espécie, ou por meio de negócios simulados ou superfaturados, como contratos de aluguéis, compra e venda de lotes e a entrega de veículos de luxo”, disse.  

O procurador Armando Castro afirmou que o Ministério Público acompanha o caso após a investigação ser desmembrada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao foro privilegiado de Omar, remetendo assim parte da investigação para a primeira instância.  “Com a deflagração da fase ostensiva, nós iremos analisar e aguardar o trabalho Polícia Federal, para posteriormente atribuir denúncia criminal aos agentes, caso necessário”, relata.

Ex-governador proibido de comunicar-se com os investigados

Ainda durante coletiva o delegado Alexandre Teixeira afirmou, que o senador está proibido de comunicar-se com os outros investigados no processo, como a esposa Nejmi Aziz e os irmãos Murad, Amim e Mansour Aziz. O ex-governador está ainda impedido de deixar o país.

Em nota, a assessoria de comunicação do senador Omar Aziz, informou que ele somente irá se manifestar após o seu advogado ter acesso aos autos do processo. 

Fases da Operação 

Deflagrada na manhã desta sexta-feira (19), a operação Vertex, está diretamente relacionada com as outras fases da Operação Maus Caminhos, sendo elas as operações Custo Político, Estado de Emergência e Operação Cashback.

Na operação Maus Caminhos, foi a investigação de corrupção com maior volume de recursos públicos, agentes públicos da alta cúpula envolvidos e número de fases de desdobramentos já conduzida pelos órgãos de fiscalização e controle no Amazonas. O valor preciso dos desvios praticados pela organização criminosa ainda não foi definido, devido ao fato de que há frentes da investigação ainda em aberto, mas estima-se que ultrapasse a casa dos R$ 50 milhões.

Na Operação Custo Político se apurou a prática de crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de capitais e pertinência a organização criminosa, praticados por cinco ex-secretários de estado, bem como diversos servidores públicos e o núcleo da organização criminosa desbaratada na primeira fase da operação, enquanto na Operação Estado de Emergência, completava o núcleo político do Poder Executivo estadual, tendo alcançado o ex-governador José Melo, que chegou a ser preso.

Por outro lado, a Operação Cashback, teve por objeto a investigação quanto ao envolvimento de outras empresas em conluio. Suspeita-se que foram efetuados pagamentos embasados em notas fiscais falsas, sem a correspondente prestação de serviço, além de pagamentos por serviços superfaturados.

O nome da Operação policial é sinônimo da palavra vértice e significa o ponto mais alto, o ápice, correspondendo ao alcance da investigação, que reuniu indícios robustos da prática de crimes pelo governador à época da criação da organização criminosa formada em torno do Instituto Novos Caminhos. A operação foi executada pela Polícia Federal nos Estados do Amazonas, Brasília e São Paulo.

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