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Influência parlamentar pesa na defesa dos interesses da ZFM em Brasília

Por Marco Dassori

11 Jun 2019, 07h52

Crédito: Gabriel Matos/Senado Federal

Três representantes políticos do Amazonas estão entre os cem parlamentares mais influentes nas duas casas do Congresso Nacional, segundo o DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar). Divulgado nesta segunda (10), o estudo “Cabeças do Congresso” é publicado anualmente e tem como base atributos de credibilidade, equilíbrio e experiência.

Entre os 594 parlamentares que integram as duas casas legislativas, foram selecionados 71 deputados e 29 senadores. Dos três representantes do Amazonas listados, dois estão no Senado – Eduardo Braga (MDB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM) – e um está na Câmara dos Deputados, presidindo a Comissão Especial da Reforma da Previdência – Marcelo Ramos (PL-AM).

Entre os critérios considerados pelo estudo estão a capacidade de liderança  e negociação, postos ocupados e reputação. Com base nesses critérios, a equipe do DIAP faz entrevistas com parlamentares, assessores legislativos, cientistas e analistas políticos e jornalistas, além de levantamentos relacionados a projetos apresentados e a discursos proferidos.

São considerados também, para fins de classificação, resultados de votações, relatorias, intervenções nos debates, frequência de citações na imprensa, análise dos perfis e grupos de atuação.

Além dos 100 mais influentes, o DIAP relacionou também uma lista com outros 50 deputados que, segundo a metodologia, estão em ascensão. Nessa categoria, estão aqueles que recebem missões partidárias e buscam abrir canais de interlocução, criando espaços próprios. O Amazonas não dispõe de nenhum representante nesse segundo ranking.

Poder nas Comissões

Na avaliação do cientista político e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Tiago da Silva Jacaúna, diante da baixa representatividade do Estado no Congresso, a influência dos políticos locais vai depender principalmente de sua participação nas comissões do Congresso, sua influência nelas, e o peso de cada uma.

O acadêmico dá como exemplo o fato de o deputado Marcelo Ramos – que é membro titular da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) na Câmara, uma das mais importantes da casa legislativa – presidir a Comissão da Reforma da Previdência. Cita também o senador Omar Aziz, que preside a CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado – na qual o também senador Plínio Valério (PSDB-AM) é vice.

“Essa participação é importante diante da agenda de reformas do Executivo, pois aumenta o poder de barganha da bancada, que é pequena. Não é suficiente, mas é um começo. Historicamente, as bancadas do Sul e Sudeste sempre foram muito influentes, assim como as pautas regionais sempre foram fortes. Cabe ao Amazonas, então, se articular com as bancadas de outras regiões para fazer valer seus interesses, o que não é fácil”, ponderou.

Esforço e reforma

O deputado federal Marcelo Ramos destaca que a representatividade deve ser levada em conta em cada casa legislativa, já que o Amazonas tem dois dos 29 senadores mais influentes do Brasil, mas apenas um entre os 71 que se qualificam na mesma posição na Câmara dos Deputados.

Em termos percentuais, o Estado – que conta com três dos 81 senadores – tem 6,90% de influência e 3,70% de representatividade no Senado. Na Câmara dos Deputados – onde despontam oito deputados do Amazonas em um universo de 513 –, a situação se inverte para 1,40% e 1,56%, respectivamente.

“É preciso reconhecer o esforço de toda a bancada que, mesmo sendo pequena, tem se desdobrado na defesa dos interesses do Estado. Tenho procurado fazer a influência que conquistei por ser presidente da Comissão da Reforma, vice-líder do PL, e ter muito respeito de todas as lideranças da Câmara e da imprensa nacional para sensibilizar sobre os temas de interesse do Amazonas e, em especial, da Zona Franca de Manaus. Com influência, conquistamos aliados para as nossas lutas”, justificou.

Experiência e negociação

Essa é a sexta vez em que o líder do MDB e da maioria no Senado, Eduardo Braga, aparece na lista do DIAP. Seu nome se destaca na categoria de “negociador”, grupo de parlamentares com experiência, respeito e autoridade para firmar e honrar compromissos à mesa de negociação. Conforme o estudo, é bom negociador aquele que, “sem abrir mão de suas convicções, respeita a vontade da maioria mantendo coeso seu grupo político.

“É uma honra figurar mais uma vez nesse ranking, o que reforça nossa responsabilidade pela construção de um diálogo político democrático em defesa dos interesses de nosso país e de nosso povo”, finalizou emedebista, por meio de texto distribuído por sua assessoria de imprensa.

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