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Jucea admite queda de 3,95% no número de empresas abertas

Embora a crise tenha sido vivenciada em 2009, pelo visto os investidores ainda ficaram amedrontados na hora de abrir negócios em 2010

Por Por Publicação JC

11 Jan 2011

 


Embora a crise tenha sido vivenciada em 2009, pelo visto os investidores ainda ficaram amedrontados na hora de abrir negócios em 2010. Apesar de no último mês do ano o percentual de constituição de empresas ter sido 50,64% superior ao de igual período de dois anos atrás, com 592 empreendimentos contra 393, os dados do acumulado mostram uma situação oposta.
No ano anterior, o secretário geral da Jucea/AM (Junta Comercial do Estado do Amazonas), Edmilson da Silva Barbosa, comentou que a expectativa da Junta era finalizar o ano com um aumento anual de 10% sobre os doze meses de 2009, entretanto, segundo divulgação do órgão, foram abertos 6.178 estabelecimentos em 2010, o que denuncia uma queda de 3,95% ante o ano antecedente (6432).
Destes algarismos, 4.270 são referentes à constituição de empresas por meio do empresariado, que, por acaso, também é abaixo do que foi anotado há dois anos (4322). Os outros segmentos, como empresas Ltda e Cooperativas, também seguem a mesma tendência.
O primeiro com um dígito 9,55% menor e o segundo com uma retração de 35% perante mesma época de 2009. As descritas como de Sociedades Anônimas, ainda que representem apenas 0,24% do total constituído (15 empresas), foram as únicas que ‘nadaram contra a maré’, porque tiveram uma elevação de 150% sob o aglomerado de dois anos atrás (06).
Além disso, um número 8,73% inferior de empresas encerrou suas atividades no ano passado. Em 2009 foram extintos 1.318 empreendimentos, já em 2010 este valor caiu para 1.203. Outro dado positivo é que a quantidade de filiais instaladas na região aumentou. Mais 1.152 representantes se estabeleceram no Estado, uma expansão de 23,47% sobre os mesmos valores de 2009 (933).
Porém, mais uma vez a pedra ficou no meio do caminho, levando embora 310 franquias. Há dois anos, esta mesma informação era anotada somente por 250 empresas. Proporcionalmente falando, a quantidade de extinção das filiais em 2010 foi levemente maior que a de 2009, uma vez que, naquela época, 26,80% das revendedoras cansaram de estar nos terrenos amazonenses, enquanto no ano anterior, de 100% das filiais abertas, 26,91% foram encerradas.
O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonnacio, garante que os dados da Jucea não mostram todo o universo amazonense. Segundo ele, algumas empresas vão diretamente ao cartório e sequer passam pela Junta. “Eu já trabalhei 28 anos no órgão e sei que ele não contempla todos os segmentos empresariais, como o próprio setor de serviços. Por isso, não há motivos de preocupação, tendo em vista que os números de emprego aumentam mensalmente, de acordo com o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), o que quer dizer que há mais oportunidades, mais empresas no mercado”, detalhou.
Em última pesquisa realizada pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), nos primeiros onze meses do ano houve acréscimo de 28 mil postos no Amazonas, alta de 7,77%. Somente em novembro, o saldo de contratações foi de 1.410, com 1.851 para o Comércio, 285 para Indústrias de Transformação e 153 para Serviços.
Com a vinda da Copa, a expectativa para este ano, segundo o presidente, é de os negócios crescerem 8% a 10% em comparação a 2010.

Supersimples

O enquadramento de microempresas na região também foi menor em 2010. Foram estabelecidas apenas 5.104 empresas do mesmo naipe, uma perda de 3,70% diante de 2009 (5.300).
De acordo com o consultor Sérgio Aguiar, proprietário da empresa Contage, destinada a consultoria e contabilidade, estes algarismos podem diminuir bem mais se não forem aprovadas as mudanças no Simples Nacional (Supersimples), que estabelece normas gerais relativas ao tratamento tributário para as microempresas e empresas de pequeno porte.
Segundo ele, no regimento atual as empresas que tem débito em atraso não podem parcelar suas dívidas, o que resulta na exclusão das mesmas.
Na proposta vigente, que deveria ser votada até dia 30 de dezembro, todas as atividades serão incluídas no Simples Nacional, haverá extinção da cobrança de ICMS nas fronteiras dos estados, aplicação de multas diferenciadas para as micro e pequenas empresas, parcelamentos das dívidas para as empresas optantes pelo Simples Nacional, entre outros pontos.
“Desta forma, irá favorecer a abertura e manutenção de empresas e, consequentemente, formação de mais empregos”, analisou.
Por enquanto, pelo menos as circunstâncias das empresas de pequeno porte foram mais otimistas. Houve crescimento de 20,32% nas constituições, 456 contra 379.

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