Polo Industrial de Manaus

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Indústria amplia estimativa de produção de motocicletas neste ano

Expectativa é que 1,1 milhão de unidades sejam produzidas em 2019 nas unidades do Polo Industrial de Manaus

Por Antonio Parente

10 Abr 2019, 23h40

Crédito: Divulgação

O setor de duas rodas registra crescimento de 6,1% na produção de motocicletas no PIM (Polo Industrial de Manaus) no mês de março. Segundo dados da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), a expectativa é que 1,1 milhão de unidades sejam produzidas em 2019.  A estimativa anterior, apresentada em dezembro do ano passado, era de 1.080.000 unidades, alta de 4,2% em relação a 2018.

Segundo o economista Ailson Rezende, o setor de duas rodas está em fase de recuperação e o problema da queda de produção nos últimos anos estava mais relacionado ao endividamento e inadimplência dos interessados em comprar do que à própria indústria. O poder de compra do consumidor, segundo ele, impacta na forma como as empresas vão reagir com sua linha de produção.

“Os números da Abraciclo são baseados no desempenho do ano passado que culminou em uma boa expectativa para 2019. Isso foi motivado pela diminuição de inadimplência e endividamento que foi resolvido com a série de ações que o governo promoveu como a liberação do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), PIS (Programa de Integração Social) e o décimo terceiro. A queda nas vendas forçou as empresas montadoras a reduzir a produção”, disse.

O presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian explica, que a visão positiva do mercado culminou com o esforço dos fabricantes de investir em novas tecnologias e novos atrativos, para conquistar o consumidor do segmento. Ele reforçou ainda, que se as reformas necessárias para o país aumentarem o poder de ganho para a população de baixa renda  consumir mais os produtos do setor, a tendência de crescimento na produção só tende a evoluir.

“O aumento na queda no volume de venda de motocicleta nos últimos anos foi motivada pelo estreitamento da renda desses clientes. As motocicletas mais compradas que vão até 160 cilindradas são adquiridas por pessoas com renda de até 3 salários mínimos. A expectativa de um horizonte mais produtivo motivou esse cliente a comprar. Querendo ou não, a motocicleta é o único produto acessível para grande parte da população brasileira. Acessibilidade no valor, manutenção e  consumo de combustível. Três fatores muito próximo a realidade brasileira”, disse.

Vendas no mercado

De janeiro a março deste ano as vendas no atacado somaram 270.641 motocicletas, alta de 15,7% ante mesmo período de 2018 (234.010). Apenas em março o repasse de motocicletas para as concessionárias foi de 93.559 unidades, aumento de 7,2% ante março de 2018 (87.243 unidades). Na comparação com fevereiro foi registrada queda de 2% (95.427 unidades). Em Manaus, foram comercializadas no varejo  2,7 mil motocicletas de janeiro a março um crescimento de 20,7% no primeiro trimestre do ano.

De acordo com Fermanian, a cota do consórcio e o aumento de crédito por parte dos agentes financeiros coincidiu com o aumento da demanda no mercado, fatores que segundo ele ajudou a mobilizar o mercado consumidor. Ele reforçou, que apesar da Região Norte e o Amazonas apresentarem um crescimento pequeno em relação a outras regiões do país, Manaus obteve um grande destaque de janeiro a março. Para ele, o crescimento nas vendas da modalidade de consórcio e o aumento da oferta de crédito foram os fatores primordiais para o bom desempenho do setor.

“Temos visto um investimento maior das administradoras que atuam com motocicleta, especialmente as ligadas aos nossos fabricantes. Elas têm feito campanhas expansionista de venda de cotas consórcios. Isso tem contribuído para o aumento das contemplações e traduzem o aumento da entrega de moto zero quilômetro nessa modalidade. Os bancos também têm modelados formas que adequam à realidade do consumidor que está cada vez menos inadimplente. A procura tem sido a mesma que as outras regiões”, disse.

A nível nacional, o varejo teve uma nova projeção de 1.020.000 motos, um crescimento de 8,5% em relação a 2018 (940.108 unidades). Em dezembro, a perspectiva era de 998 mil unidades, aumento de 6,2%. No atacado,  repasse das fábricas para as concessionárias, a nova estimativa é de 1.060.000 unidades, elevação de 10,7% em relação a 2018 (957.617 unidades). A estimativa inicial indicava 1.031.000, alta de 7,7%.

Empregos

De acordo com Fermanian, ainda que de forma tímida, o aumento da produção no trimestre já tem gerado alguns postos de trabalho. Apesar da melhora, as atividades ainda estão muito abaixo da capacidade produtiva. Segundo últimos indicadores da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), ano passado o setor de duas rodas registrou 12,5 mil mão de obras ocupadas, um aumento de 3,4 % em relação a 2017, que registrou 12,1 mil mão de obra.

Na visão do economista Ailson Rezende, mesmo com o aumento de 6,1% na produção, os números ainda não são suficientes para gerar novos postos de trabalho. "O aumento é mais para a manutenção dos empregos que estão efetivamente criadas. As montadoras tem pessoal suficiente para atender a demanda. Se houver será números de postos de trabalho pequeno", frisou.

Exportações

No primeiro trimestre foram exportadas 11.382 motocicletas, recuo de 51,2% ante mesmo período de 2018 (23.320 unidades). Em março o volume embarcado foi de 3.525 unidades, redução de 54,5% na comparação com o mesmo mês de 2018 (7.747 motocicletas). Em relação a fevereiro, houve aumento de 7,2% (3.287 unidades).

Segundo dados do portal de estatísticas de comércio exterior Comex Stat analisados pela Abraciclo, a Argentina foi o principal comprador de motocicletas brasileiras no primeiro trimestre, com 3.832 unidades, 37,7% do total. Em segundo lugar ficaram os Estados Unidos, com 2.224 unidades e 21,9% de participação, e em terceiro o Canadá, 1.488 unidades e 14,7% de participação.

Em março a Argentina manteve a liderança com 2.660 motocicletas compradas do Brasil, com 53,2% do total, seguida pelo Canadá, com 988 unidades e 19,7% de participação, e pelos Estados Unidos, com 608 unidades e 12,2% de participação.

A crise que se agravou na Argentina foram fundamentais para a queda no número de exportações, segundo o presidente da Abraciclo, as montadoras projetam novos mercados para fugir da dependência das vendas para o país vizinho. “Há um movimento para buscar novos mercado, porém, de forma tímida ainda.  Estamos buscando mercados na Colômbia, Peru e Chile”, explicou

 

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