Opinião

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Imperiosa análise fisco contábil

O empresário que fizer isso pela primeira vez irá descobrir uma infinidade de desajustes operacionais

Por Reginaldo Oliveira

17 Abr 2019, 13h51

Crédito: Divulgação

De modo geral, o diretor ou sócio duma empresa conserva o hábito de acompanhar todas as etapas de qualquer obra de pequeno ou de grande porte que tenha encomendado a uma construtora. Esse comportamento é absolutamente natural porque envolve questões de significativo impacto patrimonial. Além de fazer o acompanhamento, o diretor está sempre buscando informações detalhadas sem se importar com o fato de não ter cursado engenharia civil. Por outro lado, o responsável pela obra trata desses questionamentos como parte do seu trabalho. Curiosamente, tal modus operandi não se aplica a questões de cunho fisco contábeis. Pelo menos, na maioria das empresas.

A Controladoria do empreendimento fabril Laminit preparava mensalmente um relatório minucioso das operações que, posteriormente, era digerido pelo seu diretor Paulo Scandian. A análise das informações consumia uns três dias de imersão total no dito relatório. O diretor ia esmiuçando os dados e ao mesmo tempo disparando e-mails para os responsáveis de vários setores. Fato subsequente: era reservado um dia inteiro para apresentação dos números, onde todos os participantes já deveriam estar com as justificativas e respostas na ponta da língua. Esse ritual corporativo conferia ao chefe maior um absoluto controle do negócio; nada escapava do seu olhar de lince. Por isso, todo o corpo administrativo e operacional era cuidadoso no cumprimento das suas tarefas. Tarefas essas, que eram transformadas em dados estatísticos por sofisticados instrumentos de análise gerencial.

O diretor da rede comercial Somaza exige que cada nota fiscal de compra seja apresentada a ele com uma memória de cálculo anexada. Por se tratar de peças de veículos, o ICMS substituição tributária é cobrado pelo fornecedor das mercadorias ou pela Sefaz. Daí, a importância da conferência. Vez por outra, os funcionários são confrontados por desafios analíticos envolvendo dados enigmáticos. Isso acontece devido a variados e incomuns arranjos matemáticos que os fornecedores constroem para atender a legislação da ZFM. Muitas vezes, o que ocorre, é erro de aplicação normativa. Essa prática diligente da Somaza já livrou a empresa de muitas encrencas e também de muitos prejuízos fisco tributários.

Tais lições nos dizem que o diretor precisa compreender e monitorar as operações fisco contábeis que se desenvolvem na sua empresa. Afinal de contas, o que está em jogo é a saúde do negócio. Mesmo porque, uma bobeada, e lá se vão milhões de reais pelo ralo. Claro, obvio, a capacitação precede a compreensão. Isso se traduz em estudos da matéria em questão – é preciso saber o mínimo necessário para discutir assuntos relevantes com o Contador. Mesmo assim, o que se observa em vários ambientes corporativos é a total desconexão da alta gerência com a sua assessoria fisco contábil, onde guias de recolhimento tributário são aprovadas às escuras ou relatórios contábeis são engavetados sem passar por nenhuma análise gerencial.

É de salutar importância que o Administrador solicite do Contador uma apresentação mensal de todas as operações do seu negócio. A apresentação deve ser feita de modo protocolar e ritualístico; em local apropriado e com informações projetadas via slides PowerPoint. A reunião precisa contar com a presença de funcionários graduados, justamente para conferir legitimidade ao evento. O empresário que fizer isso pela primeira vez irá descobrir uma infinidade de desajustes operacionais, além de prováveis inconsistências nas apurações de tributos. Mesmo que a empresa seja pequena, é importante que se verifique, ao menos, o cumprimento de obrigações normativas.

Essencial, mesmo, é que a alta gerência busque os meios necessários para se manter informada de tudo que possa comprometer o patrimônio da empresa. Isso só será possível se o administrador tiver conhecimentos necessários para questionar tecnicamente os dados que lhe são apresentados. Curta e siga @doutorimposto

*Reginaldo de Oliveira é consultor empresarial, palestrante, professor do ensino superior e especialista em capacitação profissional nas áreas de ICMS Básico e ICMS Substituição Tributária.

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