Saúde

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Manaus põe exército de vacinação nas ruas, afirma Marcelo Magaldi

Por Caubi Cerquinho

15 Jun 2019, 10h15

Crédito: Divulgação

Manaus, entre as capitais brasileiras, é a número um, quando o assunto é vacinação. Para alcançar esse posto, foi travada uma verdadeira guerra contra o sarampo e a gripe H1N1. Comandando esse exército de vacinadores, técnicos, enfermeiros, pessoal de apoio, o secretário municipal de saúde Marcelo Magaldi. A cidade está protegida, mas o secretário alerta que não podemos baixar a guarda, relaxar, principalmente, com as crianças que precisam voltar para tomar a segunda dose da vacina. Além, disso, o secretário confirma o desafio de trabalhar a prevenção em todas as zonas da cidade, inclusive, na Zona Rural.  Foi com o espírito de orgulho da equipe que comanda que ele recebeu o JC.

JC – Qual foi o segredo para fazer de Manaus a capital que mais vacinou entre as capitais brasileiras?

Marcelo Magaldi - Não tem segredo. O segredo é muito trabalho de uma equipe comprometida em montar  estratégias. Vamos pegar o exemplo do sarampo que as primeiras notificações vieram em fevereiro de 2018 e foi um caso muito grave. De imediato nós tomamos uma série de medidas, o  prefeito Arthur autorizou a contratação de mais técnicos vacinadores, técnicos de enfermagem, enfermeiros também que nos auxiliaram a traçar estratégias. Montamos uma sala de situação que a gente finalizou semanalmente quase que diariamente os dados estatísticos, onde eram as maiores incidências e foi realmente um trabalho muito duro, muito árduo,  a questão do sarampo. E foram mais 10 mil casos notificados, mais de 7 mil casos confirmados, foi uma verdadeira operação de guerra contra o sarampo. O prefeito Arthur também nos auxiliou, pois tivemos problemas com relação à violência na cidade. Muitas equipes não podiam entrar em determinadas áreas dominadas pelo tráfico. Mesmo assim conseguimos, pois cumprimos todos os protocolos do ministério da Saúde. Com isso, o prefeito  Arthur pôde decretar na semana passada, a interrupção do surto do sarampo. Hoje, já estamos 120 dias sem casos confirmados. Mas é bom a gente dizer que a gente não pode relaxar. Por que o sarampo é uma doença que a gente não tinha registro na cidade há 18 anos. E que quando há uma situação dessa o sistema todo acaba se acomodando. A gente disponibiliza a vacina, mas as pessoas não procuram o posto pasra se vacinar e isso é muito grave. A gente precisa manter a população vacinada. Precisamos manter os elevados índices de vacinação. Hoje a preocupação com o sarampo ainda existe. Se surgir uma nova notificação ou confirmação nós vamos ter que cumprir todo o protocolo do ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde. Há algum tempo a gente não ouve falar do sarampo, diferente quando numa semana nós  registramos mais de mil notificações. Foi uma operação de guerra de sucesso com toda a equipe dos vacinadores que foram para as ruas com apoio das Forças Armadas, do prefeito Arthur, com isso, conseguimos em 11 meses interromper esse surto que ameaçava a população. Hoje ainda precisa vacinar a população, principalmente, nossa preocupação maior é com as crianças a partir de 6 meses. Os pais responsáveis precisam procurar uma unidade de saúde para vacinar, por que o vírus é altamente contagioso. As crianças são as mais ameaçadas. Nossa população tem que estar vacinada

JC - Para realizar esse trabalho foi preciso ir até as aldeias indígenas da Zona Rural de Manaus?

Marcelo Magaldi – Sim. Manaus é uma cidade impar no Brasil muito  espalhada, muito extensa , temos atender as comunidades que ficam a 150 kms do Rio Negro, 150 kms do Rio Amazonas,  nós temos dois barcos que viajam fazendo esse trabalho de ir até as aldeias fazer o atendimento. Temos o apoio do Ministério da Saúde, das forças Armadas e todo mundo ajuda. Além disso atendemos os ramais da BR-174 Km  e o Ramal do Pau Rosa. Foi uma verdadeira batalha, mas que conseguimos vencer, apesar das distâncias de algumas comunidades. Agradeço ao esforço de toda a equipe e de todas instituições que se envolveram nessa guerra, felizmente vencida por nós.

JC – Além do sarampo, Manaus também, teve outra guerra?

Marcelo Magaldi – A gente teve também, recentemente um surto da gripe H1N. Muito grave também. Aqui nos atingiu bastante. O prefeito Arthur quando soube, de imediato ele foi a Brasília e conversou com o ministro Mandeta e o  ministério da Saúde antecipou em março, a campanha para Manaus.E agora no final do mês de maio, o Brasil encerrou a campanha de vacinação contra H1 N. A gente também fica feliz porque realmente foi uma guerra. Manaus, em 15 dias conseguiu  bater a meta de 90%. Nós hoje já vacinamos mais de 503 mil pessoas. Nós ultrapassamos 103% do nosso público alvo. Manaus lidera em termos de índice de vacinação desse público alvo. Então é um orgulho para nós, apesar de ser um surto para nós também muito grave, uma preocupação muito grave, mas foi também uma campanha de sucesso. Em pouquíssimo tempo nós vacinamos muita gente e com isso, nós conseguimos interromper de forma rápida o surto da gripe H1N1na cidade de Manaus.

JC – As pessoas não podem baixar a guarda com relação à vacinação?

Marcelo Magaldi.- Na verdade, nós precisamos priorizar a segunda dose das crianças. Aquelas crianças que tomaram só uma dose, precisam tomar a segunda dose. Por isso, pedimos aos pais que levem as crianças para as unidades de saúde para tomar a segunda dose da H1N1 que é para ficar efetivamente protegida. A gente espera que o resultado que fez de Manaus a  capital que mais vacinou entre as capitais brasileiras, a gente espera que ano que vem o surto seja muito mais fraco. Vamos evitar que as pessoas morram, para isso nós precisamos manter a nossa população vacinada. Temos mais de 200 pontos de atenção, são mais de 180 salas de vacinas espalhadas em todas as zonas da cidade, então a gente pede que a população procure as unidades de Saúde. Temos uma preocupação. Manaus Bate a meta, durante as campanhas de vacinação, mas não tem que bater a meta só durante a campanha. Temos que bater a meta rotineiramente. Essa é a melhor forma de prevenir as doenças.

JC -  Com essa sua equipe a população pode ficar tranquila?

Marcelo Magaldi – Não. Não tanto. Temos que ter consciência que a gente precisa melhorar muita coisa. A gente sabe que tem que melhorar. Hoje, eu diria que a gente foca muito na questão da prevenção. Então a gente precisa vir aqui, reunir a equipe, diariamente, traçar estratégias de ampliar cobertura na atenção básica, e fazer a prevenção da população. Sem prevenção a gente, realmente, vai só sobrecarregando os  hospitais. Com um bom serviço de prevenção nós podemos evitar doenças como a hipertensão, a diabetes, as doenças crônicas. Hoje temos uma boa cobertura na Zona Sul e na Zona Oeste, mas precisamos ampliar na Zona Norte, na Zona Leste e na Zona Rural. Esse é o nosso desafio ao longo de 2019. O Prefeito tem cobrado muito fortemente, ele tem consciência disso, a gente precisa melhorar na prevenção.

Perfil

Marcelo Magaldi Alves é paraense de Belém, casado, 46 anos e pai de três filhos. Formado em Economia pela Universidade Federal Fluminense, é Pós-graduado em Finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). É servidor de carreira da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Já exerceu funções na Secretaria Municipal de Educação (Semed) e na Secretaria Municipal de Finanças (Semef), de onde saiu do cargo de Subsecretário de Tesouro para assumir a Direção da Manaus Previdência.

Em 2012, Marcelo Magaldi foi convidado a participar da equipe de transição e, em 2013, assumiu o cargo de Subsecretário do Tesouro, da Semef, até assumir a direção da Manaus Previdência em 05/04/2014, de onde saiu para assumir, a convite do prefeito Arthur Virgílio Neto, o cargo de Secretário Municipal de Saúde.

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