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Manauara passeia pelo passado e presente de Tóquio

80 fotos de onze fotógrafos japoneses mostram a Tóquio de ontem e a Tóquio de hoje

Por Evaldo Ferreira @evaldo.am @JCommercio

03 Out 2019, 09h57

Crédito: Evaldo Ferreira

Ainda em comemoração aos 90 anos de imigração japonesa para a Amazônia e também para lembrar que, no próximo ano os Jogos Olímpicos acontecem em Tóquio, foi aberta ontem, no Centro Cultural Palácio da Justiça, a exposição ‘Tóquio Antes/Depois’, com fotos de antes da Segunda Guerra Mundial (entre 1930 e 1940) e de bem depois dela (a partir de 2010). A exposição está sendo promovida pela Fundação Japão e pelo Consulado-Geral do Japão em Manaus, com apoio da SEC (Secretaria de Estado de Cultura). Ficará aberta ao público até 03 de novembro, num dos salões do Palácio, com entrada gratuita.

‘Tóquio Antes/Depois’ já circulou pelo Canadá, Estados Unidos, México e chegou ao Brasil passando por Brasília, Curitiba, Rio de Janeiro e agora Manaus. A exposição tem a curadoria do crítico e fotógrafo Iizawa Kotaro e reúne 80 imagens de onze fotógrafos.

Os registros de ‘Tóquio antes (1930 a 1940)’ são imagens publicadas na Koga, revista do fotógrafo Yasuzo Nojima; no livro ‘Nippon’, organizado por Nippon Kobo; e uma série de fotos instantâneas do centro de Tóquio feitas por Kineo Kuwabara, quando ainda fotógrafo amador.

As imagens de ‘Tóquio depois (pós 2010)’ são de Nobuyoshi Araki, Mika Ninagawa, Motoyuki Daifu, Shintaro Sato, Shinya Arimoto, Natsumi Hayashi, Kenta Cobayashi, Daido Moriyama, fotógrafos de diferentes gerações, estilos e visões.

Divididas em seções, algumas fotos chamam a atenção pelo inusitado, como as de Natsumi Hayashi clicadas a partir de 2011. A fotógrafa fez uma série de imagens intituladas ‘Today’s Levitation’ onde Natsumi foi fotografada pulando em vários ambientes de Tóquio, dando a impressão que está levitando.

Talvez a seleção de fotos mais impressionantes sejam as que retratam a Tóquio nas décadas de 1930 e 1940, feitas por vários fotógrafos com material de excelente qualidade. Elas foram publicadas na revista mensal Koga, cuja primeira edição foi em 1932. As imagens, em preto e branco, mostram a população da cidade em várias situações. Naquele período, Tóquio estava em vias de uma grande transformação depois do Grande Terremoto de Kanto e começaria, nos anos seguintes, a sofrer os bombardeios durante a Segunda Guerra.

As fotos de Shintaro Sato se destacam pelo tamanho, horizontal, fora do padrão convencional, mostrando cenas do cotidiano da cidade a partir de 2010. As imagens de Shintaro apresentam uma perspectiva original ao interpretar e compreender as paisagens urbanas.

Enquanto as ‘Innocence’ coloridíssimas e vibrantes, de Mika Ninagawa, mostram figuras atuais do Japão, como as meninas de grandes olhos personagens dos mangás e animes nipônicos.

 

Preparada para as Olimpíadas

As décadas de 1930 e 1940 foram períodos em que a estrutura atual de Tóquio começava a tomar forma. Por outro lado, desde a década de 2010, após o Grande Terremoto do Leste, em Fukushima, em 2011, a cidade vem enfrentando as circunstâncias sociais de fluidificação. Ao mesmo tempo, a capital do país oriental está passando por uma transformação significativa em direção aos Jogos Olímpicos de 2020.

A comparação dos trabalhos destes dois períodos distintos revela claramente imagens nítidas do passado, presente e futuro de Tóquio.

“Enquanto o interesse em Tóquio continua a crescer em todo mundo em antecipação aos Jogos Olímpicos de 2020, esperamos que as obras dos fotógrafos japoneses nesta exposição, possam aprofundar uma compreensão mais nítida da cidade como uma metrópole de muitas faces”, assinou a Fundação Japão.

‘Tóquio Antes/Depois’ ficará em cartaz até o dia 3 de novembro, de terça-feira a sábado, das 9h às 17h; e aos domingos, das 9h às 14h. Após exibição na capital amazonense, a mostra seguirá para Recife, fechando a temporada em São Paulo.

As grandes catástrofes

Tóquio é o núcleo da política, da economia e da cultura do Japão. Com mais de 30 milhões de habitantes, a capital japonesa é uma das maiores megalópoles do mundo. Tóquio é uma cidade que se estende indefinidamente, e nela não existe centro ou contornos definidos. Bairros e municípios localizados em sua periferia são dotados de condições de se manterem independentes como unidades autônomas, sem limites definidos, mas unidos mutuamente.

Porém, no tempo e na história, Tóquio não é uma metrópole coesa e unida. Em 1868, a cidade de Edo, sede do xogunato Tokugawa, teve o nome alterado para Tóquio. Mais tarde, em 1923, sofreu o Grande Terremoto de Kanto, e entre os anos de 1940 e 1945, sangrentos bombardeios durante a Segunda Guerra. É por isso que a Tóquio de hoje reúne, desordenadamente, passado, presente e futuro, oferecendo um aspecto caótico.      

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