Empresas

COMPARTILHE

Mais empresas abertas no país com MEIs

Por Marco Dassori

04 Nov 2019, 10h40

Crédito: Divulgação

O Brasil registrou, em agosto, a abertura de 284.143 novas empresas, o maior número registrado para o mês desde 2010. No acumulado, o acréscimo foi de 2,1 milhões de organizações. As informações foram extraídas do Indicador de Nascimento de empresas da Serasa Experian, divulgado nesta quarta-feira (23).

Em torno de 5% dos novos negócios criados entre janeiro e agosto (o equivalente a 105 mil) está nos Estados do Norte do Brasil, embora a região tenha sido a última colocada do ranking. Mais da metade dos empreendimentos ficou mesmo no Sudeste, a parte mais populosa e rica do país. Na sequência, vieram Sul (17%), Nordeste (16%) e Centro-Oeste (9%).

O acumulado nacional até agosto deste ano é 20,7% maior do que o do mesmo período de 2018, quando o total tinha chegado a 1,7 milhão. Na variação anual, o número de novos empreendimentos é 16,6% maior do que o de agosto do ano passado. Quando comparado com julho de 2019, a elevação foi de 1%.

A maioria esmagadora das novas pessoas jurídicas é de MEI (Microempreendedor Individual) – figura jurídica criada pelo governo federal para formalizar o trabalho autônomo. De acordo com o indicador, nos oito primeiros meses deste ano, os microempreendedores individuais representam 82% do total, enquanto 6,8% dos novos empreendimentos são de natureza Sociedade Limitada e 5,4% são Empresas Individuais.

Os MEIs também voltaram a apresentar o maior crescimento na variação anual, os microempreendedores representaram 18,7% na relação com agosto de 2018, seguidos pelas Sociedades Limitadas (+8,8%) e pelas Empresas Individuais, que fecharam no negativo (-37,9%). Há exatos 12 meses, esses percentuais foram de +27,4%, +7,6% e -54,9%, respectivamente.

Capacidade de sobrevivência

O economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, considerou que os números da pesquisa foram positivos, ao salientar, no texto postado no site da Serasa Experian, a gradual e crescente capacidade de sobrevivência dos microempreendedores no ambiente inóspito do atual mercado brasileiro. 

“A alta representa que, mesmo diante do cenário desafiador da economia no país, as pessoas estão conseguindo manter seus negócios. A prova disso é que, recentemente, identificamos que 88% dos MEIs criados nos últimos dois anos ainda permanecem ativos”, comparou.

Empreendedorismo de necessidade

Em contrapartida, o presidente do Corecon-AM (Conselho Regional de Economia do Estado do Amazonas), Francisco Mourão Junior, avalia que o fato de os microempreendedores individuais superarem com folga as outras modalidades de pessoas jurídicas criadas no período aponta para o fato de que a metade cheia do copo é muito menor do que a vazia. 

“É um indicador que não revela o real estado da economia. O aumento da quantidade de pessoas jurídicas poderia indicar um reforço, como os números fazem parecer, mas mascara o fato de que o Brasil ainda está patinando e tem dificuldades de gerar empregos. O que vemos é um empreendedorismo de necessidade e uma terceirização generalizada de mão de obra”, desabafou.

No entendimento do economista ainda não há um sinal de luz no fim do túnel da crise brasileira. No cenário político, onde se esperam boas notícias para destravar investimentos, há o fato de a Reforma da Previdência ter passado pelo Senado apenas nesta terça (23) e a PEC paralela ter ficado para depois. Há ainda o complicador na Reforma Tributária que eleva o prazo de sua conclusão, dada a multiplicidade de propostas e o conflito de interesses dos Estados.

“Apesar dos repetidos saldos positivos no Caged, a quantidade de desempregados é muito alta no país. E há muitos que não tem capacidade de empreender e já desistiram de buscar uma colocação no mercado de trabalho há muito tempo. A economia só começou a reagir timidamente agora, com as liberações de FGTS. Infelizmente, o que se vê é que o ministro Paulo Guedes não tem um plano para ativar a economia e diz que a agenda vai ficar depois das reformas. Enquanto isso, corta investimentos”, encerrou.

Veja Também