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Influência é a ferramenta de trabalho das redes sociais

Avanço da tecnologia, popularização das redes sociais e mudança de foco publicitário para nichos de público abrem espaço para influenciadores

Por Andreia Leite @andreiasleite_ TT @JCommercio

08 Set 2019, 10h48

Crédito: Divulgação

A carreira de ‘digital influencer’ ganha dimensões estratosféricas a cada dia. Esse já é um mercado consolidado, não à toa o número de brasileiros conectados a internet ampliou de 67% para 70%. Os dados fazem parte da nova edição da pesquisa TIC Domicílios. Esse aumento é atribuído ao fato de que agora metade da população rural e das classes D e E está conectada à internet. As redes sociais ganham força, despertam cada vez mais interesse e dentro desse radar uma nova profissão vem se consolidando no mercado, o Digital Influencer ou criador de conteúdo. 

Além de ditar comportamentos para o seu público, esse profissional inspira tendência, cria hábitos nas mídias sociais como Facebook, Instagram, Youtube. Essa influência consolida  parcerias com grandes marcas e garante lucros em diversos nichos de mercado. 

Essa nova opção de carreira é muito bem conceituada no Amazonas, prova disso, são alguns Digital Influencers que se destacam e estão trilhando uma carreira de sucesso. 

Entre as referências fortes nesse mercado uma delas é a Huma Kimak. Que iniciou a carreira há três anos. Nos últimos dois anos ela observou um crescimento no seu trabalho no número de seguidores.  Formada em Publicidade e Propaganda e com curso de mídias sociais, Huma conta que começou sendo modelo fotográfica para uma loja de roupas e, como fotografava muito bem, outras lojas foram convidando.

“Os clientes me marcavam nas postagens, outras pessoas viam e começavam a me seguir.  Ela também tem clientes de outros países. A experiência, é totalmente prática. “Quanto mais novas experiências eu tenho, eu aprendo muito mais, principalmente no que se refere à aceitação do público e crio novas estratégias para desenvolver melhor meu trabalho”. 

Huma reúne 467 mil seguidores. E carrega na bagagem muitos trabalhos e campanhas em outros Estados. Como a campanha da Itubaína, da cerveja sol, participou da campanha de Ano Novo de Jericoacoara. Também já fez trabalhos para a The Black Beef, do ator Caio Castro. Além de receber convite para várias festas e festivais em outros estados, como presença VIP.

O mercado que tem crescido muito é mais procurado pelos empresários e marcas que querem turbinar a visualização da sua marca por meio dessa nova maneira de se comunicar com os consumidores. Ele garante que o trabalho exige muita dedicação e comprometimento com seus clientes. Não é simplesmente só colocar o celular para gravar e ganhar presentes, como muitos acham. O dia a dia é muito corrido. “Eu fico gravando durante todo o dia. Quando eu chego em casa e acho que acabou, ainda tem mais coisas para gravar”. 

Sobre as parceiras, atualmente, ela tem uma assessoria que cuida do fluxo sistemático. Os clientes entram em contato com eles, e a equipe tem um arquivo que contém informações importantes sobre o seu trabalho, como: número de seguidores e visualizações, estatísticas e valores. Após isso, eles escolhem o que melhor se encaixa para a empresa. Então, depois de todo os trâmites, eu faço as gravações e divulgo. 

Ela declara que o seu maior desafio na carreira é criar novos conteúdos e variar para não tornar repetitiva e não cansar o público. “Tem que ter criatividade para gerar novas ideias”.
 

Correria que vale a pena

A influenciadora digital, Carol Heinrichs, começou com um blog há 10 anos. Com o tempo migrou para o Instagram. Fez curso de jornalismo de moda e personal stylist. Ela também confirma que o trabalho é muito corrido. 

“Visitas em lojas, trabalhos em casa, fotos, edições das imagens, elaboração de textos, interação no direct, e mails, Whatsapp. Eu pelo menos não paro e ainda tenho uma pequena pra cuidar em casa”. 

Têm dias que ela visita até quatro shoppings fazendo  gravações. Já foi convidada para campanhas do grupo Boticário, Natura Coca-Cola e. foi ao Peru pela empresa Microsoft. C&A e Sapatinho de Luxo também estão na lista de campanhas. Carol reúne 340 mil seguidores. É frisa que o diferencial na carreira é ter conteúdo, ser acessível. 

Influência além do consumo

Bruna Castro, mergulhou nesse universo há cinco anos, com seguidores que ultrapassam 150 mil, tem em média 10 mil views a cada 24h. Além de dicas de modas, a influencer dá dicas de beleza, comportamento, gastronomia e vários outros serviços. Bruna também trabalha para várias marcas nacionais e explica que quem deseja seguir a carreira precisa levar o trabalho a sério e com dedicação diária.

“O trabalho é muito corrido. A gente precisa se adaptar aos horários e as necessidades do cliente. Não tem hora para atender. Precisa ter um tempo flexível e estar disposto a isso”. 

O trabalho de Influenciador Digital vai além de incentivar o consumo, para Bruna Castro, a a carreira serve para incentivar também a auto estima, a amizade e, principalmente, incentivar pessoas sair da zona de conforto e buscarem os sonhos em qualquer área que pretendam atuar. 

Fim dos likes trouxe mudanças

O Instagram começou a ocultar o número de curtidas dos posts na timeline. Em maio, a empresa anunciou o teste no Canadá e, no Brasil, o experimento começou em julho. A expectativa é entender se a mudança ajudará as pessoas a focarem menos nas curtidas e mais no conteúdo das histórias postadas. Para as influenciadoras as novas regras não causaram impacto relevantes. Muito pelo contrário, deixou de lado o comparativo e foca no conteúdo.

Rafael Coca, sócio-fundador da Spark, especialista em estratégia de conteúdo digital e ativação de marcas com influenciadores, explica que a alteração é positiva e reforça o protagonismo da originalidade do conteúdo como gatilho para geração de engajamento com os seguidores.

"Essa medida impulsiona a criação de conteúdo, pois diminui o risco de 'não exposição', como algumas pessoas entendem acontecer se um post não atinge o volume de likes esperado. A ideia é que a publicação seja mais original e não pensada apenas em gerar curtidas", explica Coca.

Sob a ótica de mensuração de resultados do detentor do perfil, não mudará, uma vez que o influenciador segue tendo acesso ao número de likes e visualizações de seus posts. "Ele continua enxergando todos os dados de performance para calibrar sua criação de conteúdo", completa.

O Brasil ocupa a segunda posição no ranking global de número de usuários do aplicativo Instagram, ficando atrás apenas dos Estados Unidos – mercado onde o app foi criado. O país conta com 66 milhões de usuários, quase a metade dos 110 milhões de pessoas que usam o aplicativo nos EUA.

Guia rápido

Se inspirou pela carreira? Você pode acompanhar as influenciadores citadas na matéria nos seguintes perfis: Instagram: @humakimak @carolheinrichs @brucastro

Área de atuação 

São muitas as áreas de atuação dos influencers digitais: moda, beleza, comportamento, educação, entretenimento, entre outros. Cabe ao negócio ir em busca do influenciador digital que represente o seu segmento de atuação no mercado. 

Média salarial 

De acordo com a plataforma que analisa dados de influenciadores, uma conta no Instagram com 100 mil seguidores pode cobrar, em média, por um post, com mais de 100 mil seguidores ganham entre 5 mil e 10 mil reais. É algo muito variado. Depende muito de cada perfil. 

Perfil

Não existe um perfil padrão, mas vários deles. Qualquer perfil pode dar certo, o segredo é o público se agradar com o conteúdo que você entrega.

Onde estudar

Para quem pretender seguir carreira, não precisa ter uma formação específica. Mas é bom ter bastante conhecimento dentro do nicho que pretende atuar. Cursos voltados ao marketing digital e as mídias sociais ensinam as técnicas da comunicação e ajudam a se profissionalizar.

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