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Jucea aponta 2.260 novas empresas no Amazonas em 10 meses

Por Andréia Leite

20 Dez 2018

Crédito: Divulgação

Com o alto índice de desemprego no país, muitas pessoas decidiram empreender. Ao menos 74% dos empreendedores abriram o próprio negócio motivados pelas oportunidades. É o que aponta o relatório executivo 2017 do GEM (Global Entrepreneurshio Monitor) que avalia o empreendedorismo em vários países e no Brasil em parceria com o Sebrae. O estudo confirma um cenário positivo com a abertura de 4.431 empresas no Amazonas nos dez primeiros meses de 2018, no Relatório de Ações da Junta Comercial do Estado do Amazonas (Jucea). No mesmo período, 2.171 empresas foram extintas, o que gera um saldo positivo de 2.260 novas empresas no Amazonas em dez meses. Setores comercial e de serviços lideram a implantação de novos negócios

Ao analisar o cenário do empreendedorismo no Estado o economista Samuel Appenveller explica que essa alavancagem demonstra que as coisas estão mudando, apesar de gargalos inibirem a sustentação desses números para cima, é preciso investir em mercados que despertam alta demanda. "A área alimentícia é um exemplo. A nossa linha de esvaziamento do PIM é muito grande, temos um grande abismo por conta do valor agregado, nós importamos mais do que produzimos". Para ele as dificuldades enfrentadas na capital para abertura de novos negócios estão: Tributação elevada, tempo médio de abertura de uma empresa "Para abrir um novo negócio é preciso aguardar de 90 a 120 dias, não é simples. A tramitação do processo para abertura de empresas é longo. Muitos investidores interessados deixam de investir porque não querem ficar nessa espera e isso emperram novos empreendimentos".

Um outro dado apontado no relatório do GEM, indica que a taxa total de empresários foi de 36,4%, de cada 100 brasileiros com idades entre 18 e 64 anos, 36 destes conduziam alguma atividade empreendedora seja na criação ou no aperfeiçoamento de um novo negócio ou manutenção de um já existente. Isso corresponde a 50 milhões de brasileiros empreendedores ou futuros visando a criação de um empreendimento.

Para o economista esse quadro refletido na redução na queda da inflação e alta do desemprego alinhado a nova visão de grande otimismo e esperança para o mercado em função do novo governo no incentivo ao parque industrial e a livre iniciativa, devem trazer resultados positivos com maior intensidade quando for concretizado as promessas de campanha do presidente eleito. "Já havíamos sentido uma pequena estabilidade e calmaria no governo Temer. Mas a tendência é que as coisas tomem um rumo melhor, reafirmando as propostas de campanha do presidente eleito em função de vários segmentos", declarou o economista ao enfatizar que série de restrição que emperram abertura de novos negócios precisam estar em consonância com a facilidade ao acesso ao crédito, ao financiamento e a prospecção para o empreendedor alavancar o negócio ao adquirir equipamentos, comprar insumos, pagar despesas "ou seja, precisa ter capital de giro".

Para o consultor empresarial, Osires Silva, o reflexo do desemprego traz oportunidade para novos negócios, mas avalia que o empreendedor precisa ter cautela para manter a empresa "Sabemos que o tempo de vida de algumas empresas é curto. Isso depende do próprio empreendedor, que deixa de investir em organização e não aplica os recursos do seu faturamento porque saem da órbita de interesse do seu negócio. É preciso modernizar sempre, reinvestir e gerar condições competitivas perante o mercado, isso torna o negócio permanente", disse o consultor que espera que esse resultado se transforme em negócios duradouros gerando emprego e renda para os pequenos investidores que se aventuram em abrir empresas. "Que haja perseverança, maturação e se restabeleça definitivamente. O caminho é esse e é promissor. Tudo vai depender do foco e da eficiência do empresário". Ele reforça que a preparação para o empreendedorismo é primordial.

Índices

Uma Sondagem Conjuntural feita pelo Sebrae mostra que aumentou o percentual de empresários que acreditam na melhora da economia brasileira

Os donos de pequenos negócios voltaram a ficar mais otimistas com o futuro da economia brasileira. A mais recente Sondagem Conjuntural, realizada pelo Sebrae entre os dias 28 de agosto e 12 de setembro, mostra que depois de cair para o patamar de 31,4% (sondagem de junho/2018), o percentual de empresários que acreditam em uma melhora da economia nos próximos 12 meses voltou a subir, alcançando 37,6%.

Esse percentual de otimistas superou o de empresários que acreditam que a economia vai permanecer como está (30,4%). Já o percentual de empresários pessimistas, que acham que a economia irá piorar, caiu de 30,9% (sondagem de junho/2018) para 22,5% (sondagem de setembro/2018).

Entre as razões apontadas pelos empreendedores entrevistados, a expectativa de que os novos políticos eleitos poderão melhorar a economia do país (68,8%) e os sinais de recuperação da economia (62%) são as principais justificativas indicadas para a retomada do otimismo. Já entre os empresários pessimistas, 92,1% não confiam nos políticos atuais e 69% também não acreditam que o país vai melhorar após as eleições.


Saiba mais

Sociedades empresariais e limitada (ltda) lideram os registros na Junta Comercial. Também foram anotadas sete novas empresas de sociedade anônima - uma extinção, além de 12 cooperativas - 3 dessa natureza jurídica encerradas.

Comodidade

No último dia 10, a Junta Comercial lançou o Sistema Rede Simples Digital - Integrar, que permite a constituição de empresas pela internet. Além disso, os empresários podem acessar o Portal da Instituição e realizar procedimento, antes possíveis apenas na sede do órgão, gerando economia de tempo e dinheiro.

De acordo com o presidente da Junta Comercial do Amazonas, esse Sistema já era utilizado separadamente nos Estados Minas Gerais, Ceará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Roraima e Acre. O lançamento no Amazonas deve marcar a forma integrada desses Estados no sistema.

"O profissional que estiver no Rio Grande do Sul, Ceará, Roraima, ou Distrito Federal, por exemplo, poderá executar as demandas empresariais com a Jucea do Amazonas, como se estivesse aqui no Estado. Ou seja: se você tem uma empresa com a matriz no Amazonas, ou em qualquer um desses Estados, vai poder fazer seus procedimentos pelo Integrar", explica Antônio Lopes.
 

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