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Inadimplência no comércio recua em maio em Manaus e amplia otimismo

Por Marco Dassori

05 Jun 2019, 09h28

Crédito: Divulgação

A taxa de inadimplência no comércio varejista local diminuiu em maio e o número de consumidores manauenses que reincidiram nas dívidas está abaixo da média nacional. As informações foram fornecidas pela CDL-Manaus (Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus).

A média de passou de 3,4% para 3,2%, entre abril e maio, e ficou bem abaixo da pontuação registrada exatos 12 meses antes (3,8%). No total, 26 mil pessoas saíram do cadastro do SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) no mês anterior e 30 mil entraram. A CDL-Manaus contabiliza, atualmente, 345 mil cadastros em seu estoque, com dívidas de até cinco anos.

“Do lado dos consumidores, estão ocorrendo mais contratações e maior estabilidade nos empregos, o que facilita a regularidade. Há também o fato de que muitos viajam e suas dívidas acabam contabilizadas em outras praças. E os nossos associados estão fazendo mais consultas antes das vendas”, ponderou o presidente da CDL-Manaus, Ralph Assayg.

Diferente do que ocorre na média nacional, a maioria dos devedores locais não foi composta por consumidores reincidentes em atrasos, após três anos de regularidade, em média. Na capital amazonense, a taxa de consumidores que já haviam aparecido no cadastro nos últimos 12 meses não passou de 35%, conforme a CDL-Manaus.

Já a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) informa, com base também no SPC, que 78% dos consumidores com CPF negativado no período estão nessa situação. Dessa fatia, 27% estavam regularizados e outros 52% ainda estavam com uma conta pendente e passaram a acumular mais um atraso.

A região Norte, por sinal, é onde está a minoria dos consumidores com dívidas pendentes, respondendo por 7% do total. No ranking nacional, o Sudeste (42%) desponta em primeiro lugar, seguido pelo Nordeste (25%), Sul (14%) e Centro-Oeste (9%).

Arrimo de família

Em nível nacional, 36% dos devedores possuem idade acima de 50 anos, 23% têm entre 30 e 39 anos e outros 21% estão na faixa de 40 a 49 anos. Embora não detalhe a fatia percentual, Ralph Assayg destaca que a maioria dos consumidores locais com dívidas em atraso tem entre 18 e 25 anos, ou já passou dos 60.

“No caso dos mais jovens, isso ocorre porque eles ainda estão se ajustando com o primeiro emprego. Sem noção de educação financeira, consomem mais do que ganham. Já os mais idosos acabam, em muitos casos, tendo que ser arrimo de famílias onde o desemprego é maior”, explicou.

Segundo o dirigente, a situação dos consumidores com mais de 60 anos só não é pior porque o governo federal limitou a capacidade dos bancos induzirem a clientela ao endividamento, mediante a oferta de produtos financeiros. Notadamente empréstimos consignados para aposentados.

“Os bancos procuravam esse cliente e, ao verificar que o retorno era garantido, ofereciam financiamentos sem limite de margem de endividamento. Até pouco tempo atrás, essa indicação era livre, mas hoje há um limite de 30% para essa finalidade”, detalhou.

Indagado sobre suas expectativas em relação a taxa de inadimplência para os próximos meses, presidente da CDL-Manaus disse que, diante do atual panorama político e econômico do país, ao contrário do que ocorria em tempos remotos, está cada vez mais difícil fazer essa estimativa.

“Não se sabe o que vai acontecer com a economia, se a Reforma da Previdência naufragar. Antes da crise, era possível fazer uma projeção para o ano todo, já a partir de janeiro. Nestes últimos dois anos, não estou conseguindo prever nem os números do próximo mês”, encerrou.

 

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