Construção

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Liberação do FGTS reduz potencial de negócios na construção

Por Andréia Leite

30 Jul 2019, 10h13

Crédito: Divulgação

Se por um lado a confirmação das novas regras para o saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), anunciada pelo governo, deve trazer um fôlego para o bolso do consumidor, na outra ponta, a medida gerou repercussão negativa para representantes do mercado de construção civil.

“Os recursos do FGTS são as principais moedas usadas pelo consumidor na hora de comprar um imóvel. A liberação de recurso, anunciado pelo Governo Federal, é visto com cautela pelo setor da construção e mercado imobiliário”, declara Hélio Alexandre, vice-presidente da Ademi-AM.

Ele defende que ninguém gostaria que este dinheiro fosse usado para fazer saque de inativos e ativos, mas se o governo está dizendo que pode fazer isso e não vai comprometer o setor, então acredita-se no governo que até agora está cumprindo com as promessas. 

O setor imobiliário em Manaus celebra o crescimento nas vendas. Até maio deste ano o mercado faturou R$ 389 milhões. No mesmo período do ano passado foram R$  302 milhões, quase R$ 90 milhões a menos. No início do ano a expectativa era um crescimento de 35%, mas com um mercado mais aquecido, foi elevado essa previsão para 55%, cerca de R$ 850 milhões até o final de 2019. “Esperamos que o Governo Federal possa encontrar alternativas para que esse crescimento no mercado não seja prejudicado”, afirmou. 

O benefício já é tido como principal fonte de financiamento para as construtoras, principalmente, porque,  incentiva a disponibilidade de crédito para o programa MCMV (Minha Casa Minha Vida), maior iniciativa de acesso à casa própria. 

Marco Bolognese, presidente comissão da indústria imobiliária do Sinduscon-AM, entende como uma medida muito ruim. “A gente já está com dificuldade de verba  para algumas construções, subtraindo ainda mais dinheiro vai ficar complicado. Precisamos entender o que o governo federal pretende fazer. Porque sacar esse benefício para compra de eletrodomésticos, pagar dívidas, não é muito inteligente”. 

Ele emenda pontuando que a construção civil é o setor que mais gera emprego. E é claro que se investir esse montante no setor vai refletir numa quantidade enorme de postos de trabalho. 

“Essa é uma decisão de curto prazo. Vai liberar R$30 milhões do FGTS nos últimos meses do anos, mas isso é tiro curto.  Este ano projeta injetar R$30 bilhões na economia, ano que vem, só R$12 bilhões, então, eu avalio como uma decisão pouco inteligente. Haviam outras formas de ajudar a economia girar. Não foi uma atitude das melhores”, avaliou. 

Apesar do mercado temer que a medida enfraqueça as contratações dos empreendimentos dessa faixa, o superintende da incorporadora Morar Mais, e diretor da Diretor da Comissão da Indústria Imobiliária da Ademi-Am, Henrique Medina, considera que é uma medida para incentivar a economia num momento onde o país precisa de incentivos, mas que certamente prejudica o setor da construção. 

“Grande parte dos recursos que financiam os empreendimentos imobiliários lançados no Brasil, e sobretudo em Manaus, com a aquisição desses imóveis, ou seja, são essenciais para essa contratação”. 

Ele valida que o setor observa sim com preocupação e que  embora o governo tenha garantido que não vá faltar recursos para o segmento, o setor fica no sinal amarelo.  Ele disse que o mercado se posicionou e o presidente revalidou alguns pontos, como por exemplo, a redução nos valores dos saques. E definiu as novas regras. “Nós temos um canal de diálogo muito bom o governo federal. O momento é aguardar se vai surtir algum tipo de impacto no nosso mercado”. 

Embora a liquidez do fundo traga uma certa insegurança para o setor, a Direcional Engenharia, entende que o saque do FGTS, da forma como foi desenhado pelo governo, é benéfico para fomentar o aquecimento da economia e não irá colocar em risco o financiamento da Habitação,  em especial o Minha Casa Minha Vida.

“Da forma que a medida foi posta,  não colocará em risco a continuidade do programa. O volume de recursos necessário para o financiamento está assegurado”, disse o superintendente regional da incorporadora, Eduardo Quintella. 

Entenda

O FGTS só pode ser sacado em caso de demissão sem justa ou  para compra da casa própria, no valor máximo de R$1,5 milhão, fator que movimenta o mercado com interesse pela aquisição de um imóvel. Com a nova medida, desvia-se a finalidade do benefício e passa a ser utilizado para qualquer fim. Trazendo riscos para  o setor da habitação.

Financiamento habitacional

Presente à cerimônia de lançamento das novas regras do FGTS, o presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), José Carlos Martins, se mostrou satisfeito com o que viu. O setor da construção civil era o que mais temia a liberação de saques, já que recursos do FGTS são utilizados para o financiamento habitacional no país.

“aquecendo a economia e não havendo perda já é muito bom. o que a gente precisa ver é como isso vai ser acontecer para que, ao longo do tempo, não tenha buraco de falta de recurso ou alguma coisa desse tipo”, disse.

Opinião

Na quinta-feira (18), o deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), criticou a medida proposta pelo governo. Em sua página no Twitter ele destacou que o plano do governo de liberar parte do FGTS significa um "voo de pato para economia".

Defendendo a criação de empregos por meio de investimentos no setor da construção civil. "Investir os recursos na indústria da construção civil, em especial, no Minha Casa Minha Vida, seria um voo mais sustentável e duradouro de geração de emprego. Recurso para construção civil é emprego na veia do país",

 

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