Polo Industrial de Manaus

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Investimentos industriais em alta no PIM de janeiro a maio

Por Marco Dassori

03 Set 2019, 10h08

Crédito: Acervo JC

Apesar do ziguezague dos indicadores e do estado de ponto morto da economia brasileira, tudo indica que os investimentos produtivos do PIM serão maiores neste ano em relação ao registado em 2018. Dados parciais de janeiro a maio apontam que o volume de aporte já chegou a US$ 8.63 bilhões. O montante está a apenas 2,59% do valor consolidado pela indústria incentivada de Manaus nos 12 meses do ano passado (US$ 8.87 bilhões). 

A quantia injetada pelas fábricas da Zona Franca de Manaus no acumulado dos cinco meses iniciais de 2019 também já é superior aos números apresentados pelo setor em 2015 (US$ 8.08 bilhões) e em 2016 (US$ 8.42 bilhões), os anos de maior sufoco da crise. Mas, ainda está 5,58% distante do total aportado em 2017 (US$ 9.14 bilhões), quando a economia brasileira ensaiava o que parecia uma retomada, abortada meses depois. 

A diferença fica ainda maior (-17,96%) quando se leva em conta tudo o que foi aportado em 2014 (US$ 10.52 bilhões) ou os demonstrativos de anos anteriores, sinalizando que o grau de investimento do PIM segue descompassado em relação ao patamar pré-crise. Os dados foram extraídos dos mais recentes Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus, compilados e divulgados pela Suframa. 

Dos 24 segmentos industriais listados pela autarquia, oito já mostram números superiores aos contabilizados em todo o ano passado: eletroeletrônico (US$ 2.85 bilhões), metalúrgico (US$ 491.53 milhões), papel e papelão (US$ 188.98 milhões), produtos alimentícios (US$ 46.51 milhões), editorial de gráfico (US$ 52.15 milhões), ótico (US$ 58.88 milhões) e “diversos” (US$ 5.99 milhões). A lista se completa com o recém instalado subsetor de couros e similares (US$ 2.84 milhões), que havia pontuado zero nos levantamentos anteriores.

Ociosidade alta

Embora o polo metalúrgico se mantenha com investimentos na curva ascendente, o mesmo não pode ser dito dos segmentos de duas rodas (US$ 1.33 bilhão) e mecânico (US$ 276.21 milhões), que trabalham em conjunto com aquele. O primeiro, que vem apresentando crescimento ininterrupto desde o último trimestre de 2017, está com seu número mais baixo da série histórica da Suframa, iniciada em 2014. O mesmo pode se dito do segundo.

“As empresas ainda estão operando com um nível muito elevado de ociosidade em sua capacidade instalada. Passamos por um período de recuperação, em que as empresas trabalham com metade de seu contingente de cinco anos atrás. Ainda não estamos crescendo, de fato”, salientou o vice-presidente da Fieam, Nelson Azevedo. 

Na análise do dirigente, que também preside o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, boa parte dos aportes do segmento foram para atualização técnica das plantas fabris, com a substituição de máquinas e realização de obras. Mas, Azevedo considera que a sinalização é positiva, com maior segurança jurídica e confiança do investidor, proporcionados pelo retorno da regularidade do calendário do CAS e do andamento dos PPBs, entre outros fatores.

“Tivemos 33 projetos aprovados agora pelo Codam e devemos ter mais uma boa quantidade de propostas de novos investimentos no PIM, na próxima reunião do Conselho de Administração da Suframa, marcada para o dia 26 de setembro. Vale lembrar também que, só a Honda, já anunciou investimentos na sua fábrica, no início do ano”, destacou,

Primeira necessidade

Outro segmento a fechar no azul foi o de produtos alimentícios, que vem crescendo sem parar desde 2017 (US$ 30.81 milhões), após as quedas de 2015 (US$ 28.28 milhões) e de 2016 (US$ 28.23 milhões). O subsetor é uma das exceções do PIM a apresentar números mais robustos nos investimentos de 2019 na comparação com os anos pré-crise.

“Acreditamos que essa melhora se deve ao reaquecimento da economia que, apesar de lenta, já está sendo sentida. Quando se começa uma retomada no crescimento da indústria, a tendência é que essa melhora se comece pela indústria de alimentos considerando que a mesma, em sua grande maioria, é produtora de bens de primeira necessidade”, avaliou o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Manaus, Pedro Monteiro.

O dirigente aponta que o índice de confiança do empresariado tem melhorado nos últimos meses e isso tem refletido nos investimentos do setor, embora o nível de utilização da capacidade instalada das unidades fabris do subsetor esteja, em média, entre 60% a 70%, conforme pesquisa realizada pela entidade entre seus associados.

Monteiro diz que a entidade não tem conhecimento sobre a chegada de novas empresas do segmento alimentício a Manaus neste ano. O dirigente não descarta, contudo, a hipótese de que boa parte dos resultados de 2019 venham da aquisição da Indústria de Café Manaus Ltda., pelo grupo 3corações no anterior, já que a operação incluiu a construção de uma nova planta para produzir itens da marca na capital amazonense.


 

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