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Liberação de vistos vai reforçar atratividade no turismo amazonense

Decisão do governo Bolsonaro pode mudar o perfil do turismo do Amazonas, diante do potencial do Estado para o turismo ecológico tão apreciado pelos turistas estrangeiros

Por Andréia Leite

21 Mar 2019, 09h51

Crédito: Divulgação

A liberação de vistos de entrada no Brasil para turistas dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão repercute no setor de turismo diante da possibilidade de ampliar a atratividade do segmento no Brasil. O presidente da Abih-AM (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis) Roberto Bulbol, exalta a medida e reitera que esse pleito é antigo e que o setor almejava há cerca de 20 anos essa flexibilização. “Isso é um avanço muito importante para a atividade turística. Sempre foi muito burocrático tirar um visto para quem quer vir ao Brasil. E exigia permanência muito curta”, destacou.

Ele frisa que os EUA, é um dos maiores emissores de turistas para o Brasil e o Canadá também, tem uma grande relação com o país neste sentido. “O impacto é grande para economia. Vai ser uma abertura de mercado. As burocracias emperram bastante o turismo. Teremos um aumento de fluxo e a expectativa abre grandes oportunidades de avanço”, exaltou Bulbou, prevendo que logo os EUA, terão essa mesma visão. E será uma via de mão dupla. “Isso é uma grande conquista para o setor”, enfatizou.

Na opinião da presidente da Abrasel-AM (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Zeina Russo, a decisão é vista com bons olhos sim. É uma oportunidade para quem pretende conhecer o Brasil, em especial o Amazonas, com maior facilidade de abertura. “A gastronomia local anda de mão dadas com o turismo. Se surge uma medida que vai ampliar futuros negócios e movimentar a economia, a gente tem que comemorar”, disse.

Para Zeina Russo o setor de alimentação do Estado, alinhado a gastronomia local, já vem ganhando força como uma das culinárias mais atrativas do país. Para a categoria, desde que o presidente assumiu, muitas coisas estão mudando. “São mudanças necessárias e positivas. Nós estamos na iminência de que mais essa mudança, traga benefícios e ajude a gerar mais empregos”, frisou Russo, lembrando que gostaria que o brasileiro também recebesse o mesmo tratamento em terras americanas. “Seria justo”, concluiu.

A decisão pode mudar o perfil do turismo do Amazonas, é o que garante a diretora de receptivo da Abav-AM (Associação Brasileira das Agências de Viagens) / Amazon Ecosihgt, Gloria Santos.  

“Nós temos um  percentual pequeno de turistas dos Estados Unidos e do Canadá, então, para o mercado de turismo que envolve direta e indiretamente vários nichos, é um novo tempo”. Ela afirma que a disponibilidade de linhas de voos diretos, abre mais oportunidades de crescimento e coloque o Amazonas como rota de turismo.

“Até hoje não temos realmente um percentual grande como em outros países vizinhos. Isso vai angariar economicamente um turismo diferenciado”, ressaltou Glória, que considera que a polêmica em torno da não reciprocidade não vem ao caso, já que o Amazonas precisa dessa movimentação econômica e será beneficiado com maior percentual turístico, e uma consolidação que é porta de entrada para o setor.

Entidades nacionais comemoram

Em matéria publicada no site da MTUr (Ministério do Turismo), entidades avaliam como positiva a medida. O presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil), Marco Ferraz, aposta em resultados positivos e elogia o ministro Marcelo Álvaro por encampar um pleito histórico do segmento. “A Argentina, que não exige vistos para americanos - embora os americanos exijam deles -, teve avanços importantes. A partir dessa facilidade, a gente abre a possibilidade de ter navios o ano todo no Nordeste, por exemplo. Isso estimula toda a indústria do turismo a investir”, comemora.

Já Alexandre Sampaio, responsável pela área de turismo na Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), frisa que a medida vai reforçar a atração de visitantes de alto poder aquisitivo. Ele prevê que a decisão abrirá espaço para outros avanços. “Isso insere o país no rol de nações com políticas desenvolvimentistas. E tenho certeza que vamos ter outras vitórias em curto prazo”, vislumbra.

Divergências

O senador Plínio Valério (PSDB-AM) criticou a liberação de vistos do Brasil a outros países. O parlamentar afirmou que a dispensa do tradicional princípio da reciprocidade para esse tipo de concessão deixa o país vulnerável, inclusive, com o possível ingresso e permanência de criminosos. “O acordo nunca é bom quando é bom só para um. Pergunte a qualquer brasileiro comum, seja ele de qual categoria for, se ele não passa vexame, se ele não tem dificuldade de conseguir seu visto e se ele não gostaria de ver isso facilitado. Portanto, o governo federal perdeu a oportunidade, de exigir reciprocidade desses quatro países”, disse.

No mesmo tom, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) defendeu um amplo debate sobre o assunto. Para ele, Brasil e Estados Unidos são parceiros, mas a reciprocidade é necessária. “É preciso entender as contrapartidas de liberdades que daremos, e que ganhos o povo brasileiro terá em troca desta abertura de liberdade para que esses países possam adentrar em nosso país. Entendo que também não pode ser uma regra genérica, mas o Brasil precisa ser ouvido e nós precisamos ter capacidade de negociar através da diplomacia ganhos efetivos para o povo brasileiro”, afirmou.

O senador Omar Aziz (PSD- AM) ressaltou o papel da Comissão de Relações Exteriores e da Defesa Nacional (CRE), que preside, no debate da questão. Omar também criticou uma declaração de Bolsonaro sobre a más intenções dos imigrantes que chegam aos Estados Unidos. “Eu posso assegurar que também não virá só gente boa desses quatro países para os quais o presidente Bolsonaro está abrindo o visto. Nós queremos ter um bom relacionamento com todos os países do mundo, não é só com os Estados Unidos. Eles são um grande parceiro comercial, mas eu não acredito em bondade americana. Os Estados Unidos são pragmáticos, aquilo que interessa eles vão fazer, independentemente de ter relações ou não. Nós faremos questão de debater, até porque o Brasil tem que ter sua soberania”, acrescentou.

Saiba mais

Embora sutil, tudo indica que o presidente dos EUA, Donald Trump, pretende alinhavar uma relação de troca com o presidente Jair Bolsonaro. Trump anunciou, na terça-feira (19), que deverá incluir o Brasil no programa Global Entry, permitindo que viajantes frequentes de determinados países possam entrar nos EUA sem passar pelas filas de imigração.

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