Indústria

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Indústria 4.0 além das tecnologias, defende Américo Azevedo

Por Andréia Leite

02 Nov 2019, 17h00

Crédito: Divulgação

Em entrevista ao Jornal do Commercio, o professor doutor da Universidade do Porto, Américo  Azevedo, especialista na Indústria 4.0, afirma que é preciso trabalhar a questão humana dentro dos ajustes das empresas, a exemplo de Portugal que desenvolveu uma estratégia industrial muito centrada na variedade, a não escala com produtos de valores não agregados. A grande questão é como fazer esse produto de forma eficiente e criar riquezas não estando em uma lógica de escala? 

Como ser eficiente para produzir os chamados produtos inteligentes,  para ele, o grande desafio da revolução industrial não são as tecnologias e sim as pessoas. E como as pessoas vão ter as competências adequadas para trabalharem nesse tipo de ambiente. “Interação entre homem-máquina, as fábricas do futuro tem que atender a esses desafios. Tem que ser eficientes para produzir um produto único. Temos que conseguir gerar riquezas apesar de não termos escalas, e que vá de encontro, de fato,  a necessidade do mercado. É eu ser competitivo no mercado e ser eficiente para fazer pouca quantidade, mas grande variedade”, destaca.

Além disso, ele explica ainda que  é cada vez mais importante ter a capacidade de garantir, com elevada eficiência e reduzido tempo de resposta, um ambiente de produção individualizada. É  neste contexto exigente e desafiante que a Indústria 4.0 promove uma visão em que se espera que os desenvolvimentos em torno das tecnologias da informação permitem novas formas de concepção e produção.

“Assistiremos a uma cada vez maior participação ativa do consumidor nos processos de criação e de produção. Cada vez mais o sistema de produção será distribuído, formando-se um verdadeiro ecossistema de criação de valor colaborativo e adaptativo.

Ideias chaves mencionadas por ele no domínio da Indústria 4.0; fábricas e máquinas inteligentes, sistemas ciberfísicos, integração natural homem-máquina, autonomia e adaptabilidade, sistemas de produtos e serviços, virtualização, realidade aumentada.

“Contudo, nos dias de hoje, assistimos a uma verdadeira mudança de paradigma. O expoente desta mudança será materializado com a implantação do que se entende por “fábrica do futuro”, no ambiente do que se entende ser a quarta revolução industrial”.

Produção mais inteligente, mais rápida, mais personalizada, mais eficiente, mais integrada - são apenas algumas das promessas desta nova era industrial. “O potencial, especialmente para a indústria de manufatura, é realmente grande, tanto para fornecedores como para utilizadores de tecnologias em todo o espectro da Indústria 4.0. Mas ainda há muitas questões não resolvidas, incertezas e desafios”. 

Ele disse que os desafios e ganhos esperados seriam a redução de custos e ampliação das oportunidades de negócio, efeitos macroeconómicos e de benefícios operacionais. 

“O aumento da produtividade em ambientes de maior flexibilidade, a redução do time-to-

market (tempo até o mercado), a redução da indisponibilidade dos recursos e da não qualidade são apenas alguns dos ganhos que se esperam garantir”. 

Além disso, num balanço de criação e destruição de emprego, espera-se que quando se atingir a maturidade (estima-se um período de 10 a 15 anos para que a indústria 4.0 atinja a maturidade), se verifique um saldo global positivo para a população trabalhadora em atividade na indústria trabalhadora (no contexto Europeu). Outros benefícios são apontados no domínio da criação de novas redes de criação de valor e da exploração de novos modelos de negócio, que, por sua vez, originarão novas profissões.

Capital industrial 

O professor falou ainda sobre a importância de investimento pela formação desses profissionais com conhecimento tecnológico para atender às novas necessidades e que estarão à frente dessa mudança. E que os institutos e as universidades são a ponta disso. “Inovação é transformar conhecimento em produtos e serviços que o mercado valorize, mas para criar-se conhecimento é necessário investir em pesquisa. É preciso injetar dinheiro em conhecimento e isso vai gerar inovação para essas empresas. É um ciclo se injeta dinheiro eu vou ter que alavancar no final. Se fala muito em ecossistema de inovação. Ninguém inova sozinho. E as empresas não conseguem profissionais por não terem uma mão de obra qualificada”. 


 

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