Política

COMPARTILHE

Japonês da Federal lança livro em Manaus

Por Andréia Leite

08 Nov 2019, 10h20

Crédito: Divulgação

A atuação do agente aposentado, Newton Ishii, o “Japonês da Federal”, na Operação Lava Jato, rendeu o lançamento do livro “O Carcereiro”. Em entrevista ao programa JC Play, do Jornal do Commercio, ontem  (6), o agente contou sobre alguns detalhes do livro. 

A biografia detalha sobre sua carreira como agente da Polícia Federal e atuação junto aos presos da Lava Jato que levou políticos e empresários milionários para a cadeia por corrupção. Sem revelar muitos detalhes ele diz que há fatos curiosos que a imprensa não teve acesso.

“Têm alguns fatos engraçados que a gente presenciou para deixar uma livro mais leve. Fatos que ocorreram durante a estadia do maior crime brasileiro”. 

Sobre a participação na Lava Jato, o agente contou que os resultados da operação foi um divisor de águas e que marcou a história do país. Com participação ativa desde o início das investigações, Newton declara que um dos fatores que contribuíram para que a operação desse certo, foi o apoio massivo  da sociedade, segundo, a sorte de ter policiais com o mesmo objetivo.

“O trabalho foi realizado com uma investigação séria. Além do Juiz Sérgio Moro, que acreditou no trabalho da Polícia Federal”. 

O ser questionado sobre a sensação de que a polícia prende e a Justiça solta, ele  disse que se uma investigação e um inquérito não forem bem feitos, não tem como a Justiça manter a prisão. “Nós temos um papel a cumprir, fazer a investigação e prender. Se o serviço for bem feito, o inquérito bem conduzido, com provas consistentes, a Justiça não vai soltar”.  

A notoriedade na  Lava Jato, levou o agente aposentando a  ministrar agora palestras motivacionais. Ele também presta consultoria para empresas, instituições públicas e privadas sobre a Lei Compliance.

“O que eu tento fazer através de palestras é  o que posso contribuir para o país, tentando transmitir sobre a necessidade da mudança da nossa cultura. Nós vivemos num país da LeI de Gérson que leva vantagem em tudo. Para isso nós temos a  Lei Compliance, de 27 de janeiro de 2014, e hoje, a necessidade, justamente isso tem que mostrar para o seus clientes, concorrentes, governos e sociedade, a importância de ter uma empresa saudável , transparente, sem fraude e que está cumprindo a lei.

E finaliza dizendo que ser otimista e tem esperança que o Brasil comece a melhorar, desde que cada faça o seu papel, pensar no próximo “e ter essa consciência de que sozinho não somos nada. Se continuarmos com esse pensamento de corrupção de vantagem pessoal vamos colher o mal como estamos colhendo”. 

Lançamento

O lançamento da obra foi na quinta-feira (7), 16h30, no Espaço CAAAM/OAB (com entrada franca), com o lançamento de seu livro intitulado: “O Carcereiro” 

Sobre o livro

Nomes como do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha; os ex-ministros: Antonio Palocci e José Dirceu. E o empresário Léo Pinheiro.  são citados na biografia. O livro conta ainda com entrevistas exclusivas de quatro condenados pela Lava Jato; os empresários Adir Assad, Marcelo Odebrecht, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras, Renato Duque. 

O livro possui um apêndice com uma linha do tempo dos impressionantes dados estatísticos da investigação iniciada em 2014. Paralelamente a obra narra os desafios pessoais e familiares enfrentados pelo agente federal, retratando até momentos polêmicos. Este é um panorama completo da maior corrupção realizada no Brasil. 

Escrito pelo jornalista Luís Humberto Carrijo. Nele, o agente conta sobre a convivência que teve com os presos da operação federal. Na obra, fala pouco do momento das prisões, na porta da casa de cada um. Mas faz muitas revelações do que ouviu de cada um deles, enquanto chefe da carceragem da Superintendência da PF. O livro, da editora Rocco, tem 271 páginas e pode ser encontrado nas versões digitais e física.

Veja Também