Empresas

COMPARTILHE

Mais 2,5 mil novas empresas criadas em abril no Amazonas

Para especialistas, a criação desses novos negócios surgem como alternativa para o amazonense fugir do desemprego e sobreviver à crise

Por Antonio Parente

15 Mai 2019, 10h07

Crédito: Antonio Parente

O Amazonas registrou um aumento de 2,5 mil novas empresas em abril, segundo dados do Empresômetro, empresa brasileira de inteligência de mercado.  Os dados revelam um pequeno aumento no número de abertura de empresas no mês de abril em relação a março deste ano. Ramo de cabeleireiro e restaurantes têm destaque. Para especialistas, a criação desses novos negócios surgem como alternativa para o amazonense fugir do desemprego e sobreviver à crise.

“Identificamos um ligeiro aumento no número, em torno de 7%. Foram mais de 263 mil empresas formalizadas no mês de abril, mesmo em meio a tantas polêmicas e um cenário de incerteza econômica”, diz o empresário e diretor do Empresômetro, Otávio Amaral.

Na análise da economista Denise Kassama, em meio a um cenário de instabilidade econômica e insegurança, a dificuldade do trabalhador em se inserir no mercado de trabalho tem o motivado a buscar novas soluções e direcionando o ao empreendedorismo. A modalidade de trabalho tem levado inúmeras pessoas a crescerem em sua área de atuação gerando até postos de trabalho

“O brasileiro está buscando alternativas. O mercado de trabalho está difícil. Pequeno ou grande, de subsistência ou não, sempre ajuda a economia. Eu entendo que o empreendedorismo é um alternativa à crise. Por menor que seja o negócio, o empreendedor vai comprar insumos de um fornecedor, que por sua vez, está ganhando mais um cliente e assim a cadeia vai crescendo. Até um vendedor de banana frita a mais, movimenta a economia”, disse.

De acordo com últimos dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em 2018  o país registrou 37,5 milhões de trabalhadores na informalidade de um total de 91,8 milhões de ocupados. Segundo a análise do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a apesar do desequilíbrio,  as micro e pequenas empresas foram as principais responsáveis em manter o nível de empregos no país.

“Eu tenho uma conhecida que ficou desempregada e começou a encher balões para festas a custo baixo. Dessa atividade, evoluiu para oferecer salgados e hoje faz bolos, atingindo um público mais popular. Hoje, ganha mais do que quando era empregada”, explicou Denise.

Já na visão do economista Nilson Pimentel, entre o número de pessoas desempregadas no país, 26 milhões se encaixam na categoria dos desalentados, que são as pessoas que saíram do mercado de trabalho e não conseguiram retornar, sejam porque desistiram de procurar empregos, ou pela idade ou  falta de qualificação. Para ele, o surgimento desses novos empreendimentos deve-se a essa parcela de trabalhador que investiram mais pela sobrevivência do que espírito empreendedor.

“Com essa massa toda a informalidade cresceu muito.  É aquela camada de subsistência. Isso faz com que a parcela da população que vem das micro e pequenas empresas atuem pela necessidade. Não é por vocação de empreendedorismo e sim sobrevivência. São pessoas que no desespero estão fugindo da situação que estão. É por isso que tem tido esse fenômeno de crescimento de formalização de empresas”, disse.

Segundo a consultora empresarial Michelle Guimarães, no Brasil poucos são empreendedores que dizem que começaram o negócio por oportunidade, e afirmou que apesar do cenário propício ao empreendedorismo, o Brasil ainda é um país que não estimula o crescimento das empresas.

“Se temos pessoas desempregadas elas vão empreender seja de maneira formal ou informal. Isso também impacta de forma positiva, porque se alguém empreende o dinheiro vai girar. O Brasil é um país hostil para as empresas, ele não é um país que estimula as empresas a crescerem. Aqui não é feito para que as pessoas empreenderem, pelo contrário, nós temos a mentalidade de ser pessoas empregadas, concursadas, e quando a gente empreende é por necessidade para poder pagar as contas no final do mês”, disse

Kassama ressaltou que é fundamental o empreendedor, antes de abrir seu negócio, estudar o negócio, conhecer o público consumidor, sua concorrência e acompanhar o fluxo de caixa e fazer um planejamento financeiro. “Pequenos negócios contribuem para a geração de emprego direta ou indiretamente. As micro e pequenas empresas são as maiores geradoras de emprego no país. Por isso que entendo que o crescimento de novos empreendimentos está mais relacionado com a sobrevivência da crise do que um otimismo econômico”, afirmou.

Atividades com destaque para empreender

As atividades mais exploradas pelos empreendedores no mês de abril, seguindo uma tendência dos meses anteriores, foram: cabeleireiros, venda de roupas e acessórios, promoção em vendas e obras em alvenaria. O que chama atenção é o fornecimento de alimento para consumo alimentar na quinta posição, que expressa uma outra tendência: o serviço de entrega de comida a domicílio, impulsionada pelos aplicativos de delivery e facilidade em formalizar uma empresa.

Dentro desse cenário se encaixa a história da cabeleireira Valéria Bamp, que iniciou sua jornada trabalhando com produtos da linha MIRRA cosméticos  por meio de procedimentos de alisamento, defrisagem e massagem capilar. Ela viu no negócio uma grande chance de trabalhar por conta própria e ter sua própria renda e hoje colhe o fruto de seu trabalho. “A crise me motivou a buscar outras opções de trabalho e gerar minha própria renda, hoje criei meu salão e tenho meu próprio empreendimento”, disse

Nessa mesma atmosfera, o empresário Maycko Soares abriu caminho para a criação do seu restaurante. Técnico de informática que atuava em um Cyber Café, ele viu a tecnologia dos aparelhos de smartphones substituírem  as tradicionais cabines de lan house. Desempregado, ele resolveu trilhas novas áreas, e o empreendimento que iniciou com um pequeno espaço de fornecimento de marmitas de comida caseira, hoje possui um grande espaço com cerca de 10 funcionários. E o negócio que surgiu como necessidade, virou um grande case de sucesso gerador de emprego.

“A necessidade de migrar para uma outra área e o receio de ficar desempregado me levou a galgar nesse empreendimento. Hoje trabalho com comida caseira com o preço acessível a trabalhadores das redondezas do centro. Graças a Deus vejo que o esforço e o trabalho deu oportunidade gerar trabalhos para que precisa”, disse.

Veja Também