Polo Industrial de Manaus

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Inflação na porta de fábrica é menor no PIM, aponta IBGE

Por Marco Dassori

07 Jul 2019, 21h10

Crédito: Acervo JC

A maior parte das linhas de produção do Polo Industrial de Manaus sofreu impacto inflacionário abaixo da média do setor. A conclusão vem da leitura dos dados do IPP (Índice de Preços ao Produtor), de abrangência nacional. Calculado e divulgado pelo IBGE, o indicador mede a variação dos preços na “porta da fábrica” de 24 atividades do setor.

De uma forma geral, os preços na indústria brasileira subiram 1,43% em maio, na comparação com abril – contra 1,22% no levantamento anterior. Foi o quarto mês consecutivo de aumento nos preços no setor, cuja variação acumulada saltou de 2,52% para 3,99%. A maior influência veio dos setores alimentícios e de derivados de petróleo – cujo produto impacta diretamente no custo do frete para a indústria incentivada de Manaus.

A principal categoria econômica atendida pelo PIM, a de bens de consumo duráveis (motocicletas, eletroeletrônicos), registrou o menor incremento da lista (0,14%) na passagem de abril para maio e no ano (2,76%). Bens de consumo semiduráveis (roupas e tecidos) avançaram 1,08% na variação mensal e 4,63% no acumulado – o maior número neste tipo de comparação. Em ambos os casos, houve desaceleração em relação a abril.

Maior inflação foi observada em bens de capital (máquinas, equipamentos, materiais de construção, instalações industriais) e, principalmente, em bens intermediários (componentes e insumos), que pontuaram 1,27% e 1,81% entre abril e maio, respectivamente. No acumulado, bens de capital (3,86%) e intermediários (3,79%), no entanto, ficaram abaixo da média do setor. 

Entre os carros chefe do PIM, a maior parte das linhas de produção apresentou números abaixo da média do IPP: bebidas (-0,08% no mês e -1,23% no ano), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (0,58% e 0,38%) e produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (0,94% e 3,25%) – barbeadores. A única exceção veio de “outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores” (1,73% e 2,87%) – o polo de duas rodas.

Câmbio e frete

Impacto maior foi sentido no segmento alimentício. A variação mensal de preços de 1,75%, em maio, foi a maior desde dezembro de 2018 (2,03%) – e maior também que a do levantamento anterior (1,30%). Com isso, o acumulado no ano saltou de 0,33% (em abril) para 2,09%. 

De acordo com o vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Manaus, Pedro Monteiro, os custos dos 20 fabricantes do polo alimentício da capital amazonense – de vinagre, trigo, café e açaí – aumentaram principalmente em decorrência do aumento do dólar, que impacta principalmente no material de embalagens. 

“Outro fator foi o aumento dos fretes após a greve dos caminhoneiros e os aumentos do óleo diesel dos últimos meses tiveram impactos nos custos das indústrias locais que, devido a questões logísticas, acaba pesando muito no preço final”, lamentou.

Embora o indicador do IBGE não leve em conta a variação do frete em sua composição – ou mesmo de tributos, vale notar que o setor de derivados de petróleo e biocombustíveis registrou altas de 3,28% (mensal) e de 19,90% (anual), com destaque para gasolina e diesel. 

Na análise do IBGE, a taxa da indústria alimentícia foi influenciada pelos aumentos na soja, carne de aves, açúcar e carne bovina. Os motivos são a quebra de safra nos EUA pelo excesso de chuvas e o crescimento nas exportações de carnes decorrente da gripe suína na China, além da variação cambial.

Insumos e salários

Vice-presidente da Fieam e presidente do SIMMMEM (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), Nelson Azevedo ressalta que insumos importantes para a indústria de componentes e de veículos de duas rodas, a exemplo do plástico e do aço, sofreram aumentos significativos nos últimos meses.

“A matéria prima deu uma subidinha. Um produto no qual sentimos muita diferença de preço foi a tinta. E as fábricas de componentes da Zona Franca tiveram dificuldade de repassar esse aumento para a clientela de bens finais. E a expectativa é de mais pressão nos custos, já que neste mês começam as negociações para a data base da categoria dos trabalhadores do polo metalúrgico”, finalizou. 

 

 

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