Empreendedorismo

COMPARTILHE

Marcas manauaras vão participar do São Paulo Fashion Week 2018

15 Out 2018

Crédito: Divulgação

De Manaus para as passarelas do maior evento de moda do Brasil, São Paulo Fashion Week 2018, as marcas Ana Fibras, Badulaques e Flor Silva foram selecionadas pelo Programa de apoio à competitividade das micro e pequenas indústrias (Procompi Amazonas), em parceria com o Sebrae. As marcas de acessórios amazônicos vão participar no dia 23, no espaço Arca - um galpão na Vila Leopoldina (SP) -, com seus produtos nos desfiles das marcas Karine Fouvry e Borana.

O São Paulo Fashion Week (SPFW) vai receber as marcas manauaras mais bem sucedidas nas oficinas sobre Estratégias para Construção de Marca e de Desenvolvimento de Coleções, ministradas por meio do Procompi/ Sebrae, que conta com a parceria da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, por meio do Departamento de Assistência à Média e Pequena Indústria (DAMPI). As curadoras das oficinas, Karen Roohlin e Olívia Merquior (CEO da Decri Deviati), auxiliaram 15 indústrias de confecções e acessórios de Manaus na construção da marca e assessoria de moda, com o aperfeiçoamento do design do produto.

As empresas selecionadas terão seus itens compondo looks do desfile das marcas do Projeto TOP 5 do Sebrae Nacional, Karine Fouvry e Borana. Segundo a pesquisadora e designer da Decri Deviati, agência de consultoria especializada no mercado de moda, Nídia Aranha, Manaus é uma cidade com riqueza e herança cultural muito grande e que precisa ser incentivada.

"Essa enorme riqueza, percebida aqui, mora em um lugar saudosista e precisa agora, na indústria criativa da capital, desses incentivos às startups para transformar esses pequenos artesãos em microempreendedores. Falta alinhar toda essa produção com as diretrizes do novo mercado, que é volátil e se alimenta do novo", disse Aranha, ao destacar que essa produção local precisa ser apresentada para o mundo com a devida qualidade.

De acordo com a coordenadora do DAMPI, Salete Braga da Costa Amoedo, o projeto tem por objetivo qualificar empreendedores individuais, empresários e colaboradores das pequenas e micro indústrias do setor de confecções (vestuário e acessórios), com capacitações técnicas que colaborem com a elevação da qualidade dos processos e produtos desse segmento.

"Temos muita carência de referências de moda aqui no estado, capacitações como essa nos trazem tendências do mercado e auxiliam na construção da marca de referência amazônica, portanto sem perder o regional, que é o nosso diferencial nos produtos", disse a designer e artesã Andréa Valentin, da marca Badulaques, selecionada para o desfile da Borana.

Segundo Valentin, o desafio de enxergar além das limitações locais acompanha sua trajetória de 10 anos no mercado. Ela cria jóias, a partir do uso de materiais locais como sementes de jarina, açaí e fibras. No desenvolvimento de seus produtos, a artesã inclui influências afro e amazônica nas peças.

"Sempre que eu confecciono as minhas peças eu penso em exclusividade e em cada design. Eu posso usar a mesma semente em determinadas peças, mas sempre ousando no design", disse ao explicar que em uma única peça é possível valorizar tanto o trançado como a semente.

Material sustentável, como escama de pirarucu, caroço de tucumã e a própria madeira, é matéria-prima dos produtos da artesã que cede seu nome à marca Flor Silva. Participantes do desfile da Karine Fouvry e da loja colaborativa do evento, as biojóias amazônicas não estão apoiadas em uma estética "naïf", segundo a designer Nídia Aranha, ou seja, aparentam uma simplicidade com liberdade de autoria.

"O trabalho da Flor não tem diretrizes estéticas baseadas em coisas tribais, que é mais ordinário de se ver esses materiais atrelados com essa estética. Ela subverte e leva isso para o lugar multicolorido e novo, eu acho a estética dela profundamente contemporânea", explicou Aranha.

As bolsas da Ana Fibras

A produção de bolsas desenvolvidas pela artesã Ana Lúcia Lima, da marca manauara Ana Fibras, chamou atenção também da marca de resort luxury, Karine Fouvry. Em macramê (forma de tecelagem manual), bolsas e carteiras são desenvolvidas com materiais regionais, como sementes de cabaça, linhas e fibras, utilizando também o crochê e cartonagem para o revestimento das bolsas.

"É a primeira vez que tenho a minha marca vinculada a algo ligado a moda. Eu tenho essa concepção que é algo muito bom e que tem muita gente que queria estar no meu lugar, ter essa oportunidade de participar do SPFW e sair do meu universo local para estar lá é um sonho e um reconhecimento como artesã", contou Lima.

A consultoria do Programa Procompi/Sebrae, realizada com as artesãs participantes do SPFW, será contínua até o dia do evento, de acordo com Nídia Aranha. "Para o artesão é muito importante estar atualizado, porque o trabalho artesanal tende à obsolescência da própria estética. O artesanato é um trabalho muito rico e perdê-lo por uma tendência de moda ou deixá-lo partir por conta de uma falta de atualização é uma coisa triste", disse.



Conheça quem são as três artesãs selecionadas:




NOME: Ana Lúcia Lima

IDADE: 50 anos

ONDE NASCEU: Seringal Rivaliza, próximo de Tarauacá, 400 km de Rio Branco (AC)

FORMAÇÃO: Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC) -Artesanato- Martha Falcão

EMPRESA: Ana Fibras

PRODUTO: Bolsas e carteiras.

LOCAL:
São José Operário





NOME: Andréa Valentin

IDADE: 45 anos

ONDE NASCEU: Botucatu (SP)

FORMAÇÃO:
Design de Produto e Gráfico- Martha Falcão

EMPRESA:
Badulaques

PRODUTO: Acessórios, brincos, colares e pulseiras com matéria prima amazônica e materiais nobres (pedrarias, metais etc).

LOCAL:
Aquariquara 2



NOME: Florispes Vieira da Silva

IDADE:
55 anos

ONDE NASCEU: Ilha da Prataria próximo ao município de Manacapuru, 98 km de Manaus (AM)

EMPRESA: Flor Silva

PRODUTO: Biojóias amazônicas com matéria-prima sustentável: colares, brincos e acessórios.

LOCAL: Parque das Laranjeiras

Veja Também